Futuro e desafios da castanha vão estar em debate em setembro em Valpaços

A vila de Carrazedo de Montenegro, concelho de Valpaços, acolhe em setembro o Encontro Europeu da Castanha, que vai debater dificuldades e oportunidades do setor, como a mecanização, a competitividade, custos de produção, rentabilidade, doenças e pragas.

O presidente da Câmara de Valpaços, Jorge Mata Pires, disse hoje haver neste concelho cerca de 10 mil hectares de castanheiros e, por isso, realçou a importância de aqui decorrer um encontro que vai juntar agricultores de várias proveniências, operadores e investigadores.

A edição 2026 do encontro europeu, que decorre entre 10 e 12 de setembro, tem mais de 350 participantes inscritos, provenientes de nove países.

Nesta zona, em plena serra da Padrela, situa-se a maior mancha de castanha judia da Europa, fruto que é a principal fonte de rendimento para muitas famílias de 13 freguesias do concelho de Valpaços, distrito de Vila Real.

“Nós precisamos de modernizar a nossa agricultura, de criar novos métodos de produção e de tornar os soutos mais rentáveis”, salientou o autarca.

Os custos de produção e a falta de mão-de-obra são dificuldades do setor e o desafio passa por aumentar o consumo de castanha durante o ano inteiro.

“Todas as culturas associadas às regiões de montanha têm problemas específicos e têm problemas que se têm vindo a agravar nos últimos anos, principalmente com as alterações climáticas”, afirmou o presidente da Associação Portuguesa da Castanha (Refcast), Alcino Pires.

Alterações climáticas que estão também a potenciar doenças e pragas que afetam o castanheiro e a produção, como a podridão ou a septoriose.

“Temos também a fuga da gente jovem das zonas onde se produz a castanha e todo este contexto leva a repensar a forma como se produz castanha, porque é uma cultura extensiva e onde se deixou praticamente crescer o souto de forma natural”, referiu Alcino Pires.

No entanto, apontou, neste momento “há novas exigências” relacionadas com a modernização do setor e com a competitividade – é preciso introduzir mecanização na colheita e no maneio do souto, potenciar a automação e a introdução de rega.

“Há uma imensidão de fatores que têm que ser revistos”, frisou, acrescentando que o objetivo é melhorar o rendimento do agricultor e facilitar a fixação de jovens.

O presidente da associação Agrifuturo, Lino Sampaio, realçou que há produtores a apostar nas novas tecnologias e exemplificou com o uso de drones para fazer as pulverizações.

Para o responsável, neste território vai “haver um antes e um depois” do congresso, por se atrair muitos visitantes e operadores a quem se vai mostrar que ali estão “as melhores castanhas do mundo”.

O presidente da Junta de Carrazedo de Montenegro e Curros, António Costa, disse que “falar de castanha é falar da história” desta região, antecipando dias de partilha de novas oportunidades” durante o congresso.

José Gomes Laranjo, também da Refcast, referiu que esta será a maior edição do encontro e é uma “oportunidade de ouro” para divulgar o território e as suas potencialidades, com a hotelaria já esgotada nas zonas envolventes.

Em simultâneo, decorre uma feira com 40 participantes, entre os quais empresas de equipamentos e máquinas agrícolas.

Enquanto se prepara o encontro, as atenções estão também centradas nos soutos, onde se veem castanheiros carregados de ouriços verdes.

Lino Sampaio disse que a chuva destes dias “foi uma bênção” e que se prevê, também nesta cultura, uma antecipação da colheita.

“Foi na altura certa, no ‘timing’ certo. Se pedíssemos acho que era impossível, portanto, foi a cereja no topo do bolo esta água”, referiu.

O tempo húmido e ameno pode, no entanto, criar condições para o surgimento de septoriose.

“Já estamos habituados e já aprendemos com erros do passado. Estamos muito atentos a essa situação e os agricultores irão fazer tratamentos preventivos para essa praga”, apontou.

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