O Governo português selecionou hoje a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.
A decisão, anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa, os dois grupos que chegaram à fase decisiva da privatização da companhia aérea portuguesa.
“Com esta decisão, o Governo concluiu com sucesso a primeira fase da privatização da companhia aérea”, referiu Montenegro.
O primeiro-ministro destacou ainda que ambas “as propostas eram robustas e muito equivalentes”, sublinhando que asseguravam o reforço do ‘hub’, a manutenção das rotas dos países lusófonos, bem como “o respeito pelos trabalhadores e sustentabilidade financeira [da TAP] a médio e longo prazo”.
Na escolha pesou, sobretudo, a proposta financeira da Lufthansa, superior em 163 milhões de euros à da Air France-KLM, tendo sido também avaliados os investimentos associados, nomeadamente na frota, e o modelo de governação proposto.
O Governo admitiu a privatização total da TAP até 2028, trocando uma parte do capital da companhia aérea por participação social na Lufthansa com o objetivo de recuperar o valor total investido pelos portugueses, anunciou o primeiro-ministro.
Na conferência de imprensa, Luís Montenegro afirmou que a parceria entre a TAP e a Lufthansa aponta para “o caminho da recuperação total do valor que os portugueses investiram na TAP”.
“É com este mesmo objetivo que o Governo encara a possibilidade de, numa segunda fase até 2028, como propõem de resto os candidatos, trocar o capital remanescente por uma participação social na ‘holding’ do respetivo grupo”, afirmou.
A oferta da Lufthansa “para uma segunda fase inclui uma verba de mais 488 milhões de euros e uma permuta de ações que pode vir a posicionar o Estado português como o segundo maior acionista desta companhia”, detalhou Montenegro.
Na fase de perguntas e respostas, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, assegurou que os dois maiores partidos da oposição, PS e Chega, foram informados previamente sobre as decisões do Governo de hoje, tal como o Presidente da República, António José Seguro.
4. Grupo Aéreo
A integração da TAP na esfera da Lufthansa poderá criar o quarto maior grupo aéreo mundial em receitas e elevar de 9% para 20% a quota conjunta de passageiros na América Latina, segundo o Governo.
De acordo com a apresentação feita hoje pelo executivo, a integração da transportadora portuguesa no grupo alemão permitiria atingir receitas de cerca de 47 mil milhões de euros, colocando o conjunto atrás apenas das norte-americanas Delta, United e American Airlines.
O grupo combinado tornar-se-ia assim o maior da Europa em receitas, ultrapassando a Air France-KLM e a IAG, dona da British Airways e da Iberia, que apresentam receitas de 37 mil milhões e 33 mil milhões de euros, respetivamente, segundo os dados apresentados.
Em número de passageiros, a Lufthansa e a TAP passariam a transportar cerca de 168 milhões de pessoas, tornando-se o sexto maior grupo mundial e o segundo maior europeu.
Já em termos de frota, o conjunto das duas companhias reuniria 942 aeronaves, ocupando igualmente a sexta posição mundial e a primeira entre os grupos europeus.
Um dos principais objetivos da integração é o reforço da presença da Lufthansa na América Latina, onde a sua quota de passageiros poderá aumentar dos atuais 9% para 20% com a incorporação da TAP.
A transportadora portuguesa assumirá, neste contexto, o papel de plataforma do grupo para o Brasil e outros mercados lusófonos, aproveitando a sua rede de ligações ao Atlântico Sul.
A proposta prevê também o desenvolvimento do Porto como segunda base da TAP, com oito aeronaves de longo curso, mantendo a companhia portuguesa na Star Alliance e reforçando a cooperação comercial com a United Airlines e a Air Canada.
No plano operacional, a Lufthansa prevê expandir a frota da TAP para 117 aeronaves em 2035 e 130 após essa data, num crescimento associado também à entrada em funcionamento do novo aeroporto de Lisboa.
Segundo os dados apresentados pelo Governo, esta expansão poderá representar um investimento adicional entre três mil e quatro mil milhões de euros na frota da transportadora portuguesa.
O plano admite ainda a transferência de até oito aeronaves A350-900 para a TAP depois de 2030, bem como a modernização da frota da Portugália.
Na área de manutenção e engenharia, a proposta prevê a integração da TAP Manutenção e Engenharia na rede da Lufthansa Technik e um investimento de cerca de 300 milhões de euros na unidade industrial de Santa Maria da Feira, com a criação de 700 postos de trabalho.
Estão igualmente previstos projetos ligados à produção e ao fornecimento de combustíveis sustentáveis de aviação, bem como a criação de uma escola de treino de pilotos em Tancos.



