Parlamento vota contra a proposta do governo de Orçamento do Estado para 2022

MÁRIO CRUZ/LUSA
MÁRIO CRUZ/LUSA

Da Redação com Lusa

O parlamento português ‘chumbou’ a proposta de Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) com os votos contra do PSD, BE, PCP, CDS-PP, PEV, Chega e IL.

Na votação na generalidade, no plenário da Assembleia da República, o PS foi o único partido a votar a favor da proposta orçamental, que mereceu as abstenções do PAN e das duas deputadas não-inscritas, Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues.

No total, 108 deputados votaram a favor, cinco abstiveram-se e 117 votaram contra.

“O resultado foi a rejeição desta proposta do Governo”, afirmou o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, no final da votação.

Quando se dirigiu aos deputados, o presidente do parlamento anunciou também que na quinta-feira, pelas 10:30, irá realizar-se uma conferência de líderes com intuito de programar os futuros trabalhos parlamentares na sequência da rejeição do Orçamento do Estado.

“Amanhã temos conferência de líderes e depois os senhores deputados serão informados em conformidade da continuação dos trabalhos na próxima semana, pelo menos”, acrescentou.

Após o chumbo, e sem manifestações das bancadas, os membros do Governo retiraram-se do plenário e os deputados prosseguiram com outras votações.

Já em declarações aos jornalistas nos Passos Perdidos da Assembleia da República e rodeado de todo o elenco governativo, o primeiro-ministro afirmou que o Governo sai “de consciência tranquila” da votação do Orçamento e que está pronto para governar por duodécimos ou ir para eleições, conforme decida o Presidente da República.

Na segunda-feira, o chefe de Estado disse que iniciaria logo o processo de dissolução da Assembleia da República caso o Orçamento do Estado fosse rejeitado já na generalidade.

Hoje, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou, em declarações aos jornalistas durante a tarde, em Aveiro, que fez diligências junto de BE e PCP, “dois partidos principais de esquerda que podiam ser a chave da resolução do problema”, mas percebeu que seria “muito difícil” que o Orçamento fosse aprovado.

“Se a Assembleia entende que não está em condições de aprovar um Orçamento que é fundamental para o país, há uma coisa positiva que é devolver a palavra aos portugueses para eles dizerem o que é que pensam relativamente a uma futura Assembleia que aprove o Orçamento que é fundamental para o país”, concluiu.

O debate do Orçamento do Estado para 2022 na Assembleia da República na generalidade começou na terça-feira e terminou hoje com a votação da proposta do Governo.

A “reunião especial” do Conselho de Estado está marcada para uma semana, dia 03 de novembro.

Próxima legislativa

 O primeiro-ministro afirmou esperar que o chumbo da proposta represente uma “vitória de Pirro” dos partidos de direita e que na próxima sessão legislativa tenha “uma maioria reforçada e duradoura” o parlamento.

“Uns acham que sou otimista, mas sou sobretudo confiante no meu país e nos portugueses. Confio por isso que esta vitória da direita seja uma vitória de Pirro”, começou por dizer o líder do executivo.

Depois de nova referência à “frustração dos 2,74 milhões de eleitores” de esquerda nas eleições legislativas de 2019, António Costa levantou a bancada do PS com a seguinte frase: “Espero que tudo isto se possa converter numa maioria reforçada, estável e duradoura numa próxima sessão legislativa”.

“Tenho pena que não se pretenda tirar todo o potencial desta solução governativa e se considere prematuramente fechada a ideia de que há caminho para andar”, lamentou depois, numa crítica ao voto contra do Bloco de Esquerda, PCP e PEV.

António Costa considerou depois que os dois dias de discussão do Orçamento “foram de fato um debate à esquerda em que a direita esteve praticamente ausente”.

Limites Orçamento

O regime de duodécimos, que entrará em vigor em 2022 devido à prorrogação da vigência do Orçamento do Estado de 2021, limita a execução mensal ao dividir por 12 o orçamentado para este ano, até haver um novo orçamento.

“Durante o período transitório em que se mantiver a prorrogação de vigência da lei do Orçamento do Estado respeitante ao ano anterior, a execução mensal dos programas em curso não pode exceder o duodécimo da despesa total da missão de base orgânica”, pode ler-se na lei de Enquadramento Orçamental atualmente em vigor.

Deste regime, de acordo com a lei, estão excluídas as “despesas referentes a prestações sociais devidas a beneficiários do sistema de Segurança Social e das despesas com aplicações financeiras”.

O regime de duodécimos enquadra-se no regime transitório de execução orçamental, que se verifica quando há a “a rejeição da proposta de lei do Orçamento do Estado”, como sucedeu hoje, mas também se “a tomada de posse do novo Governo” tiver ocorrido “entre 01 de julho e 30 de setembro”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Países Africanos, FMI, Banco Mundial e o Sistema da Dívida

Por José Menezes Gomes Esse artigo pretende abordar como países distantes geograficamente, que aparentemente teriam características diferentes poderiam ter algo em comum com grande impacto sobre suas dimensões econômicas e sociais. Recentemente enviei um artigo, que tratava da divida pública

Leia mais »