A ministra do Trabalho convocou hoje a UGT para uma reunião na próxima terça-feira, tendo em vista continuar as negociações sobre o anteprojeto do Governo de reforma da legislação laboral, adiantou o ministério à agência Lusa.
“Apesar da realização da greve geral que interrompeu o processo negocial que estava em curso, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social convocou hoje, um dia a seguir à greve geral, a UGT para uma reunião na próxima terça-feira, às 17h, para prosseguir as negociações”, revela a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, citada na nota do ministério enviada à Lusa.
A convocatória surge um dia depois da greve geral convocada pela CGTP e UGT contra as alterações à lei laboral propostas pelo Governo e que estão a ser discutidas em Concertação Social.
O secretário-geral da CGTP afirmou na quinta-feira que a paralisação foi “uma das maiores greves gerais de sempre, se não mesmo a maior greve geral de sempre”, tendo contado com a adesão de “mais de três milhões de trabalhadores”.
“Estamos perante uma impressionante resposta do mundo do trabalho. Não à volta a dar, não há margem de manobra que deixe qualquer espaço para outra conclusão”, disse ainda Tiago Oliveira, citado em comunicado, reiterando o apelo para que o Governo retire o pacote laboral da discussão.
Já do lado do Governo, numa declaração ao final da manhã de quinta-feira, o ministro da Presidência, Leitão Amaro, afirmou que “a esmagadora maioria do país está a trabalhar”, argumentando que as transações financeiras na SIBS estavam “com uma redução de 7% face ao período normal” e que “o trânsito nas pontes do sul para Lisboa” estava a cair 5% .
Realçando que o Governo respeita o direito à greve, António Leitão Amaro considerou ainda que o nível de adesão “é inexpressivo, em particular no setor privado e social”.
“Esta parece mais uma greve da função pública”, disse ainda o governante, reconhecendo os impactos nos transportes ou nos “assistentes nas escolas”.
À Lusa, o ministério do Trabalho confirmou ainda que está prevista uma reunião plenária com todos os parceiros sociais em sede de Concertação Social para 14 de janeiro, como avançado pelo Expresso, e a poucos dias das eleições presidenciais.
Adesão
O ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, disse hoje que a greve geral de quinta-feira teve impacto nos serviços públicos, mas considera ter havido pouca adesão no setor da agricultura.
“A greve tem sempre impacto, ainda que também seja notório que houve um reduzido impacto na iniciativa privada e nos agricultores, tal como na pandemia [da covid-19] nunca deixam de trabalhar, não faltando comida na mesa”, disse José Manuel Fernandes em declarações aos jornalistas em Bruxelas, à margem da reunião do Conselho de ministros da tutela da União Europeia.
A greve geral de quinta-feira contra o anteprojeto do Governo de reforma da legislação laboral será a primeira paralisação a juntar as duas centrais sindicais, CGTP e UGT, desde junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da ‘troika’.




