Santos homenageia Escritório Consular de Portugal com a mais alta honraria, a Medalha José Bonifácio

Fábio Prieto (secretário da Justiça e Cidadania do Governo de São Paulo), José Augusto do Rosário (gestor do Escritório Consular), o Cônsul Geral Antonio Pedro Rodrigues, o prefeito Rogério Santos e Audrey Kleys (vice prefeita de Santos). Foto divulgação/Prefeitura de Santos

Da redação

Emoção, história e gratidão marcaram a manhã do último dia 7 de junho na “Sala Princesa Isabel”, no Paço Municipal de Santos. O espaço foi cenário de uma cerimônia que uniu passado, presente e futuro resumido na entrega da Medalha e do Diploma de Mérito José Bonifácio de Andrada e Silva ao Escritório Consular de Portugal em Santos.

A mais alta honraria concedida pela Prefeitura celebrou a profunda e duradoura contribuição da comunidade portuguesa para o crescimento e a identidade cultural da Cidade.

Diante de autoridades, representantes da diplomacia e de várias gerações de luso-brasileiros, a solenidade marcou o início da 16ª edição da Festa de Portugal, um dos maiores tributos à cultura portuguesa no Brasil.

A medalha foi recebida por José Augusto do Rosário, gestor do Escritório Consular e presidente da Escola Portuguesa de Santos, figura central na articulação da tradicional festa, que emocionou o público ao ressaltar o valor simbólico do reconhecimento e o orgulho de manter vivas as raízes lusitanas em terras santistas.

“Essa honraria não homenageia apenas a comunidade portuguesa de Santos, mas toda a comunidade lusitana do Estado de São Paulo e do Brasil. Uma comunidade trabalhadora, que criou raízes, construiu patrimônio, educou filhos e netos, e ajudou a construir esta Cidade, que abriga o maior porto da América Latina. Esta homenagem alcança os madeirenses do Morro São Bento, os arouquenses dos açougues e padarias, os comerciantes, os pioneiros como o senhor Antônio Duarte Moreira – que trouxe para Santos o primeiro posto de gasolina da America do Sul. Ela também homenageia pessoas iguais à minha mãe, que desembarcou aqui em 1960”, ressaltou Rosário.

Representando o Governo do Estado de São Paulo, o secretário da Justiça e Cidadania, Fábio Prieto, também falou com emoção e orgulho de suas raízes portuguesas. Ele ressaltou a relação histórica e afetiva entre os povos e destacou o papel da comunidade portuguesa na formação social e cultural de Santos.

“Portugal tem uma ligação maternal com o Brasil. E Santos, para nós, é porta de entrada e berço dessa conexão. Eu sou neto de um português de Ansião, uma vila portuguesa, e nasci no bairro que tem o nome mais bonito do mundo, o Marapé, uma das regiões mais tradicionais da Cidade. Estar aqui é voltar às minhas origens”, salientou.

Emocionado, o prefeito Rogério Santos lembrou do pai, Américo, português que fez sua história em Santos e teve a cidadania restaurada com ajuda do consulado da Cidade, e que morreu em outubro do ano passado.

“Quando me sentei aqui e ouvi as falas, especialmente a do José Augusto do Rosário, não consegui conter a emoção. Lembrei do meu pai. Um cidadão português que chegou ao Brasil ainda menino, e construiu sua vida aqui, como tantos outros. Essa medalha não é apenas um reconhecimento institucional. Ela representa histórias de vida. Me vieram as memórias de menino, quando meu pai e eu visitávamos o escritório do doutor Ogando, que tantos ajudou, e mais recentes quando o próprio José Augusto, que entregou os meus documentos de cidadania e os da minha família”, relatou.

Para o chefe do Executivo, a homenagem vai além de um reconhecimento burocrático. “Ela é uma forma de dizer obrigado ao povo português que ajudou a construir esta Cidade; que está presente no comércio, na cultura, na gastronomia, nas histórias de família; que está no meu coração e no coração de tantos santistas”.

Em uma quebra de protocolo, o prefeito chamou José Octávio Sousa, amigo de seu pai e figura histórica da colônia portuguesa local, para fazer a entrega da medalha a José Augusto.

O cônsul-geral de Portugal em São Paulo, António Pedro Rodrigues da Silva exaltou a relevância da Cidade no contexto da presença portuguesa no Brasil. “Portugal teve consulado em Santos antes mesmo de São Paulo. Esta Cidade representa um elo histórico profundo com nossa pátria. A Festa de Portugal é hoje a maior celebração luso-brasileira do País, e Santos, sem dúvida, é a Cidade mais portuguesa do Brasil – não como figura de linguagem, mas como realidade sentida”.

+Representação Diplomática de Portugal em Santos

O Consulado de Portugal em Santos, hoje Escritório Consular de Portugal em Santos, que é o segundo mais antigo do Brasil, historicamente já foi um dos mais importantes do país, em função do porto de Santos, que foi uma das principais portas de entrada de vários imigrantes portugueses ao longo dos séculos.

No tempo do Império, na cidade de Itanhaém, hoje jurisdição de Santos, existia um vice-consulado português, bem como, um outro vice-consulado na antiquíssima cidade de São Vicente, vizinha a cidade de Santos.

Por motivos ignorados, aqueles postos consulares extinguiram-se, ficando abandonados seus preciosos arquivos.Em Santos, havia um vice-consulado desde 1844, sendo o seu primeiro vice-cônsul o Sr. Cipriano da Silva Prost.

Já no regime republicano foi elevado a categoria de Consulado de 1ª classe, em virtude da importância, sempre crescente, do seu porto de mar por onde trafegam as mercadorias dos Estados de Mato Grosso, Goiás, Minas, S. Paulo e Paraná.

Dentre os Consules que por aqui passaram, alguns foram personalidades de destaque como o Dr. Zeferino Lourenço Martins (Barão de Lourenço Martins) o Dr. Lino Jardim e o Dr. Luiz de Mattos, fundador do racionalismo Cristão.

Desde sua criação, esta representação do governo de Portugal em Santos já teve atribuições de Vice-Consulado, Consulado, chegando a atingir o status de Consulado Geral onde respondia inclusive por importantes capitais, como por exemplo, Curitiba no Paraná, Consulado Honorário, quando chegou a ser reputado como o melhor posto em toda a rede consular de Portugal no mundo, e hoje Escritório Consular sob a gestão de José Augusto do Rosário.

José Augusto do Rosário com os funcionários no escritório consular de Santos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também