Forças Armadas envolvidas no apoio à população afetada – Ministro

Elementos dos bombeiros junto a veículos submersos após os efeitos da passagem da depressão Kristin, em Alcácer do Sal, 29 de janeiro de 2026. A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou um rasto de destruição. RUI MINDERICO/LUSA

O ministro potuguês da Defesa Nacional, Nuno Melo, disse hoje que as Forças Armadas estão envolvidas no apoio às populações prejudicadas pela tempestade Kristin, referindo ainda que houve estruturas militares afetadas.

“As Forças Armadas estão envolvidas no apoio à população civil, também neste caso, sendo que as próprias Forças Armadas receberam avultados os prejuízos, infelizmente”, afirmou Nuno Melo.

O ministro disse ter dado instruções ao Exército para, no limite das suas capacidades, auxiliar a população civil.

Esta manhã, na Turquia, à margem da cerimónia que assinalou o início da construção do primeiro de dois navios reabastecedores e logísticos para a Marinha portuguesa, Nuno Melo foi questionado sobre os impactos da tempestade em Portugal nas infraestruturas das Forças Armadas, depois de a Base Aérea N.º 5, Monte Real, em Leiria, ter registado vários danos.

“Infelizmente os prejuízos são avultados e são avultados desde logo por uma base aérea em particular com equipamento danificado”, afirmou.

“Enquanto falamos, há militares do Exército e também da Força Aérea que estão empenhados, o alojamento de populações também está a ser assegurado pelas Forças Armadas”, afirmou, mais tarde, em declarações aos jornalistas no aeroporto de Istambul, Turquia, de onde vai regressar mais cedo para Portugal, adiando a ida à Polónia.

Nuno Melo adiantou que há ainda um caso “muito particular em Lisboa” em que o Exército acolheu 34 refugiados ucranianos em duas instalações.

A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou um rasto de destruição, causando pelo menos seis mortos, vários feridos e desalojados.

Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Energia

A depressão Kristin, na madrugada do dia 27, deixou inoperacionais 774 quilómetros (7%) de linhas de muita alta tensão e derrubou 61 postes, informou hoje a Rede Nacional de Transporte de Eletricidade (REN).

Em comunicado, a REN referiu que várias das 10 linhas afetadas têm importância crítica, nomeadamente na ligação das Zonas Norte e Sul do Sistema Elétrico Nacional (SEN).

Ainda assim, as operações técnicas e medidas de prevenção adotadas nas horas que antecederam a tempestade asseguraram que não houve quaisquer perturbações de abastecimento do SEN atribuíveis às infraestruturas operadas pela REN, referem.

A exceção foram cortes de abastecimento de âmbito local junto à Subestação do Zêzere, que foi parcialmente destruída.

Para além dos 61 postes de muito alta tensão derrubados, a tempestade danificou muitos mais.

O fenómeno meteorológico com maior impacto na infraestrutura da REN registado até hoje tinha ocorrido em 2009, quando foram perdidos 25 apoios, menos de metade dos caídos na noite de dia 28 de janeiro.

A depressão Kristin provocou ainda alguns danos na Rede Nacional de Transporte de Gás, mas sem consequência para a segurança do abastecimento, sendo que os estragos mais evidentes ocorreram nas instalações de superfície do Armazenamento Subterrâneo do Carriço.

A REN afirmou estar empenhada na recuperação de todas as infraestruturas afetadas, em articulação com a E-Redes, Rede Elétrica de Espanha, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e autoridades relevantes, nomeadamente as autoridades governamentais.

No entanto, a reposição total dos postes só deverá acontecer dentro de algumas semanas, de acordo com um plano já traçado que implicou a realocação das equipas disponíveis.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi informado pelo primeiro-ministro e concordou com a decisão do Governo de decretar o estado de calamidade nas áreas mais afetadas, que visitará mais tarde.

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