“Ainda estou aqui”, de Walter Salles, conquistou o Óscar de Melhor Filme Internacional na 97.ª edição dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos.
Para o Óscar de Melhor Filme Internacional estavam também nomeados Emilia Pérez (França), A Semente do Fruto Sagrado (Alemanha), A Garota da Agulha (Dinamarca) e Flow (Letônia).
“Ainda estou aqui”, do brasileiro Walter Salles, soma outras duas nomeações: Melhor Filme e Melhor Atriz Principal, pela interpretação de Fernanda Torres, já premiada nos Globos de Ouro.
Em 1999, Walter Salles também foi nomeado para os Óscares, por “Central do Brasil”, filme protagonizado por Fernanda Montenegro, então nomeada para Melhor Atriz.
“Ainda Estou Aqui” remete para o período da ditadura militar do Brasil (1964-1985), recuperando a história do político Rubens Paiva, que foi preso, torturado e morto, e da mulher, a ativista Eunice Paiva. Fernanda Torres contracena com o ator Selton Mello.
Walter Salles homenageou Eunice e Rubens Paiva, no seu discurso, e saudou as ‘suas’ atrizes: Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, mãe e filha, ambas presentes em “Ainda estou aqui”.
O Óscar de Melhor Fotografia/Cinematografia foi para “O Brutalista”, o primeiro para o filme de Brady Corbet, que somava dez nomeações. Os outros nomeados eram “Duna: Parte Dois”, “Emilia Pérez”, “Maria” e “Nosferatu”.
O segundo Óscar conquistado por “O Brutalista” foi o de Melhor Banda Sonora Original, deixando para trás “Conclave”, “Emilia Pérez”, “Wicked” e “Robot Selvagem”.
Indicado também para a estatueta de melhor filme, Ainda Estou Aqui perdeu para Anora, maior vencedor da festa com cinco estatuetas no total.
A 97.ª edição dos Prêmios da Academia decorre esta noite no Dolby Theatre, em Hollywood, com 52 filmes nomeados em 23 categorias.
🇧🇷 Brazil takes home Best International Feature Film for I'M STILL HERE with Walter Salles flashing a smile at the 97th #Oscars.
— The Academy (@TheAcademy) March 3, 2025
Photo Credit: Matt Sayles pic.twitter.com/GlqncNzc3Z
Cultura brasileira
Walter Salles considerou que este reconhecimento é para a cultura e o cinema brasileiros, que hoje ecoa pelo mundo.
“Não é um filme que é reconhecido, é a cultura que está a ser reconhecida, é a forma como fazemos cinema no Brasil, é a literatura brasileira com o livro de Marcelo Paiva, é a música brasileira”, afirmou o cineasta, nos bastidores dos Óscares da Academia.
“Toda esta jornada foi sobre refazer a memória de uma família ao mesmo tempo que refazíamos a memória de um país durante 21 anos de ditadura militar”, considerou Salles, que dedicou a estatueta dourada a “três mulheres extraordinárias”: Eunice Paiva, a protagonista da história, e as atrizes Fernanda Torres e Fernanda Montenegro.
Walter Salles lembrou que o filme foi visto nos cinemas por cinco milhões de brasileiros e conseguiu ultrapassar a barreira do sistema político binário do país.
Segundo o realizador, a ressonância que está a ter nos mercados internacionais, incluindo Portugal e Estados Unidos, pode ser entendida pela fragilidade cada vez maior da democracia um pouco por todo o lado.
“O filme é principalmente sobre perda e como reagimos a ela, como a superamos e como lutamos contra a injustiça”, considerou.
“Esta mulher teve a possibilidade de quebrar ou de abraçar a vida e ela abraçou a vida”, afirmou, referindo-se à forma de resistência de Eunice Paiva, baseada no afeto.
Salles também salientou a importância do jornalismo, da literatura, do cinema e das canções como forma de preservar a memória.
A sua vitória foi muito celebrada na sala de entrevistas, onde a agência Lusa e vários meios brasileiros de comunicação social puderam fazer entrevistas ao cineasta e congratulá-lo em português, uma enorme raridade nos bastidores do Óscar.




