Polícia de Timor-Leste pede a estudantes para porem fim aos protestos

Os protestos de estudantes universitários em Díli intensificaram-se com os manifestantes a queimarem pneus e a atirarem pedras contra a polícia, que respondeu com disparos de gás lacrimogéneo. Os estudantes de quatro universidades de Timor-Leste iniciaram segunda-feira um protesto contra as regalias dos deputados, que acabou por ser disperso com gás lacrimogéneo pela polícia, depois de os manifestantes atirarem pedras e outros objetos contra o Parlamento Nacional, onde decorria a abertura da terceira sessão da sexta legislatura, 16 de setembro de 2025. ANTÓNIO AMARAL / LUSA

A polícia de Timor-Leste pediu hoje aos estudantes que ponham fim às manifestações, depois de o Parlamento Nacional ter decidido suspender a compra de viaturas novas para os deputados.

“Hoje temos de encerrar a manifestação. Já não podem continuar porque o parlamento já emitiu uma declaração a cancelar a compra de viaturas”, disse à Lusa o comandante de operações da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), o superintendente-chefe Justino Menezes.

O comandante da PNTL afirmou também que o protesto na capital Díli deve parar porque os deputados se queixam de não conseguir trabalhar devido ao barulho.

Em relação ao protesto dos estudantes de segunda-feira, Justino Menezes explicou que foram registados dois feridos sem gravidade e que quatro viaturas foram danificadas.

“Ontem [segunda-feira] praticaram-se atos criminosos, a PNTL também foi atingida e eles [os manifestantes] também foram atingidos. Houve danos em quatro veículos, nomeadamente duas viaturas da polícia com vidros partidos, uma do parlamento e uma privada”, afirmou Menezes.

Os estudantes de quatro universidades de Timor-Leste iniciaram segunda-feira um protesto contra as regalias dos deputados, que acabou por ser disperso com gás lacrimogéneo pela polícia, depois de os manifestantes atirarem pedras e outros objetos contra o Parlamento Nacional, onde decorria a abertura da terceira sessão da sexta legislatura.

O protesto levou a maioria parlamentar a recuar na decisão da aquisição de novas viaturas para os deputados.

O superintendente-chefe acusou os estudantes de terem iniciado as agressões na segunda-feira, um argumento que utilizou hoje para pedir o fim da manifestação.

“Já falámos com os porta-vozes dos estudantes e eles cooperaram, mas outros estudantes não quiseram ouvir”, acrescentou.

A polícia timorense voltou a usar gás lacrimogéneo para dispersar estudantes, cujos protestos alargaram-se da a Avenida Cidade de Lisboa, onde se entra para o Parlamento Nacional, para a UNTL e também para o Arquivo e Museu da Resistência Timorense, para a rua onde está situada o supermercado Pátio.

O superintendente-chefe estimou que cerca de 500 jovens estão envolvidos nas manifestações.

Os estudantes reivindicam também o fim das pensões vitalícias para os parlamentares, alterações à lei da manifestação e a afetação de verbas significativas para setores que consideram estratégicos para o desenvolvimento do país.

O porta-voz dos manifestantes, Caetano da Cruz, afirmou hoje à Lusa que o protesto visa também expressar o descontentamento com o Governo liderado pelo primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

“Como podemos estar satisfeitos com um Governo cujas decisões são, em grande parte, quase inconstitucionais, e com deputados, desde a primeira até à sexta legislatura, que muitas vezes discutem mais os seus interesses particulares e partidários do que os interesses do povo”, afirmou Caetano da Cruz.

 O segundo dia de protesto de estudantes em Díli contra as regalias dos deputados timorenses terminou com dança e recolha de lixo, depois de uma intensa troca de gás lacrimogéneo e pedras entre manifestantes e polícia.

Ao início da manhã, os jovens iniciaram a manifestação em frente à Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL) e junto ao parlamento sob um forte dispositivo policial, que condicionou os manifestantes e acabou por os empurrar para dentro do estabelecimento de ensino.

“Os 65 deputados que estão atualmente no Parlamento Nacional não representam o povo timorense, não discutem os interesses legítimos do povo. Os deputados aproveitam o cargo para atingir os seus direitos pessoais, de grupo e partidários, mas não se responsabilizam pelo sofrimento que o povo enfrenta”, disse à Lusa o estudante César João Batista.

Vicentino da Costa Lemos também criticou a atuação dos deputados “malandros”, salientando que os universitários estão a representar a voz do povo.

“Os deputados tomam decisões malandras e nós vamos lutar contra. A resistência dos universitários, firmeza sem reserva, a luta continua”, afirmou Vicentino da Costa Lemos.

Junto ao parlamento, os jovens gritaram palavras de ordem contra os deputados, mas também dançaram músicas tradicionais timorenses.

O protesto terminou de forma pacífica, com os estudantes a serem convocados para o último dia de manifestação, que se realiza na quarta-feira.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também