Mundo Lusíada
Com agencias

“A postura confrontacional dos governos de Portugal e de Espanha foi sinalizada, logo no início, como obstáculo a um entendimento com a Grécia. Usar a expressão ‘conto de crianças’ para falar de um Estado-membro, como fez Passos Coelho, revela absoluta falta de sentido de Estado – e agora Passos Coelho aposta outra vez em que as coisas corram mal, o que é de uma extrema irresponsabilidade, porque qualquer novo agravamento na crise europeia terá consequências imprevisíveis em todas as economias”, advertiu o dirigente socialista.
Porfírio Silva caraterizou também como “uma irresponsabilidade” a tese de que Portugal está preparado para a saída da Grécia do euro, alegando, pelo contrário, que “ninguém sabe o que pode acontecer”, porque “a saída de um país do euro não tem precedentes”. “Ninguém está preparado para um terremoto – e isto pode ser um terremoto”, salientou.
Também o líder parlamentar do PS considerou essencial que se esclareça quem diz a verdade nas negociações entre governo grego e ‘troika’, dizendo que têm sido difundidas “quatro versões” distintas sobre as propostas em cima da mesa, disse Ferro Rodrigues.
“O que se está a passar com a Grécia prova que um país, mesmo que tenha razão, não pode agir sozinho. O povo grego rejeitou em eleições a austeridade excessiva – e nós saudámos o funcionamento da democracia e concordámos com a necessidade de virar a página da austeridade. Mas também sempre afirmámos que na Europa é preciso trabalhar para construir soluções de parceria: Não pode ser um contra todos”, acrescentou Porfírio Silva.
No dia 16, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou que Portugal está em condições para enfrentar qualquer volatilidade nos mercados externos derivada da situação da Grécia até final do ano. Pedro Passos Coelho realçou que é da responsabilidade do Governo prevenir as eventuais restrições de financiamento que possam advir da situação grega, mas que Portugal está prevenido, pelo que, “se alguma coisa de mais grave acontecer com a Grécia, Portugal não cai a seguir”. “Hoje estamos, depois de vários meses de impasse, sem saber se vamos ter ou não vamos ter um incumprimento dentro da zona euro e isso tem causado um efeito que não se dissipará com facilidade. O que é que se passa? Há um país que está à beira novamente da bancarrota e ao cabo de quase quatro meses de negociações não há uma saída, uma solução para o problema? Julgo que isto é, no mínimo, perturbador”.
E no dia seguinte declarou que é importante evitar o incumprimento. “Reafirmo que seria desejável para todos, para a Grécia e para a zona Euro, que qualquer incumprimento grego fosse evitado e a reafirmação disso significa que, nesta altura, Portugal não colocará nenhum obstáculo a que uma solução dessas possa ser encontrada”, afirmou.
Em 18 de junho, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, declarou também que Portugal tem “as reservas suficientes” para encarar “com otimismo e tranquilidade” um “processo de turbulência nos mercados” provocado pela situação da Grécia, se “vier a existir”, disse Luís Montenegro.
Grécia no Euro
O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse nesta quinta-feira que não está certo de que serão feitos progressos na reunião quanto à Grécia e recusou “especular” sobre um incumprimento do país perante o FMI. A diretora-geral do FMI declarou que a Grécia tem que pagar os 1,6 bilhões de euros que deve à instituição no dia 30 de junho, acrescentando que não há “período de graça” para Atenas.
A menos de duas semanas de expirar o programa de assistência financeira a Atenas e da data limite para a Grécia pagar ao FMI – 30 de junho -, os ministros das Finanças da zona euro encontram-se no Luxemburgo, mas sem qualquer esboço de compromisso sobre a mesa e com as negociações ao nível técnico suspensas face às diferenças entre o Governo grego e os seus credores.
O Governo grego quer ainda uma estratégia para lidar com a elevada dívida do país, o que poderia ser feito através de uma nova reestruturação da dívida, que na Europa parece ser tema ‘tabu’. Sem acordo, a Grécia – com os cofres públicos praticamente sem dinheiro – fica à beira do incumprimento (‘default’) e mesmo de uma saída da zona euro.




