Polícia atenta ao “perigo de radicalização” de algumas comunidades de imigrantes

Imigrantes participam na manifestação promovida pela Associação Solidariedade Imigrante para exigir que os problemas das comunidades sejam incluídos no debate político, junto à loja do Porto da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), no Porto, 23 de abril de 2025. JOSÉ COELHO/LUSA

 O diretor da Unidade Central de Estrangeiros e Migrações da PSP afirmou hoje em Luanda que a polícia está atenta ao perigo de radicalização religiosa e política de algumas comunidades de imigrantes em Portugal.

Ao elencar os desafios que a imigração coloca à segurança nacional e ao trabalho da polícia, no Seminário Internacional sobre Segurança Pública, a decorrer em Luanda, Hugo Palma disse que a PSP acompanha “com muita atenção” algumas comunidades de imigrantes e reconhece “o perigo da radicalização, seja a radicalização religiosa, seja a radicalização política”.

“Essa é uma realidade, não só de quem vem para Portugal, mas também é um problema de alguns grupos que já estão em Portugal”, disse o diretor daquela unidade, pertencente à Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras da PSP.

Hugo Palma, que falava no painel sobre “o fenômeno da imigração irregular e a sua implicação na segurança nacional dos Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)”, reconheceu a preocupação da PSP com a radicalização, que “obviamente coloca fortemente em causa a coesão” do país.

O superintendente Hugo Palma recordou que em 2017 estavam registados em Portugal perto de 400 mil cidadãos estrangeiros e em oito anos o número passou para 1,5 milhões.

“É mais de um milhão de pessoas de outros países que escolheram Portugal para entrar, para trabalhar, estudar e viver. Como percebem, isto representa um desafio extraordinário”, disse o oficial da PSP.

Segundo o dirigente, o volume de imigrantes em Portugal coloca também desafios sociais, nomeadamente a necessidade de garantir que estes tenham acesso aos bens essenciais, nomeadamente a saúde, a educação e apoio social.

“Este é também um debate e que nos preocupa, diretamente, porque depois provoca o fenómeno de transvase para aquilo que é a nossa realidade, as redes criminosas que se aproveitam da migração, o tráfico de pessoas, também os grupos criminosos que já estão instalados no nosso país e que aproveitam este grande fluxo para os aliciar e trazer para a sua atividade criminosa”, notou.

O responsável defendeu que o grande fluxo de imigrantes em Portugal “provoca, eventualmente, um esgotamento” da capacidade de Portugal “de receção dessas pessoas”.

“E finalmente colocava aqui, porque vivemos recentemente a pandemia da covid-19, a questão que coloca alguns riscos sanitários à saúde pública”, concluiu o responsável.

O Seminário Internacional sobre Segurança Pública decorreu no âmbito da VI Reunião dos Ministros do Interior e da Administração Interna da CPLP, que termina na sexta-feira em Luanda.

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