António José Seguro indicou hoje que, com a Presidência Aberta nas regiões afetadas pelo mau tempo, pretende mostrar o que está atrasado e acelerar os apoios, apelando aos portugueses para que façam férias naquelas s zonas.
“Esta minha Presidência aberta tem este duplo sentido, o de verificar as coisas que estão ainda muito atrasadas e a testemunhar muitas delas que estão a avançar e que estão a reerguer. Eu venho aqui ouvir para depois falar e sobretudo venho ver o que correu bem, o que correu mal, os apoios que estão a chegar, os apoios que estão a tardar”, disse aos jornalistas no final de uma visita às obras de recuperação do Hotel Montanha, na Sertã, o primeiro ponto de agenda da Presidência Aberta.
Seguro deixou “uma palavra de esperança” para mostrar que “esta tragédia não é mais forte” que a “convicção, energia e crença neste país e nestes territórios”.
“Deixo um apelo a todos os portugueses, na altura de marcarem as suas férias, que possam ter em conta que um fim de semana ou uma semana nestas bonitas paisagens do interior é uma ajuda e um estímulo e uma expressão de solidariedade por quem tanto sofreu há cerca de dois meses atrás”, apelou.
O Presidente da República disse que o “propósito é de fazer acelerar os apoios para que eles possam chegar o mais rapidamente possível”.
“E também estimular a recuperação e, sobretudo, dar garantias às pessoas de que elas são ouvidas para que os seus problemas possam ser resolvidos”, disse.
A caravana seguiu para o Parque de Campismo de Oleiros, onde o mau tempo derrubou algumas árvores de grande porte e as cercas, o Presidente da República teve oportunidade de cumprimentar turistas em francês e alguns minutos depois um casal de espanhóis, a quem fez questão de dizer que a sua primeira viagem ao estrangeiro será a Madrid, nos dias 19 e 20 de abril.
De acordo Cristina Esteves, responsável pelo Camping Oleiros, já foram replantadas árvores e, apesar de este verão não haver tanta sombra, já vão tendo “muitos clientes”.
“Os nossos clientes compreendem o que vivemos com esta intempérie. Vamos nos reerguendo e já temos algumas reservas”, acrescentou, indicando que a Câmara Municipal de Oleiros ajudou sempre como pode.
Segundo o presidente da Câmara Municipal de Oleiros, Miguel Marques, o Parque de Campismo sofreu danos na ordem dos 100 mil euros.
Também a proprietária de Vilar dos Condes, empresa de turismo rural do concelho de Oleiros, Teresa Almeida, teve a oportunidade de dizer a António José Seguro que já está a reconstruir o seu espaço, depois da companhia de seguros ter resolvido o seu processo.
Nesta ocasião, António José Seguro congratulou-se com o trabalho que os autarcas vêm realizando, que “acodem com o que têm e o que podem”, bem como com o facto de a proprietária de hotel rural Vilar dos Condes já ter recebido da companhia de seguros a verba que permite a reconstrução do espaço.
Cooperação
O Presidente da República disse que o seu objetivo é “dar voz a quem precisa de se fazer ouvir, porque o país não pode ter memória curta perante uma dor tão grande e tão longa”.
Seguro mostrou-se disponível “para ouvir todas as vozes, todos os problemas que persistem e também para testemunhar todas as coisas boas que estão a ser feitas no terreno”.
“O Presidente da República também tem uma responsabilidade que é de cooperar com todos os órgãos de soberania para encontrarmos as melhores soluções, porque esta não é uma situação em que só uns é que têm responsabilidades, é uma responsabilidade do Estado no seu conjunto. Portanto, esta é a função que eu quero desempenhar durante estes cinco dias”, apontou.
No caminho para este primeiro ponto, o chefe de Estado parou para ouvir as queixas de meia de uma centena de populares que exigiam a reabertura da estrada nacional número 2.
“Eu venho para ouvir e falo sempre depois de ouvir. E, naturalmente, ali estavam várias dezenas de pessoas e eu parei porque quis ouvir. Esse é um dever que eu considero que o Presidente da República tem”, apontou.
António José Segurou visitou esta manhã o Hotel da Montanha, localizado em Pedrógão Pequeno, concelho da Sertã, que sofreu danos estimados em 1,5 milhões de euros, na sequência do mau tempo.
“Se não tivesse tesouraria não tinha recomeçado a recuperação do hotel”, indicou o responsável ao Presidente da República.
Nesta ocasião, o António José Seguro assinalou que estava “a ver muita madeira no chão”, ao que o presidente da Câmara Municipal da Sertã, Carlos Miranda, admitiu não estar a ser fácil proceder à limpeza, por falta de empresas para o efeito.
“O nosso perímetro de zona crítica é de 3 mil hectares”, informou.
A visita contou com a presença de autarcas, do secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, e do coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro do País, Paulo Fernandes.




