Projeto de descentralização de entidades e serviços públicos é aprovado com críticas

Arquivo/Agencia Lusa

Da Redação
Com Lusa

O Parlamento português aprovou um projeto de lei PS/PSD para a criação de uma comissão independente para a descentralização, com a abstenção do CDS-PP e os votos contra da esquerda parlamentar e do PAN.

No debate, PS e PSD foram criticados à Esquerda e à Direita pelo acordo para a descentralização, com o PCP e o BE a criticarem o “bloco central” e o CDS-PP a recusar “começar a casa pelo telhado”.

A comissão independente, com sete elementos a designar pelo presidente da Assembleia da República, funcionará até julho do próximo ano e deverá fazer uma “profunda avaliação sobre a organização e funções do Estado” e propor “um programa de desconcentração da localização de entidades e serviços públicos”.

No debate marcado pelo PSD sobre “desigualdades territoriais e descentralização”, o deputado social-democrata António Costa e Silva defendeu que “um pacto pelo interior é um dever” para combater “um país tão desigual” em serviços públicos, em transportes e equipamentos sociais.

Dando vários exemplos de maus ou insuficientes serviços públicos no interior do país, Costa e Silva frisou: “Não é do tempo da `troika´, é de agora”, ouvindo depois críticas do PS, do PCP, do BE e do PEV, que lembraram o encerramento de escolas e de serviços de saúde durante o anterior governo PSD/CDS-PP.

No debate, em que a regionalização foi defendida pelo BE e que o PS mostrou não esquecer, o deputado do PSD considerou que a iniciativa conjunta com o PS para criar a comissão representa a “vontade política” para “uma maior legitimidade democrática”.

Questionado pelo deputado do PS Santinho Pacheco sobre se o diploma é “uma via para atingir o desígnio constitucional da regionalização”, Costa e Silva respondeu que “fica toda a discussão em aberto” e que a comissão visa “discutir todas as possibilidades”.

Para o PS, disse Susana Amador, a criação da comissão independente é “mais uma peça de um relevante processo reformador” da descentralização, admitindo que possa “abrir portas” e ser “uma via” para as regiões.

O Bloco de Esquerda foi o mais crítico da iniciativa do PSD e do PS, e em particular do acordo entre o Governo e os sociais-democratas para descentralização, afirmando que os socialistas “mandaram às urtigas” os partidos que suportam a maioria de esquerda.

Para o BE, a comissão “nada mais é do que matar de vez a regionalização e dar mais força às comissões intermunicipais”.

“Não contem com o Bloco para este peditório”, avisou, argumentando que o processo conduzirá “a uma municipalização de competências” na saúde e na educação, funções do Estado, e não a uma verdadeira descentralização.

Afastando-se da solução defendida pelo PS e PSD, a deputada do PCP Paula Santos dirigiu-se aos sociais-democratas afirmando que “parece que há algum incômodo” pelo acordo que, disse, não augura “nada de bom”.

“O PSD vai dar a mão ao PS para o Governo fazer aquilo que não tinha condições para fazer”, acusou a deputada, defendendo que o que está em cima da mesa “é a penalização das populações, as funções sociais do Estado e os serviços públicos”.

Para o CDS-PP, a criação de uma comissão técnica independente para fazer “uma avaliação profunda” é “começar a casa pelo telhado”, afirmou o deputado Álvaro Castelo Branco, dizendo que o partido não votará contra, mas “recusa aprovar uma reforma que desconhece”.

Já o centrista Hélder Amaral aproveitou para se mostrar “solidário com as dores” do BE e do PCP quanto ao acordo do “bloco central” PS/PSD, ironizando que “há antigos amores que têm muita força”.

Sobre o conteúdo da comissão, Hélder Amaral questionou quais serão as competências efetivas para as juntas de freguesia, quais as que passam para entidades supramunicipais, e que mecanismos de controlo haverá.

Na mesma linha do PCP e do BE, a deputada do PEV, Heloísa Apolónia considerou que o plano representa “passar o ônus” das funções do Estado para as autarquias e defendeu que a saúde e a educação têm de ter uma “política forte nacional” e não municipal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Carris apresenta solução para futuro elevador da Glória

Futuro ascensor terá “novo sistema” a conceber após concurso internacional. O futuro ascensor da Glória, em Lisboa, contará com um “novo sistema” que garantirá “toda a segurança”, prevendo-se um concurso público internacional de conceção até ao final março de 2027

Leia mais »

Países Africanos, FMI, Banco Mundial e o Sistema da Dívida

Por José Menezes Gomes Esse artigo pretende abordar como países distantes geograficamente, que aparentemente teriam características diferentes poderiam ter algo em comum com grande impacto sobre suas dimensões econômicas e sociais. Recentemente enviei um artigo, que tratava da divida pública

Leia mais »