Da Redação
No dia 27 de janeiro, é celebrado uma verdadeira joia da enologia mundial: o vinho do Porto. Exclusivamente português, com raízes que remontam ao século XVII, essa bebida nasceu da engenhosidade de preservar vinhos durante as longas travessias marítimas entre Portugal e seus parceiros comerciais. A adição de aguardente não apenas impedia o azedamento, mas também resultava em uma bebida encorpada, aromática e com alto teor alcoólico, que rapidamente conquistou apreciadores ao redor do mundo.
O Dia Internacional do Vinho do Porto convida os apreciadores da bebida a saborear uma taça dessa icônica bebida fortificada, conhecida por sua história e sabor marcantes. Produzido exclusivamente na Região Demarcada do Douro, nas caves de Vila Nova de Gaia, em Portugal, a bebida adquiriu este nome por ter sido exportada para o mundo a partir da cidade de Porto desde o século XVII.
Na ocasião, os comerciantes adicionavam aguardente vínica ao vinho para preservá-lo, o processo interrompia a fermentação da bebida, preservando uma grande quantidade de açúcar residual, tornando-a naturalmente doce e com maior teor alcoólico. “Esta categoria de vinhos representa atualmente 31% das exportações de vinhos portugueses e carrega consigo uma grande tradição do país a ser partilhada mundo afora”, afirma Marina Bufarah, sommelière da Wine, clube de assinatura de vinhos.
A especialista também ressalta que, com sua riqueza e complexidade, o vinho do Porto harmoniza não apenas sobremesas, mas é também uma opção de vinho versátil para ser oferecida desde a entrada até o prato principal, incluindo opções como fatias de foies gras ou um cordeiro ao molho de Porto Burmester Ruby. Em combinações mais clássicas, o vinho vai bem com queijos de média cura com frutas, mousse de morango à base de iogurte, folhado de camembert com framboesas e brownie de chocolate.
Vinho branco – Já o Porto Burmester Extra Dry White é uma versão mais frutada da bebida, que traz notas de melão, pêssego e baunilha. Harmoniza com sobremesas à base de frutas secas ou cristalizadas, bolo de nozes e queijos como brie e camembert. A criatividade pode se estender aos coquetéis como o Porto Tonic, que no Brasil foi apelidado de Portônica, e consiste em adicionar ao água tônica, rodelas de limão e algumas folhas de hortelã para completar a refrescância e fazer bonito no por do sol.
Versão especial – Normalmente reservado para o final da refeição, vale conhecer uma versão mais que especial e surpreendente como o Porto Burmester 10 years Old Tawny. Com em média dez anos de amadurecimento em cascos de carvalho, este vinho traz notas de frutas secas, avelã, amêndoas, mel e baunilha. Vai bem com uma ampla variedade de sobremesas, com destaque para brownie de caramelo, tiramissú, sobremesas com chocolate meio amargo, nozes ou amêndoas.
Tradição
Hoje, o vinho do Porto é sinônimo de sofisticação e versatilidade. Embora frequentemente associado às sobremesas, ele se destaca em harmonizações com pratos salgados e até em receitas criativas. A sommelière Stephani Mercado, da Cantu Grupo Wine ressalta a riqueza de estilos que tornam o Porto um verdadeiro curinga à mesa.
Uma das mais icônicas produtoras de vinho do Porto, a Poças carrega mais de um século de história. Fundada e gerida pela família homônima, a empresa é um símbolo do que há de mais português na região do Douro vinhateiro. Com três quintas estrategicamente localizadas, somando 100 hectares de terras, sendo 76 deles com vinhedos em produção, a Poças une tradição e inovação em cada garrafa.
A Poças é amplamente reconhecida por sua elegância e inovação. Em 2019, foi premiada como “Produtor de vinhos fortificados do ano” pela Revista de Vinhos, consolidando sua posição como referência no setor. Sobre os processos de produção e como impactam no resultado final dos vinhos tintos do Porto, Stephanie diz que vale se atentar a dois aspectos ao escolher entre Tawny e Ruby:
● Envelhecimento: o vinho do Porto Ruby é armazenado em tonéis grandes, preservando sua cor intensa e aromas frutados. Já o Tawny envelhece em cascos menores, adquirindo notas oxidativas e uma coloração acastanhada.
● Perfil: o Ruby é jovem, vibrante e frutado, ideal para consumo rápido, enquanto o Tawny é mais elegante, com complexidade adquirida ao longo de anos em madeira.




