Montenegro assegura que vai manter política de imigração e de redução de impostos

JOSE SENA GOULAO/LUSA

Neste 05 junho, o primeiro-ministro assegurou que o XXV Governo Constitucional vai manter o mesmo rumo nas políticas de imigração e de segurança, bem como a diminuição dos impostos sobre o trabalho.

O primeiro-ministro considerou que os eleitores, ao escolherem a proposta da AD (coligação PSD/CDS-PP), sufragaram uma política de diminuição de impostos sobre o trabalho e de premiar o mérito.

“Esse é também o espírito que impomos aos imigrantes que escolhem Portugal para viver e trabalhar. Terão de cumprir regras à entrada e na permanência no nosso país. Recebemos de braços abertos quem vem trabalhar, acrescentar, quem respeita a nossa cultura e os nossos hábitos de convivência social”, disse, mas avisando que o incumprimento das regras terá consequências que podem ir até à expulsão.

Neste setor, assegurou que Governo irá insistir na criação de uma Unidade de Estrangeiros e Fronteiras na polícia (chumbada na anterior legislatura), de “efetivar os mecanismos de repatriamento e de aumentar a exigência na atribuição da nacionalidade portuguesa”.

“Uma política migratória responsável, regulada e humanista, é um elemento fundamental ao sucesso econômico e à estratégia de criação de riqueza. Como é, igualmente a segurança”, insistiu, considerando que ter um país seguro é “um ativo econômico” fundamental.

Após o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro reiterou perante o Presidente da República, a “firme e leal cooperação institucional e colaboração produtiva”.

“Quero expressar-lhe o nosso reconhecimento pela forma impecável com que temos vindo a cooperar na defesa do interesse nacional, do prestígio das instituições e da coesão social do nosso país”, disse.

Montenegro disse receber essa confiança com “sentido de responsabilidade”, mas também disse ter ouvido e entendido “com humildade” a responsabilidade que os eleitores deram às oposições.

Para o primeiro-ministro, “a estabilidade política é uma tarefa de todos”.

“Todos assumiram salvaguardá-la para cumprir a vontade democrática e para responder aos anseios dos portugueses. A todos se exige lealdade, diálogo, maturidade e espírito construtivo. O país precisa de quem quer construir e não de quem só pensa em destruir”, avisou.

Citando Agustina Bessa-Luís, Montenegro frisou que “o país não precisa de quem diga o que está errado; precisa de quem saiba o que está certo”.

O primeiro-ministro terminou a sua intervenção de pouco mais de 20 minutos – e num tom bem mais distendido do que há um ano – voltando a recorrer à citação, desta vez de padre António Vieira, para defender a importância da ação sobre o discurso.

“Não será com querelas menores e polémicas palacianas que vamos superar as adversidades. Será com visão, com capacidade de compromisso, com coragem de decisão e de execução que vamos construir o Portugal que ambicionamos”, afirmou.

Medo da imigração

Também o Presidente considerou hoje que os portugueses penalizaram o PS após quase 30 anos de governação e associou a subida do Chega nas legislativas de 18 de maio ao medo e rejeição da imigração.

Segundo Marcelo Rebelo, em Portugal, os anos de 2017 e 2018 marcaram o aparecimento de “forças novas ou renovadas mais radicais”, que se intensificou mais recentemente, nas últimas três eleições legislativas antecipadas que convocou.

“De 2022 até 2024 e 2025 foi um galope”, disse.

Marcelo Rebelo de Sousa apontou fatores associados a essa subida: “O envelhecimento prosseguiu sem inversão. O rearranque económico, mais três lentos anos de reestruturação dos serviços estrangeiros e fronteiras, geraram um salto da imigração por regularizar sem noção do seu cabal alcance, embora percebendo-se que a maioria clara era de falantes de português, e neles de brasileiros e de comunidades cristãs”. 

“Turismo residencial explodiu e adquiriu habitação por todo o território nacional. Também porque a guerra convertera Portugal em ilha ainda mais segura, ao mesmo tempo europeia e atlântica. Estruturas sociais, então, tremeram”, prosseguiu.

O Presidente da República realçou que a chegada de estrangeiros teve impactos na educação, na saúde e na habitação.

“Isto mais a criação de uma tensão crescente em quem sabe, ao mesmo tempo, que a economia e a sociedade precisam de mais abertura, circulação de pessoas e mão de obra, mas adere instintivamente ao medo, à incompreensão e à rejeição perante os que entraram, apesar de muitos se terem integrado em criação de emprego e contribuições para a segurança social”, analisou.

Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que tudo isso aconteceu “tão depressa, tão inesperadamente, que mudara o Portugal dos anos 80, 90 e início do século XXI”. 

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