Cidades lusófonas têm “muito a aprender com a China” – líder da UCCLA

Neste 13 de abril, o secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), Luís Campos Ferreira, indicou que as cidades lusófonas têm “muito a aprender com a China”.

A organização realizou uma assembleia-geral em Macau, região chinesa semi-autónoma de língua oficial portuguesa e fundadora da UCCLA.

“A República Popular da China deposita em Macau a sua plataforma para os países de língua portuguesa e, neste caso concreto, para as cidades de língua portuguesa. A China é muito útil e tem muito conhecimento a transmitir. Todos nós temos muito a aprender com a China também”, afirmou.

O antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, entre 2013 e 2015, destacou também ser preciso melhorar a cooperação entre cidades lusófonas para além dos campos económicos e culturais.

“O que sentimos é que há uma vontade de colaborar ainda mais, de as cidades partilharem conhecimento umas com as outras, para responder melhor às necessidades dos cidadãos”, afirmou Ferreira.

O responsável destacou que a comunicação já existe em várias dimensões, “nomeadamente na cultural e na económica”, mas que precisa de ser reforçada.

A reunião aprovou diversas moções de condolências pelas tragédias recentes que afetaram cidades em Portugal, Angola, Cabo Verde e Moçambique, e decidiu que a próxima reunião magna da UCCLA será realizada em Guimarães.

À margem da reunião, realiza-se na terça-feira um fórum empresarial subordinado ao tema “Infraestruturas e Cidades Inteligentes”, destinado a reforçar a dinâmica económica e comercial da instituição.

Após o encontro, o Governo de Macau organiza uma visita à vizinha Hengqin (ilha da Montanha), zona económica especial gerida em conjunto com as autoridades da província de Guangdong, para explorar oportunidades com empresas do interior da China.

O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, que participou pela primeira vez numa assembleia da UCCLA, sublinhou à Lusa a importância de projetos comuns e da partilha de experiências entre municípios.

“É fundamental que os municípios tenham consciência do papel e do potencial que têm. Oeiras tem uma experiência muito positiva em matéria de cooperação descentralizada, com vários milhões de euros já aplicados em projetos, e estamos disponíveis para cooperar”, afirmou.

Isaltino Morais acrescentou que “enquanto alguns municípios têm experiência mais avançada em determinadas áreas”, outros ainda estão a “lutar por infraestruturas básicas”, mas que “potenciar estas sinergias pode ser muito positivo para a qualidade de vida das populações”.

“Oeiras representa cerca de 10% do PIB [Produto Interno Bruto] português o que nos interessa é tudo o que tenha a ver com desenvolvimento tecnológico, biomedicina, biotecnologias e tecnologias de informação, áreas em que a China tem experiência e capacidade de investimento,” destacou.

A UCCLA é uma organização intermunicipal, sem fins lucrativos, que se dedica ao fomento do intercâmbio e da cooperação entre os seus membros em vários domínios.

Constituída em 1985, tem entre as cidades fundadoras Bissau, Lisboa, Luanda, Macau, Maputo, Praia, Rio de Janeiro e São Tomé/Água Grande.

Atualmente, congrega 106 membros, entre os quais 24 efetivos, 44 associados, 28 apoiantes e 10 observadores.

Macau

A organização, que será presidida por Macau até 2028, está a “concretizar um dos seus sonhos”, o de promover a cooperação económica entre municípios.

Luís Campos Ferreira falava na abertura de um fórum empresarial sobre infraestruturas e cidades inteligentes, organizado à margem da assembleia geral da UCCLA, em Macau, nesta terça-feira.

O português disse que o fórum marca “uma nova era”, ao permitir às cidades e empresas lusófonas e chinesas “conhecerem-se e acreditarem que podem cooperar de uma forma muito produtiva”.

“Só em cooperação com as empresas é que as cidades podem” responder aos anseios dos cidadãos no que toca ao desenvolvimento económico, defendeu Campos Ferreira.

“É por isso que a economia é tão importante, porque cria riqueza que pode ser distribuída”, explicou o antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, entre 2013 e 2015.

Também o presidente da Câmara Municipal do Fundão defendeu que o regresso a Macau representa “um virar de página que é muito positivo” para a UCCLA, que “teve uma dimensão cultural numa fase inicial”.

A organização “está a assumir pela primeira vez um campo da diplomacia económica que é extremamente relevante para as cidades”, disse Miguel Gavinhos.

Constituída em 1985, a organização tem entre as cidades fundadoras Bissau, Lisboa, Luanda, Macau – então ainda sob administração portuguesa –, Maputo, Praia, Rio de Janeiro e São Tomé/Água Grande.

Macau acolheu na segunda-feira, pela quarta vez, a assembleia geral da UCCLA, que terminou com a eleição da cidade para presidir à comissão executiva da organização.

O presidente do Instituto de Assuntos Municipais de Macau disse hoje aos jornalistas que é “uma honra” para a região semi-autónoma chinesa, onde o português é língua oficial, liderar a UCCLA.

Chao Wai Ieng recordou que a China designou Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003.

A integração da região com a vizinha Hengqin e no projeto da Grande Baía cria “uma sinergia significativa para o desenvolvimento das nossas cidades”, defendeu o dirigente.

A Grande Baía é um projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros.

Tanto Hengqin como a Grande Baía “representam um leque de oportunidades que pode ser aproveitado por empresas lusófonas”, disse Chao.

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