Bissau: Portugal confirma que acolhe Domingos Simões Pereira para tratamento médico

O opositor guineense Domingos Simões Pereira, à chegada ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, 23 de julho de 2026. Simões Pereira estava a cumprir prisão preventiva na Guiné-Bissau desde o passado dia 10 de julho, no âmbito de um processo em que é acusado pela justiça militar de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado ocorrida em outubro de 2025. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

 O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou que Portugal vai acolher “por razões médicas e humanitárias” o opositor guineense Domingos Simões Pereira, que saiu neste dia 23 da cadeia, onde se encontrava em prisão preventiva.

“Portugal acolhe Domingos Simões Pereira, conforme solicitado pelos seus familiares, depois da libertação hoje ocorrida por razões médicas e humanitárias”, lê-se no comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O opositor guineense Domingos Simões Pereira saiu da cadeia, onde se encontrava em prisão preventiva, por ordens do juiz de Instrução Criminal, Mamadú Embaló, que autorizou que viajasse para Portugal, onde se vai submeter a tratamento médico.

“Reconhecendo o gesto humanitário, continuaremos a trabalhar com empenho e recato, pelas vias diplomáticas, no quadro da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] e em cooperação com a CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental] e União Africana, em prol do regresso das instituições da Guiné-Bissau à normalidade constitucional e democrática”, frisou a diplomacia portuguesa.

“Sempre no respeito pelo povo guineense e pela soberania da Guiné-Bissau, país e povo amigo e irmão, fundador da CPLP”, completou.

Simões Pereira cumpria prisão preventiva desde o passado dia 10 de julho, no âmbito de um processo em que é acusado pela justiça militar de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado ocorrida em outubro de 2025.

Citando o despacho do juiz, uma fonte da defesa do político disse à Lusa, num contacto telefónico feito a partir de Lisboa, que Simões Pereira foi autorizado a ausentar-se da Guiné-Bissau durante noventa dias e nesse período não poderá desenvolver atividade política.

A mesma fonte adiantou que a decisão do juiz se baseou num relatório médico do Hospital Militar de Bissau, segundo o qual seria necessário que o líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) fosse observado num centro médico especializado em Portugal.

Chegada

Questionado pelos jornalistas, à saída do lounge VIP do aeroporto de Lisboa, se tencionava regressar, Domingos Simões Pereira foi taxativo: “absolutamente”.

“Eu sou guineense e continuarei, assim que possível, este combate”, garantiu o opositor guineense, que foi recebido em euforia por dezenas de guineenses a residir em Portugal e que encheram o aeroporto com bandeiras e gritos e cânticos de apoio.

“Eu não posso virar costas ao meu povo”, sublinhou.

O responsável admitiu estar a sentir uma “sensação de liberdade” e “agradecido pela população que vem acolher”. 

Quantos aos pormenores da sua estadia em Portugal, admitiu que ainda não conhece as condições, “porque quem trata de tudo, são as autoridades portuguesas”. 

Questionado sobre os assuntos internos no país, Domingos Simões Pereira escusou-se a responder diretamente às perguntas, dizendo apenas que “alguém trabalhou, as autoridades trabalharam” e permitiram que estivesse em Portugal.

“Eu quero respeitar esse esforço que foi feito. Assim que conhecer todos os contornos”, falará, assegurou.

Quanto ao seu estado de saúde, disse ainda não saber, respondendo apenas que se “sente bem”.

Domingos Simões Pereira  chegou por volta da 01:00 a Lisboa, tendo saído no dia anterior da cadeia, onde se encontrava em prisão preventiva, por ordens do juiz de Instrução Criminal, Mamadú Embaló, que autorizou que viajasse para Portugal.

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