O Conselho da Diáspora Madeirense considerou hoje ser fundamental a implementação de políticas para estimular a ligação dos jovens lusodescendentes às origens e defendeu a criação de um círculo eleitoral pela emigração para o parlamento regional.
“A ligação às origens deve ser construída através da educação, da mobilidade, da cultura, da inovação e das ferramentas digitais, tornando a identidade madeirense relevante para as novas gerações”, disse o conselheiro Vítor Gomes, da África do Sul, sublinhando ser necessário “reforçar o contacto com a Madeira e estimular novas lideranças comunitárias”.
Nesse sentido, foi proposta a criação de um Fórum da Juventude para a Diáspora, com o objetivo de captar o interesse das novas gerações pelas tradições e costumes madeirenses e “dar continuidade à identidade e à madeirensidade”.
Vítor Gomes foi o porta-voz da reunião anual do Conselho da Diáspora Madeirense, que decorreu no salão nobre do Palácio do Governo Regional, no Funchal, sob a presidência do secretário regional das Comunidades e Cooperação Externa, Sancho Gomes.
Do total de 26 membros, oriundos de países com forte presença de emigrantes, como África do Sul, Venezuela, Reino Unido, Austrália, Brasil, Estados Unidos da América, Canadá, Angola, Bélgica e Suíça, participaram no encontro 14.
Os conselheiros sublinharam a importância da criação de um círculo eleitoral pela emigração para permitir a eleição de representantes para a Assembleia Legislativa da Madeira, mas a decisão depende das instâncias nacionais.
Entre outras conclusões, o Conselho da Diáspora Madeirense considerou prioritário reforçar “todas as iniciativas que promovam a aprendizagem da língua portuguesa”, bem como a divulgação da história e da cultura madeirenses e a valorização das tradições regionais.
Por outro lado, entende ser importante promover um “conhecimento mais aprofundado” sobre a realidade da diáspora madeirense, a sua evolução demográfica, social e económica, considerando que “esse conhecimento deverá apoiar a definição, acompanhamento e avaliação das políticas dirigidas às comunidades”.
O Conselho da Diáspora, que funciona como órgão consultivo do executivo regional, quer também que o Governo da República avance com a criação de um consulado-geral na Florida, nos Estados Unidos, com sede em Miami, considerando o “aumento substancial da comunidade portuguesa naquela área”.
Por outro lado, alertou para a “insuficiência e descontinuidade” das ligações aéreas operadas pela TAP entre a Madeira e países com comunidades madeirenses expressivas, como África do Sul e Brasil.
A relação da banca portuguesa com a comunidade na Venezuela mereceu também reparos do Conselho da Diáspora Madeirense.
“Em muitos casos, as contas bancárias ficam bloqueadas ou sujeitas a restrições, sendo exigida a atualização presencial dos dados, o que obriga a deslocações a Portugal, com elevados custos e constrangimentos”, explicou Vítor Gomes, indicando que a situação afeta de forma “particularmente gravosa” a primeira geração de emigrantes portugueses, que não têm acesso aos canais digitais disponibilizados pelas instituições bancárias.
Outra das preocupações prende-se com as dificuldades na equivalência de qualificações profissionais, o que “impede a integração de profissionais devidamente habilitados, especialmente em áreas onde existe maior carência de recursos humanos, como a medicina”.
O Conselho da Diáspora Madeirense apresentou um voto de louvor e reconhecimento às autoridades portuguesas na Venezuela, à Embaixada e consulados, à Presidência do Governo Regional da Madeira e ao Governo da República, bem como às equipas de salvamento e resgate, pela “pronta, coordenada e exemplar resposta prestada à Venezuela”, na sequência dos sismos de 24 de junho.
Foi também deliberado prestar homenagem ao futebolista Cristiano Ronaldo, natural da Madeira, pelo seu “notável contributo” na projeção do arquipélago ao nível mundial.
O Conselho da Diáspora Madeirense reuniu-se na sequência do Fórum Madeira Global, que decorreu na quinta-feira, no Funchal, com a participação de mais de 450 conferencistas provenientes das comunidades madeirenses espalhadas por vários países em todo o mundo.




