Nesta sexta-feira, o Governo lamentou uma vítima mortal dos incêndios, no concelho da Guarda, e apelou à tranquilidade da população nos próximos dias, “ainda de grande intensidade” no combate às chamas.
Em declarações à imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Carnaxide, após uma visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, Luís Montenegro, o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, começou por lamentar e enviar condolências à família pela morte do ex-autarca de Vila Franca do Deão Carlos Dâmaso, na sequência do combate às chamas.
“Apelo também para a serenidade e a tranquilidade que os próximos dias ainda exigem”, referiu o governante, afirmando que apenas na próxima terça-feira haverá uma “janela de oportunidade” no combate aos incêndios que assolam o país, em particular a região Centro.
“Os próximos dias ainda vão ser de grande intensidade, de grande empenho e de grande responsabilidade de todos nós, de todos os portugueses”, disse.
“Todos estamos convocados para este grande desafio, para que possamos chegar ao final deste período sem que tenhamos a lamentar mais perdas e sobretudo, para que consigamos garantir aquilo que é o mais importante: proteger as pessoas e os seus bens, porque isso é o bem maior que um governo pode garantir aos seus concidadãos”, salientou.
Questionado sobre as críticas de alguns autarcas, o secretário de Estado defendeu ainda que tem estado em contacto direto com os autarcas, assumindo essa responsabilidade enquanto membro do Governo.
“Eu não sou Presidente da República, nem primeiro-ministro, nem ministro. Sou secretário de Estado. Eu sou membro do Governo. E eu, desde a primeira hora, tenho mantido esse contacto direto com os autarcas, tentando inteirar-me de toda a situação”, reiterou Rui Rocha.
Apesar de perceber que “possam querer falar com o primeiro-ministro, com o Presidente da República”, o secretário de Estado pede que permitam que, “enquanto membro do Governo, assuma essa responsabilidade e garanta que tem mantido esse contacto com todos os autarcas naquilo que são um conjunto de apelos que têm vindo a fazer”.
Vítima
O Presidente da República apresentou condolências pela morte do ex-autarca de Vila Franca do Deão Carlos Dâmaso durante o combate a um incêndio florestal nesta freguesia do concelho da Guarda, segundo a Presidência.
Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu ao início da tarde as “sentidas condolências” ao presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, “solicitando que as transmitisse à família” de Carlos Dâmaso, que se recandidatava ao cargo de presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca do Deão, nas eleições autárquicas de outubro, após um interregno.
O corpo de Carlos Dâmaso, primeira vítima mortal dos incêndios florestais que assolam Portugal continental, foi encontrado hoje, disse à Lusa o presidente da Câmara da Guarda.
O presidente e primeiro-ministro cancelaram hoje o período de férias que tinha previsto para esta época, devido aos incêndios que atingem o país. Luís Montenegro “esteve de férias nos últimos cinco dias, embora com agenda pública em quatro desses dias”, acrescentou.
Portugal está em situação de alerta devido ao risco de incêndio desde 02 de agosto e, nas últimas semanas, têm deflagrado vários incêndios no norte e centro do país que já consumiram mais de metade dos cerca de 75 mil hectares de área ardida este ano.
A situação de alerta foi prolongada até domingo, anunciou na quinta-feira a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, no final de uma visita à ANEPC.
“Perante a adversidade de 22 dias consecutivos de calor intenso não dar sinais de abrandar, o Governo vai prolongar uma vez mais a situação de alerta, até domingo”, disse a ministra em declarações aos jornalistas.
Dois aviões Fire Boss, cedidos pela Suécia, deverão chegar a Portugal no próximo domingo e juntarem-se ao combate aos incêndios no dia seguinte, anunciou o Governo.
Portugal ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil com pedido de apoio de quatro aviões Canadair de combate aos incêndios, anunciou hoje o comandante nacional da proteção civil, Mário Silvestre. E disse que Portugal será o sétimo país a ativar o mecanismo europeu.
Rui Rocha recordou ainda que “desde o início dos incêndios, Portugal tem beneficiado de ajuda externa”, nomeadamente através do acordo transfronteiriço com Espanha, bem como do acordo bilateral com Marrocos, que permitiu o empréstimo de dois aviões Canadair, cuja permanência em Portugal foi prolongada até à próxima segunda-feira.
Esta decisão de recorrer a ajuda externa, através dos acordos bilaterais, antes de acionar o mecanismo europeu ocorreu, explicou, porque o Governo não é “alheio à situação internacional que se vive e, sobretudo, os países que mais contribuem para este mecanismo, estão também muito pressionados pelos incêndios, como a França, a Espanha e a Itália”.




