Comissão Europeia salienta “desempenho econômico bastante bom” de Portugal

A Comissão Europeia destacou hoje o “desempenho econômico bastante bom” de Portugal, segundo as previsões económicas de primavera hoje divulgadas, admitindo porém déficit este ano e no próximo, que vai depender “das medidas” adotadas pelo Governo.

“No que diz respeito a Portugal, no geral, diria que o desempenho económico de Portugal é bastante bom. Assim, prevê-se que as taxas de crescimento, tanto para este ano como para o próximo, fiquem acima da média da UE [União Europeia] – 1,7% de crescimento este ano e 1,8% [do Produto Interno Bruto – PIB] no próximo ano”, disse o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, falando em entrevista a um grupo de jornalistas europeus em Bruxelas, incluindo a Lusa.

Além disso, “o desemprego continuará a diminuir gradualmente, e assim por diante, portanto, no geral, um bom desempenho”, acrescentou, nesta entrevista no dia em que a instituição apresenta as primeiras previsões económicas desde o início da guerra do Irão.

Por seu lado, “em termos de política orçamental, a nossa previsão aponta para pequenos défices de 0,1% do PIB este ano e 0,4% do PIB no próximo ano”, assinalou.

Ainda assim, Valdis Dombrovskis adiantou: “Não excluímos a possibilidade de um resultado melhor, porque, como sabem, os orçamentos nem sempre são integralmente executados nos países e, por isso, para 2027 dependerá obviamente do tipo de medidas políticas que Portugal adotar e da direção que tomar”.

A Comissão Europeia reviu em baixa as previsões para o crescimento da economia portuguesa para 1,7% este ano e 1,8% em 2027, nomeadamente devido aos efeitos das tempestades e do conflito no Irão, segundo as projeções divulgadas hoje.

Estas previsões são mais pessimistas do que as do Governo, que também reviu as estimativas para este ano para um crescimento de 2%, segundo o Relatório Anual de Progresso de 2026 entregue a Bruxelas em abril.

Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia está mais pessimista que o Governo e antecipa que o saldo orçamental de Portugal vai passar de excedente a déficit em 2026, de 0,1% do PIB, com o impacto dos apoios após as tempestades.

Segundo as previsões económicas de primavera, divulgadas hoje, Bruxelas prevê um déficit de 0,1% do PIB em 2026 e de 0,4% do PIB em 2027, assumindo a manutenção das políticas, enquanto o Governo projeta um saldo orçamental nulo este ano.

“A economia portuguesa enfrentou uma série de choques inesperados no início de 2026, começando com tempestades severas em janeiro e fevereiro, seguidas por uma forte subida dos preços da energia em março e abril”, lê-se no relatório das previsões económicas de primavera, que destaca que o sentimento económico se deteriorou e o crescimento do PIB desacelerou de 0,9% em cadeia no 4.º trimestre de 2025 para uma estagnação no 1.º trimestre de 2026.

A previsão da Comissão é de que o crescimento económico diminua de 1,9% em 2025 para 1,7% em 2026 e 1,8% em 2027, o que representa uma revisão em baixa face ao crescimento de 2,2% e 2,1% estimados em novembro do ano passado.

“Prevê-se que o crescimento económico melhore gradualmente em termos trimestrais ao longo do horizonte de previsão, impulsionado pelas obras de reparação após os danos causados pela tempestade e pelo pico esperado na utilização dos fundos do PRR em 2026”, admite Bruxelas, ainda que os elevados preços da energia devam continuar a ter um impacto negativo, particularmente no segundo trimestre de 2026.

Já os investimentos deverão “beneficiar substancialmente do ciclo do PRR em 2026, compensando parcialmente o sentimento negativo dos investidores no setor privado”, enquanto em 2027 se espera uma recuperação dos fundos estruturais da UE e uma melhoria do sentimento das empresas.

No que diz respeito à dívida pública, antecipa-se que a trajetória de redução continue, embora a um ritmo mais lento. A previsão é de que o rácio da dívida pública portuguesa atinja 87,6% do PIB em 2026 e 86% em 2027, devido à persistência de excedentes primários e diferenciais favoráveis entre crescimento e taxas de juro.

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