Chegaram a Portugal 18,77% dos votos dos emigrantes

Membro da Comissão Nacional de Eleições faz a leitura de um boletim de voto durante o início da recolha e contagem de votos dos residentes no estrangeiro, no âmbito das eleições legislativas 2024, no Centro de Congressos de Lisboa, em Lisboa, 18 de março de 2024. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Perto de 19% dos votos dos emigrantes portugueses chegaram a Portugal até sexta-feira, estando marcada para terça-feira o início da sua contagem, que decorrerá até ao dia seguinte, em Lisboa.

Segundo dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, até sexta-feira tinham chegado a Portugal 296.283 cartas com os boletins de voto dos portugueses residentes no estrangeiro, o que representa 18,77% dos eleitores inscritos para as legislativas do passado dia 18.

Nas eleições de 2024, e no período homólogo, tinham chegado a Portugal 19,42% das cartas enviadas a estes cidadãos.

Foram devolvidas 154.094 cartas, ou seja, 9,76% das expedidas a partir de Portugal para estes eleitores no estrangeiro.

As cartas começaram a ser enviadas a 12 de abril, para 192 destinos, tendo a última expedição acontecido a 21 de abril.

As escolhas dos eleitores portugueses residentes no estrangeiro vão continuar a chegar a Portugal até quarta-feira, dia em que se conhecerá o seu resultado e qual o partido que ficará em segundo lugar: PS ou Chega.

Nos últimos 20 anos, o PS e o PSD dividiram os mandatos pela Europa e Fora da Europa, mas este bipartidarismo terminou em 2024, quando o Chega elegeu um deputado por cada um destes dois círculos.

Às eleições do dia 18 concorreram 36 candidaturas aos dois círculos, 18 para cada um.

Correios

Na quinta-feira passada, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, garantiu que a impossibilidade de votar nas últimas legislativas, relatada por alguns emigrantes, se deveu a problemas nos correios das regiões onde essas pessoas moram e não aos CTT.

“Este não é um problema novo”, admitiu o ministro, à margem do ‘Fórum do Crescimento 2025, realizado hoje pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa.

“A razão principal [para o problema] não está nos correios portugueses, está em alguns territórios onde os correios não funcionam ou funcionam deficientemente”, alegou, adiantando como exemplo casos em que os correios regionais fazem “pedidos de pagamento adicional quando está tudo protocolado para que não haja nenhum pagamento por parte de cidadãos portugueses”.

Sublinhando que as eventuais queixas de dificuldades na votação em território português se enquadram na responsabilidade da administração do processo eleitoral e do Ministério da Administração Interna, Rangel reconheceu que o Ministério dos Negócios Estrangeiros, enquanto tutela das comunidades portuguesas, também recebe queixas e informações.

Isto “é um problema endémico” que tem levado a vários debates, sobretudo nas comunidades portuguesas no estrangeiro, sobre a alteração do sistema eleitoral e o voto eletrónico.

“O voto eletrónico põe problemas de segurança e de confiança muito grandes”, mas seria “a forma de se contornar um parceiro que temos de ter em cada território, que é a administração dos correios do país em causa”, disse.

“Há aqui uma coisa que o Ministério da Administração Interna me relatou e que eu posso dizer: os CTT têm tido um papel muito importante em desbloquear algumas situações que foram denunciadas bastante cedo e que permitiram prevenir outra”, acrescentou Rangel.

“Obviamente, por mais prevenção que façamos, por mais que as nossas missões diplomáticas, oficiais de ligação da Administração Interna e a empresa CTT façam há sempre situações que não é possível” resolver, avançou o ministro, sublinhando que o problema não pode ser resolvido pelo seu ministério.

“Isto tem a ver com a administração eleitoral, não passa por nós, tem a ver com a Comissão Nacional de Eleições”, concluiu.

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