Montenegro quer Portugal a fazer ponte entre investimento ibero-americano e África

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, faz uma declaração ao país, depois da reunião do Conselho de Ministros, na residência oficial em São Bento, Lisboa, 17 de setembro de 2026. Luís Montenegro anunciou na semana passada, no debate da moção de censura do Chega ao Governo, que o Conselho de Ministros aprovaria esta semana a atribuição de um novo suplemento extraordinário para os pensionistas que recebem até 1.611 euros, a ser pago em dezembro, e um alívio fiscal até ao sexto escalão do IRS. TIAGO PETINGA/LUSA

 O primeiro-ministro, Luís Montenegro, manifestou hoje a disponibilidade de Portugal para servir a comunidade ibero-americana enquanto ponte para África, potenciando um aumento de investimento desde o setor primário à “tecnologia de ponta industrial”.

“Aquilo que eu posso dizer é que estamos absolutamente disponíveis para servir esta comunidade enquanto elemento que liga o continente americano com a Europa e a Península Ibérica e o continente africano”, afirmou Luís Montenegro, no 16.º encontro empresarial ibero-americano, na praça de touros de Las Ventas, em Madrid.

O chefe de Governo português falava numa mesa redonda em que participaram também o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, a Presidente da Costa Rica, Laura Fernández, o Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, o Presidente da República Dominicana, Luis Abinader, e o secretário-geral Ibero-Americano, Andrés Allamand.

Este evento paralelo à 30.ª Cimeira Ibero-Americana que se realiza hoje e quinta-feira, em Madrid, foi encerrado pelo Rei de Espanha, Felipe VI.

Na sua intervenção, Luís Montenegro destacou os “interesses em comum” entre a América do Sul, Europa e África, começando por apontar as comunicações.

“Hoje nós estamos em contacto permanente, direto e imediato, através de cabos submarinos que passam os nossos territórios e que fazem a conectividade entre estes três continentes, América, Europa e África. Temos um potencial enorme, uma ligação enorme. Temos 700 milhões de consumidores dentro do nosso perímetro”, afirmou.

“Temos, enfim, a capacidade económica nos mais variados setores, desde o setor primário, agrícola, agroalimentar, até à tecnologia de ponta industrial, até à prestação de serviços, para poder fazer a ponte e servirmos aqui todos como parceiros para o aumento do investimento europeu, através de Portugal e Espanha, e ibero-americano através dos vossos países, também em África”, acrescentou.

O chefe do Governo português realçou que na relação com África, Portugal tem privilegiado “o apoio ao investimento” de empresas portuguesas nos países africanos, com linhas de crédito, sobretudo para obras públicas, em Angola, e também com Moçambique, referindo também “modelos de financiamento inovadores” com Cabo Verde e com São Tomé e Príncipe.

Neste contexto, Montenegro apontou também que Portugal aumentou a “regulação na política de fluxo migratório”, converteu dívida dos países africanos em investimento climático e investimento na sustentabilidade ambiental com empresas portuguesas, assim como tem vindo a apostar em programas de formação profissional para quadros de empresas portuguesas e africanas.

O primeiro-ministro abriu a sua intervenção sublinhando a necessidade de aproveitar a comunidade de língua portuguesa e espanhola, que representa cerca de 900 milhões de pessoas.

“O português é a língua que é mais falada no hemisfério Sul, com uma conexão grande com o continente da América, mas também com o continente africano”, afirmou.

Montenegro destacou que a Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) é membro observador da Cimeira Ibero-Americana e que nesta cimeira Angola é candidata a adquirir o mesmo estatuto.

Na relação com África, deverá sair da Cimeira Ibero-Americana uma ênfase na “cooperação triangular”, entre Europa, América e África, e “na cooperação sul-sul”, informou na terça-feira o Governo espanhol.

O Governo português já tinha revelado que “Portugal continuará a contribuir para o reforço da ligação entre a Comunidade Ibero-Americana e o continente africano, através da operação do Fundo de cooperação triangular Portugal-América Latina-África, que terá uma dotação de 1 milhão de euros para o período 2026-2028”.

Este fundo, criado e financiado totalmente por Portugal, conta já com duas edições e é considerado “um modelo inovador” que aproxima três regiões e “o primeiro projeto de cooperação com estas características” dentro desta comunidade de países ibero-americanos, segundo a Secretaria-Geral Ibero-americana (SEGIB, na sigla oficial).

Compõem a comunidade ibero-americana três países europeus, Portugal, Espanha e Andorra, e 19 latino-americanos: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, México, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Cuba e República Dominicana.

Além de Espanha e Portugal, representados com o chefe de Estado e de Governo, estarão representados a esse nível Andorra (chefe de Governo), a Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Guatemala, Honduras e República Dominica, estando ausente o Presidente do Brasil, Lula da Silva.

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