Os transportes públicos para residentes no Porto serão gratuitos a partir de hoje para quem detém o cartão municipal Porto. , anunciou hoje o presidente da Câmara, Pedro Duarte.
“A partir de hoje os transportes públicos são gratuitos na cidade do Porto para quem detém o cartão Porto”, disse hoje Pedro Duarte numa cerimónia que decorreu na praça em frente à estação de metro da Trindade.
Esta era uma das principais medidas do programa eleitoral do então candidato pela coligação PSD/CDS-PP/IL.
No seu discurso, Pedro Duarte explicou que quem já tem o passe gratuito até aos 23 anos “não precisa de fazer nada”, mas quem tem o cartão municipal terá de se deslocar a uma loja Andante ou Payshop para atualizar o mesmo, “um processo que demora segundos”.
Já para os residentes que ainda não possuem o cartão municipal Porto., podem pedir ‘online’ ou dirigindo-se ao Gabinete do Munícipe.
O carregamento da gratuitidade dos transportes será anual, disse ainda o autarca.
Em abril, o executivo da Câmara do Porto aprovou a proposta de transportes públicos gratuitos, que permitirão aos portuenses viajar por toda a área metropolitana.
De acordo com a proposta, é “adequado substituir o modelo atualmente em vigor por um título tarifário integrado, associado ao Cartão Porto., com âmbito territorial equivalente ao Passe Metropolitano Andante e acesso aos serviços de transporte público nele integrados”.
A dotação orçamental prevista para o programa é, “para o ano de 2026, de um máximo de 10.250.000 euros para o ano de 2027 de 18.700.000 euros e para o ano de 2028 de 1.800.000 euros”.
De acordo com o estudo de fundamentação do contrato, este “aponta para uma estimativa preliminar de custo anual máximo aproximado de 20,5 milhões de euros, que corresponde em termos mensais a um custo médio aproximado de 1,71 mihões de euros”.
A Câmara do Porto prevê que o número de utilizadores estimados de transporte público seja de 59.381, um valor que “resulta da aplicação da quota modal do transporte público” calculado pelo diagnóstico feito pelo Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS), que corresponde a 23,5% da população residente estimada em 2025 (252.687).
Bala de prata
Pedro Duarte admitiu que a gratuitidade dos transportes públicos não será a “bala de prata” para resolver a mobilidade no município, mas dá legitimidade para tomar medidas mais restritivas do automóvel.
“Nós não achamos que esta é uma bala de prata que de repente vai transformar a mobilidade na cidade do Porto. É importante que tenhamos noção das expectativas que temos pela frente”, disse hoje o autarca, numa cerimónia em frente à estação de metro da Trindade.
Para Pedro Duarte, a gratuitidade dos transportes, em vigor a partir de hoje para quem tenha cartão municipal Porto. (é necessária uma atualização nas lojas Andante ou Payshop), “este é um primeiro passo muito importante, é um incentivo muito importante para que comece a haver uma mudança de paradigma na vida das pessoas, em que o transporte individual passa a ser supletivo e o meio essencial prioritário de transporte na cidade seja o transporte público”.
“Esta mudança de paradigma vai demorar certamente muitos anos, mas é com estes incentivos que vamos conseguir concretizar que tal venha um dia a acontecer”, disse.
Quanto ao trânsito, a expectativa “não é que tenha um efeito imediato de transformação”, mas o autarca referiu que quer “começar a mudar” o paradigma.
“Temos uma ideia de cidade que aposta na qualidade de vida, no bem-estar individual de cada um e no bem-estar de nós enquanto comunidade, e para isso nós não podemos ter uma cidade que é composta por automóveis parados no trânsito. Isso é a antítese do bem-estar”, considerou.
Questionado também sobre o alcance desta medida para a Área Metropolitana do Porto (AMP), uma vez que apenas os residentes na cidade poderão beneficiar da gratuitidade, Pedro Duarte, que é presidente da AMP, disse que não pode “tomar decisões em nome dos outros presidentes de Câmara”.
“Para termos uma estratégia metropolitana de transportes e de mobilidade é muito importante que todos adiram a esta ideia de que devem apostar no transporte público. A forma como o fazem, isso compete a cada um. Nós aqui no Porto estamos de facto a ir se calhar mais longe do que qualquer outro”, reconheceu.
Porém, quanto a esta medida, “tomá-la em termos metropolitanos” não é possível, disse, reiterando que defende “que o país devia evoluir para um modelo diferente” com “um nível de poder político entre o poder autárquico e o poder central”.
“Se tivéssemos, se calhar poderíamos ser mais ambiciosos nesta matéria. Enquanto não podemos, acho que o Porto pode servir como um piloto, uma semente que vai dar frutos e depois talvez os outros percebam que é uma medida que vale a pena também assumirem”, afirmou.




