PM assegura nos EUA que Portugal vai ter excedente este ano e crescer acima da média europeia

O primeiro-ministro assegurou hoje, na bolsa de Nova Iorque, que Portugal vai ter um novo excedente orçamental este ano e que o país vai continuar a crescer acima da média europeia, apelando a mais investimento dos Estados Unidos.

Luís Montenegro chegou hoje a Nova Iorque para uma deslocação de três dias aos Estados Unidos para participar na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), com o primeiro dia centrado na vertente económica.

O primeiro-ministro chegou à bolsa de valores de Nova Iorque cerca das 15:00 (20:00 em Lisboa), hoje com a bandeira de Portugal hasteada ao lado da dos Estados Unidos.

Luís Montenegro foi hoje o convidado para a tradicional cerimónia de encerramento do mercado bolsista e, perante investidores, empresários e representantes da comunidade portuguesa, deixou a mensagem de que “Portugal está muito aberto” aos investimentos e negócios com os Estados Unidos.

“Nós somos um dos países mais seguros do mundo, com estabilidade política, financeira e social”, destacou.

Na vertente económica, sublinhou que Portugal vai ter, pela quarta vez consecutiva, “um excedente” orçamental.

“Portugal continuará a crescer mais rápido do que a zona a euro, mantendo a inflação sob controlo”, disse.

Perante algumas dezenas de representantes das comunidades portuguesas e empresários, o chefe do Governo falou em inglês, após breves palavras da presidente da Bolsa de Nova Iorque, Lynn Martin, que elogiou “o futuro brilhante da economia portuguesa”.

Depois das intervenções, o primeiro-ministro, acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, assinou o livro de honra da bolsa – que na quarta-feira receberá a primeira-dama norte-americana, Melania Trump – e, às 16:00 em ponto, acionou o mecanismo que faz tocar o sino para encerrar o mercado bolsista, seguido de algumas marteladas.

Na SUA intervenção, Montenegro admitiu que Portugal enfrenta “agora um grande desafio no setor de combustível e de petróleo”, mas não se referiu ao conflito no Médio Oriente entre Estados Unidos e Irão, preferindo destacar as relações fortes entre Portugal e EUA.

“A nossa é mais do que uma conexão política ou humana, é um caminho com ligações económicas profundas. Entre 2023 e 2025, houve um aumento de 30% do número de americanos a morar em Portugal, que são agora 21 mil”, sublinhou.

O chefe do Governo português destacou as várias subidas de ‘rating’ da República portuguesa nos últimos anos e defendeu que Portugal está na “linha da frente da transição energética global”.

“No ano passado, 75% da nossa eletricidade veio de energias renováveis”, disse, destacando que tal se reflete nos “preços baixos” da energia.

A localização estratégia de Portugal, com laços privilegiados com a América do Sul e a África, e a língua portuguesa – “a mais falada no hemisfério sul” – foram outras das vantagens de Portugal apontadas pelo primeiro-ministro.

“Nós somos amigos e parceiros dos Estados Unidos desde a fundação desta grande nação”, salientou, referindo que a assinatura da Declaração de Independência deste país foi acompanhada com um brinde de vinho da Madeira.

Montenegro foi o primeiro chefe do Governo português convidado para esta cerimónia na bolsa de valores de Nova Iorque, depois de Durão Barroso ter participado, em 2007, quando era presidente da Comissão Europeia, enquanto Cavaco Silva acionou o sino de abertura do mercado, em 2008, numa deslocação oficial aos EUA enquanto Presidente da República.

O primeiro-ministro inaugurará, em seguida, uma joalharia de filigrana portuguesa em Times Square e, ao final do dia, vai participar na tradicional receção oferecida pelo Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, aos líderes mundiais que participarão no debate anual da 81.ª Assembleia Geral da ONU.

Os restantes dois dias da deslocação do primeiro-ministro serão dedicados à Assembleia Geral da ONU, a poucos meses de Portugal assumir em janeiro o lugar de membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o biénio 2027-2028.

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