O Presidente moçambicano disse nesta segunda-feira que quer a experiência do Brasil em diversas áreas e que o relacionamento entre os dois Estados deve passar para a implementação de “projetos concretos”, com resultados tangíveis e benéficos para ambas as partes.
“Manifestamos a nossa imensa satisfação por este momento marcante da nossa história comum, por ter constituído também um ponto de viragem das nossas relações entre Moçambique e Brasil, pois, por um lado, coincide com a vossa presença em Moçambique e, por outro, acima de tudo, por termos decidido que queremos virar o modelo da nossa cooperação, apostando em projetos concretos, com resultados tangíveis e com benefícios partilhados”, disse o Chapo.
O chefe de Estado moçambicano falava, numa conferencia de imprensa conjunta com o homólogo brasileiro, Lula da Silva, após assinatura de nove memorandos entre Brasil e Moçambique, no âmbito da visita do chefe do Estado brasileiro que cumpre a quarta visita de trabalho a Moçambique.
“Nas conversações que acabamos de concluir decidimos nos concentrar na agricultura. Nós, em Moçambique, ainda estamos com insegurança alimentar, sabemos que o nosso irmão Brasil passou por isso, mas passou de um país importador para exportador e nós queremos essa experiência”, disse Chapo, acrescentando que Moçambique precisa também da experiência do Brasil para desenvolver a área de transporte e logística, para além da exploração de gás.
Os dois Governos assinaram hoje, na presença dos dois chefes de Estado, na Presidência da República, em Maputo, nove instrumentos jurídicos, entre memorandos de entendimento, protocolos e adendas a acordos em vigor.
O Presidente do Brasil chegou no domingo ao final da tarde a Maputo, para a sua quarta visita a Moçambique, em três mandatostendo assumindo o objetivo de “discutir o aprofundamento” das relações bilaterais com o homólogo moçambicano, Daniel Chapo, e fomentar as relações económicas.
“E com muita honra, serei homenageado com o título de doutor ‘honoris causa’ pela Universidade Pedagógica de Maputo”, acrescentou, à chegada a Maputo, recordando igualmente que os dois países assinalam “50 anos de relações bilaterais” em 2025, daí a visita de trabalho.
Depois do encontro entre os dois chefes de Estado na Presidência da República, esta manhã, e das conversações bilaterais, o Presidente brasileiro ainda seguiu para o encerramento do fórum empresarial Brasil – Moçambique e, antes de deixar Maputo, será outorgado com o título de doutor ‘honoris causa’ pela Universidade Pedagógica de Maputo, em Ciência Política e Cooperação Internacional, 15 anos após a distinção com outro título do género na capital moçambicana.
O Governo brasileiro assumiu o objetivo de uma cooperação bilateral mais profunda e diversificada que, diz, ainda não é correspondida pelas relações económicas, apesar das trocas entre os dois países terem vindo a aumentar.
Lula prometeu o recomeço, com Moçambique, de uma história de cooperação que “nunca deveria ter parado”, reconhecendo o estágio atual de “sono profundo” no relacionamento entre os dois países.
“A minha visita a Moçambique é o recomeço de uma história que nunca deveria ter parado de acontecer. A minha visita a Moçambique é para dizer a você, Presidente da República e ao povo de Moçambique, que o Brasil está de volta, que o Brasil quer colaborar com Moçambique em todas as áreas da indústria, da ciência e tecnologia, da agricultura, da energia, em tudo o que você precisar, sobretudo em duas áreas vitais para a humanidade: saúde e educação, conte connosco”, disse o Presidente do Brasil.
“Para usar a palavra que dá título a obra do grande moçambicano Mia Couto, a nossa amizade vagueou muito tempo, sonâmbula. O Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer a independência de Moçambique. São cinco décadas de relação diplomática, mas imensos em desafios próprios, passamos da irmandade à indiferença, até que há 20 anos vivemos um grande despertar”, recordou Lula da Silva.
O Presidente brasileiro lembrou também um Brasil que estava de “costas para África” e que “reencontrou Moçambique”, um país que se tornou maior destinatário da cooperação brasileira em África.
O volume de negócios entre Moçambique e Brasil ultrapassou 100 milhões de dólares (87,6 milhões de euros) em 2024, avançou hoje a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), que considera as trocas comerciais ainda insuficientes.
De acordo com os dados do Banco Central do Brasil, de 2023, Moçambique estava no 71.º lugar na lista de investimentos brasileiros no exterior, com apenas 15 milhões de dólares (13,03 milhões de euros).




