Em entrevista exclusiva ao Mundo Lusíada, o ministro português das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, falou sobre a relação bilateral Brasil-Portugal no atual cenário internacional. E fez um apelo para que as empresas brasileiras vejam Portugal como porta de entrada para o mercado europeu.
Por Odair Sene Mundo Lusíada
Não é de hoje que Brasil e Portugal têm uma relação comercial muito sólida. Mas há ainda muito a percorrer no intuito de incrementar a relação bilateral. Em entrevista exclusiva ao Mundo Lusíada, o ministro português das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, falou sobre esta relação no atual cenário internacional. De acordo com ele, os empresários brasileiros também devem apostar mais em Portugal. O governo português "muito preza" a atual relação Brasil-Portugal, segundo o ministro. "É uma relação de natureza estratégica no desenvolvimento das nossas relações internacionais" disse Teixeira dos Santos. Diante da crise econômica internacional, esta relação toma ainda mais importância. "Economias emergentes, como é o caso da economia brasileira, terão um papel fundamental na recuperação da economia global". A economia brasileira, segundo ele, revelado capacidades como o dinamismo, além de expectativas que se abrem para o seu crescimento em 2010. "Economias como a do Brasil, entre outras, vão contribuir para a recuperação das nossas economias. E Portugal vê nesta relação um sinal" diz Teixeira apontando que para Portugal é "muito importante" alimentar esta relação com o Brasil. EMPRESAS BRASILEIRAS Durante a conversa com o Mundo Lusíada, o ministro português das Finanças ainda fez um apelo para que as empresas brasileiras estejam presentes em Portugal, uma porta de entrada para o continente europeu. "Queremos fazer também um apelo para que as empresas brasileiras vejam em Portugal uma boa porta de entrada na Europa. Sinto que há uma aposta muito forte na internacionalização das empresas brasileiras. O mercado europeu é dos maiores a nível mundial, é um mercado muito promissor. E espero de fato que as empresas brasileiras vejam em Portugal essa porta de entrada". Entre as vantagens para esta iniciativa, diz o ministro, é o quadro fiscal português que "nos parece bastante atrativo", além de boa infra-estrutura e comunicações. "Espero que estas empresas vejam em Portugal um espaço onde podem localizar a sua atividade e seu apoio para se expandirem no mercado europeu". Presente no último mês de dezembro, nos 97 anos da Câmara Portuguesa de Comércio em São Paulo, evento o qual homenageou como Personalidades do Ano o brasileiro Luiz Felipe Scolari e o presidente da Caixa Geral de Depósitos, Faria de Oliveira, o ministro português das Finanças ainda salientou a abertura, em fevereiro de 2009, e o "sucesso" das atividades do Banco Caixa Geral Brasil. DO OUTRO LADO Por sua vez, o senador Aloizio Mercadante, que esteve presente no mesmo evento no mês passado em representação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também falou ao Mundo Lusíada, concordando sobre a abertura que Portugal proporciona ao Brasil na Europa. "Portugal abre as portas para o Brasil na União Européia. Foi sob a presidência de Portugal que o Brasil foi eleito como parceiro privilegiado da UE, como é a China e Rússia" afirmou Mercadante. Apesar do Brasil viver um grande momento no cenário internacional, uma nação segundo o senador com muita auto-estima e segurança em relação ao seu futuro, junto com os portugueses pode fazer muito mais. "A aproximação Brasil-Portugal ajuda na diplomacia, no desenvolvimento econômico, no comércio, na cultura. E no futebol, mas aí não tem jeito, tem que dar Brasil", brincou o senador. Mercadante ainda citou a união e a importância da colonização portuguesa para a formação do Brasil. "Temos muito a comemorar, pela contribuição imensa que Portugal deu à Constituição do Brasil, à nossa integridade territorial, à nossa dimensão continental, pela amizade que nós temos com o povo português", disse citando ainda Fernando Pessoa. "Minha língua, minha pátria. O português é a nossa identidade comum, e nós como nação devemos muito aos portugueses. Somos o quinto maior território do mundo, pela administração e vinda da família real, pela contribuição que eles deram na formação do nosso valor e da nossa história". Recentemente em Lisboa, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também afirmou que Portugal e Brasil têm "uma relação de bastante futuro e com grande campo para ser ampliada" no plano econômico-empresarial. Ele e o presidente-executivo da EDP, António Mexia, receberam o prêmio "Personalidade do Ano 2008", concedido pela Câmara do Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB). "As empresas portuguesas já têm uma presença importante no Brasil. O Brasil está crescendo, tem hoje estabilidade econômica, portanto oferece oportunidades ainda maiores às empresas portuguesas. Existe também investimento brasileiro em Portugal, as empresas brasileiras estão a se globalizar, portanto acredito que é uma relação de bastante futuro e com grande campo para ser ampliada", afirmou Meirelles.
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