Da Redação
Com agencias

Além do clima desfavorável em algumas localidades, as previsões pessimistas estão relacionadas, na maioria das regiões, a ataques de míldio, doença que causa manchas nas plantas; ao desavinho, quando as flores não se transformam em frutos; e à bagoinha, quando, além de bagos normais, há bagos de dimensões reduzidas, que não atingem a maturação.
As maiores quedas devem ocorrer nas regiões de Lisboa, Trás-os-Montes, Douro e Açores, onde podem ser superiores a 25% em relação ao período de 2015/2016. A produção vinícola portuguesa é medida entre o dia 1º de agosto de cada ano e o dia 31 de julho do ano seguinte.
No período de 2015/2016, Portugal produziu mais de 700 milhões de litros de vinho, 13% a mais do que na campanha anterior. Com a queda de 20%, a produção na próxima safra deve atingir um volume de 560 milhões de litros.
De acordo com a ViniPortugal (Associação Interprofissional do Setor Vitivinícola e gestora da marca Wines of Portugal), os vinhos representam 66% da exportação de “bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres” portugueses. De todo o vinho produzido no país, 45% é exportado, colocando Portugal na 12ª posição no ranking dos produtores mundiais da bebida.
Ainda segundo a ViniPortugal, o Brasil é o sexto maior comprador de vinho português, atrás apenas de Angola, Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido.
Vinho Verde em alta
Já a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) antecipou uma “excelente colheita” na vindima deste ano, que deverá decorrer entre as últimas semanas de setembro e final de outubro com “menor quantidade, mas maior qualidade”.
“Dada a existência, na região dos Vinhos Verdes, de uma área significativa de vinha nova na meia encosta — e, como tal, mais suscetível a uma situação de carência hídrica, perante as atuais condições de temperatura elevada e de baixos teores de umidade atmosférica — poderá nesta colheita verificar-se uma diminuição no rendimento do mosto, o que pode revelar-se muito positivo quanto à qualidade da uva”, refere o enólogo António Cerdeira, citado no comunicado.
Independentemente do rendimento do mosto que possa ser obtido na vindima, pois “tudo dependerá das condições climáticas dos meses de agosto e setembro”, o presidente da CVRVV, Manuel Pinheiro, estima “uma redução da produção global na ordem dos 10%” e afirma-se “expectante quanto à excelente qualidade da colheita deste ano, que deverá ser superior aos outros anos”.
A redução da quantidade de uva – dependendo da casta, da data da poda e do microclima local – é antecipada devido às “temperaturas amenas e fraca precipitação” registadas durante o inverno, a que se seguiu “uma primavera chuvosa e com temperaturas inferiores à média dos últimos anos”.
Na anterior vindima a região dos Vinhos Verdes produziu cerca de 87 milhões de litros, ocupando o segundo lugar no consumo interno e liderando as exportações para 107 países.




