Guiné-Bissau: Opositor Domingos Simões Pereira teve ordem de libertação, mas foi imediatamente revogada

Domingos Simões Pereira, candidato do Partido para a Independência da Guiné Bissau (PAIGC), é cumprimentado por populares à chegada para a assinatura de um acordo pós eleitoral com o partido Assembleia do Povo Unido (APU-PDGB) para formação de uma maioria parlamentar na Guiné-Bissau, Bissau, 12 de março de 2019. PAULO CUNHA/LUSA

 O líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, oposição), Domingos Simões Pereira, detido após o golpe de Estado, teve hoje ordem de libertação, mas esta foi imediatamente revogada, disse à Lusa fonte partidária.

Segundo a mesma fonte, a ordem de libertação foi emitida pelo Serviço de Informação do Estado, mas foi imediatamente revogada pela Polícia de Intervenção Rápida.

O líder do PAIGC permanece detido na 2.a esquadra, no edifício do Ministério do Interior, no centro da capital guineense, Bissau.

A fonte partidária acrescentou que Domingos Simões Pereira foi informado que só poderá sair com autorização do Presidente de transição, general Horta Inta-A.

CPLP perplexa

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), condenou “qualquer tomada do poder por via da força” na Guiné-Bissau e manifestou-se perplexa por ter ocorrido após um processo eleitoral pacífico, expressando total solidariedade ao povo guineense.

“Considerando que a Missão de Observação Eleitoral da CPLP destacou que o processo de votação decorreu de forma pacífica, ordeira e cívica, foi com perplexidade que a CPLP constatou a suspensão do processo eleitoral em curso, colocando em causa a sua conclusão”, refere num comunicado após uma reunião do seu Comité de Concertação Permanente (CCP), em Lisboa.

A organização “condena a suspensão do processo eleitoral e a detenção arbitrária e injustificada de agentes políticos e institucionais; insta ao retorno à normalidade constitucional e exorta os atores intervenientes a manterem a calma e absterem-se de qualquer ação precipitada que possa conduzir a atos de violência”, num comunicada após a reunião para debater os últimos acontecimentos naquele pais lusófono.

A CPLP diz que “acompanha com elevada preocupação os últimos acontecimentos” e expressa a sua “total solidariedade para com o Povo da Guiné-Bissau neste momento de instabilidade institucional e político-social, provocada pela rutura constitucional”.

A CPLP reiterou ainda o seu compromisso para apoiar iniciativas que assegurem a retoma da ordem constitucional e a conclusão do processo eleitoral na Guiné-Bissau.

O general Horta Inta-A foi empossado hoje Presidente de transição da Guiné-Bissau, um dia depois de os militares terem tomado o poder no país, antecipando-se à divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.

Os militares anunciaram a destituição do Presidente Umaro Sissoco Embaló, suspenderam o processo eleitoral, os órgãos de comunicação social e impuseram um recolher obrigatório.

As eleições, que decorreram sem registo de incidentes, realizaram-se sem a presença do principal partido da oposição, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e do seu candidato, Domingos Simões Pereira, excluídos da disputa e que declararam apoio ao candidato opositor Fernando Dias da Costa.

Simões Pereira foi detido e a tomada de poder pelos militares está a ser denunciada pela oposição como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.

A CPLP, atualmente presidida pela Guiné-Bissau, tem como Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

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