Escolha de Bruxelas para última viagem do Presidente mostra compromisso com Europa

Foto Gov/PT

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, considerou hoje que a escolha do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, de visitar Bruxelas e as instituições comunitárias na sua última viagem ao estrangeiro demonstra “compromisso com a Europa”.

“A escolha das instituições europeias como destino da sua última visita oficial no estrangeiro é emblemática do seu compromisso com a Europa, os seus valores e o seu papel no mundo”, disse António Costa, numa publicação na rede social X.

No dia em que recebeu em Bruxelas o chefe de Estado português, que está prestes a cessar funções, o responsável adiantou ter sido “um enorme prazer receber no Conselho Europeu o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, no momento em que se despede no final do seu mandato”.

O Presidente da República esteve hoje na capital belga para uma despedida das instituições europeias, tendo-se reunido à hora de almoço com António Costa, depois de se ter encontrado com as presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.

Marcelo vai cessar funções em 09 de março, data em que o novo Presidente da República, António José Seguro, tomará posse perante a Assembleia da República.

Atuação

O Presidente da República garantiu hoje que, quando cessar funções, em 09 de março, também vai concluir a sua “atuação cívico política”, afirmando que termina agora a “história que tinha a escrever”.

“Eu termino agora a história que tinha a escrever. É uma coincidência terminar o mandato e terminar a atuação cívico política. Faz-se também civismo e política de outra maneira, em atuações educativas, sociais, culturais… Bom, mas política pura terminada”.

Perante cerca de 700 funcionários portugueses nas instituições europeias, entre os quais a comissária Maria Luís Albuquerque e a Provedora de Justiça da UE, Teresa Anjinho, Marcelo Rebelo de Sousa destacou que a sua geração via na Europa “um sonho enorme”, que conseguiu que fosse cumprido.

“Agora, o resto da história é escrito por vós”, referiu, afirmando que têm pela frente um “futuro enorme” e pedindo-lhes que não “desaproveitem a ocasião” e “assumam a responsabilidade” de continuar a construir a Europa.

“A minha geração assumiu e venceu. Assumimos e vencemos. Não vencemos tudo o que queríamos (…), mas vencemos coisas essenciais. Agora está nas vossas mãos vencerem guerras ainda mais difíceis, que é pegarem nestes ideais e nunca os deixarem morrer”, afirmou, frisando que as vitórias nunca são adquiridas indefinidamente.

“Cabe-vos, cada dia, pensar se estamos a ganhar ou a perder a guerra. Não há empates. Em matéria de realização de ideais, não há empates. Empatar é estar a perder”, avisou.

Neste discurso, de cerca de meia hora, feito em tom bem-humorado, Marcelo Rebelo de Sousa gracejou ainda que está “perto do fim do percurso da vida” enquanto António Costa anda “com um ar de quem vai gozar a vida duradouramente”.

“É difícil assim não ser otimista irritante. Comparativamente, é uma vantagem enorme”, disse, provocando risos.

Marcelo Rebelo de Sousa frisou que os portugueses que trabalham hoje nas instituições europeias “são de um Portugal universal”, saudando a influência que o país adquiriu na Europa e no mundo, designadamente aos cargos relevantes que personalidades nacionais ocupam ou ocuparam.

“Nenhum outro país não fundador das comunidades europeias teve um presidente do Conselho Europeu, um presidente da Comissão Europeia, uma Provedora de Justiça Europeia, vários comissários – como a prestigiada comissária que aqui temos –, um presidente do Eurogrupo, um vice-presidente do Banco Central Europeu, um presidente do Comité das Regiões. E eu podia multiplicar os exemplos”, elencou.

No caso de António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa considerou ser “uma ironia de destino” que tenha sido eleito presidente do Conselho Europeu após oito anos de trabalho conjunto em Lisboa que teve como uma “das componentes fundamentais a Europa”.

“É uma boa ironia para a qual ambos trabalhámos, cada um do seu lado, e Deus escreve direito por linhas direitas e por linhas tortas, pelas mais variadas linhas, mas o que é facto é que as linhas convergiram neste sentido fundamental, que é: neste momento, aqui estamos juntos a mostrar a importância de Portugal na Europa”, referiu.

Marcelo ainda afirmou que vai reatar a sua militância no PSD, que suspendeu quando tomou posse em 2016, mas frisou que não vai expressar qualquer posição política ou fazer intervenções partidárias.

O Presidente da República ressalvou, contudo, que “pode-se ser de um partido, ter ideias, mas não andar a exprimir politicamente o que quer que seja”.

“É isso que eu entendo que devo fazer como antigo Presidente da República”, salientou, afirmando que vê “com alguma dificuldade que se queira acabar a vida política e depois se vá reuniões partidárias e intervenções partidárias”.

Questionado sobre quanto tempo é que acha que vai conseguir manter-se em silêncio após cessar funções, Marcelo reconheceu que tem amigos que queriam “fazer apostas de jantares ou almoços” precisamente sobre esse tema.

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