Eleições: PSD em coligação ganha seis dos 10 concelhos mais populosos e PS quatro

O presidente do PSD, Luís Montenegro, afirmou hoje que a vitória de Pedro Duarte na Câmara do Porto foi “sofrida, trabalhosa, de convicção e de paixão”, e que o seu mandato será uma inspiração para a região. FERNANDO VELUDO/LUSA

Nas eleições autárquicas de domingo, o PSD venceu o maior número de câmaras, recuperando a Associação Nacional de Municípios Portugueses – ANMP, que pertencia ao PS desde 2013, e triunfou nos cinco municípios mais populosos do país.

No total nacional, o PSD com listas próprias, ou em coligações, venceu em 136 municípios, contra 128 do PS, quando em 2021 tinha triunfado em 114, contra 149 dos socialistas.

Mesmo perdendo a presidência da ANMP, o PS continua a ter um peso significativo ao nível autárquico, detendo câmaras em todos os distritos do território nacional e nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores.

Os socialistas causaram algumas surpresas ao vencerem em Viseu e Bragança, duas capitais de distrito tradicionalmente dominadas pelo PSD, conseguindo ainda retirar Faro e Coimbra aos sociais-democratas. E, entre outros municípios do sul do país, retiraram à CDU a autarquia de Évora.

O Chega apenas venceu em São Vicente (Madeira), em Albufeira (no Algarve) e no Entroncamento (distrito de Santarém), somando pouco mais de 600 mil votos, quando nas legislativas de maio tinha atingido 1,4 milhões de votos.

A CDU voltou a recuar em termos de peso autárquico nacional, passando de 19 câmaras em 2021 para 12. Perdeu as capitais de distrito de Évora e Setúbal. E das 19 câmaras que a CDU tinha conquistado em 2021 manteve somente oito (Barrancos, Cuba, Arraiolos, Silves, Avis, Palmela, Seixal e Sesimbra).

Já o CDS manteve as suas seis câmaras municipais: Albergaria-a-Velha, Oliveira do Bairro e Vale de Cambra (Aveiro, Ponte de Lima (Viana do Castelo), Santana (Madeira) e Velas (Açores).

Mais populosos

Coligações que juntam o PSD, CDS-PP e outros partidos ficaram à frente em seis dos 10 maiores concelhos em número de habitantes, nas eleições autárquicas de domingo, e o PS venceu nos restantes quatro.

Em Lisboa, a coligação PSD/CDS/IL venceu a Câmara Municipal com 41,69% dos votos e oito vereadores eleitos, enquanto em Sintra PSD/IL/PAN passou à frente do PS ficando com 33,86% e quatro mandatos (os mesmos que PS/L, que obteve 31,67%) e em Vila Nova de Gaia PSD/CDS/IL ganhou com 40,74% e cinco eleitos, conquistando também a presidência da autarquia ao PS.

A coligação PSD/CDS/IL conquistou ainda a câmara do Porto, com 37,29% dos votos e seis vereadores, enquanto em Cascais a coligação PSD/CDS manteve a presidência com 33,87% e cinco eleitos, e em Braga a coligação PSD/CDS/PPM manteve-se à frente com 24,50% e três mandatos (os mesmos que o PS/PAN, que obteve 24,24%).

Já o PS venceu nos restantes quatro dos 10 concelhos mais populosos, mantendo a câmara de Loures com 43,83% dos votos e seis mandatos, bem como a de Almada com 29,10% e quatro mandatos, a da Amadora com 33% e quatro mandatos e a de Matosinhos com 44,87% e seis eleitos.

Leitura dos resultados

O politólogo António Costa Pinto considerou hoje que PSD e PS são “de longe” os vencedores das eleições autárquicas, que a CDU mostrou uma “erosão lenta” e que o Chega ficou aquém dos objetivos, mas consolidou-se como partido nacional.

“Eu creio que o significado mais importante destas eleições autárquicas é que os dois grandes partidos da democracia portuguesa são de longe os vencedores destas eleições”, disse o especialista, sublinhando a dianteira do PSD, que apesar de perder algumas autarquias para o PS, como Viseu, recuperou outras, como o Porto.

Sublinhando o fato de o PSD ter conseguido um maior numero de câmaras municipais, que lhe permitirá substituir o PS na liderança da NMP, António Costa Pinto considerou que o resultado das autárquicas espelham “uma maioria de centro-direita e direita na política portuguesa”.

Salientou igualmente que, nalgumas autarquias, como no Porto, que recuperou, o PSD “roubou a mensagem política ao Chega”.

“Não subestimaria o facto de, em algumas grandes metrópoles, o PSD ter assumido uma mensagem política mais próxima do discurso securitário e do discurso mais conservador em relação à imigração”, afirmou, destacando que esta situação foi “claríssima em Lisboa e no Porto”.

Considerou ainda que o PS, com uma rotação de poder a nível autárquico, conquistando algumas câmaras importantes ao PSD, “sobrevive bem” e sublinhou o resultado do CDS, que “no fundamental, também sobrevive” nos locais onde não está coligado com o PSD.

Quanto ao fato de a CDU perder quase metade das câmaras de detinha – “algumas importantes” -, mostra uma “erosão eleitoral lenta”.

“Nalgumas é facilmente explicável porque é que as perde, como é o caso de Setúbal, que fica nas mãos da sua dissidente” [Maria das Dores Meira], acrescentou.

Quanto ao Chega, que conquistou apenas três autarquias, António Costa Pinto disse que as expectativas do partido de André Ventura “ficaram muitíssimo aquém”, sublinhando que, com o número de mandatos alcançados e o facto de, mesmo não elegendo, passar a ser o terceiro partido nalguns concelhos, consolida-se como um partido nacional.

“Parece não haver dúvida de que, sobretudo fora dos grandes municípios, a personalização [dos candidatos] é importante”.

Também  o presidente do PSD, Luís Montenegro, afirmou hoje que a vitória de Pedro Duarte na Câmara do Porto foi “sofrida, trabalhosa, de convicção e de paixão”, e que o seu mandato será uma inspiração para a região. “A cidade do Porto é uma cidade que também me diz muito a mim e é uma cidade que diz muito ao país”, frisou.

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