Em visita a Aemanha, neste dia 12, o Presidente de Portugal considerou que a economia nacional está no “bom caminho”, salientando que as avaliações internacionais são “muito, muito boas”, o que disse ser importante para atrair investimento externo.
“Estamos no bom caminho. Estamos no bom caminho e isso é uma coisa que eu, aliás, aproveitei para sublinhar junto do Presidente [da Alemanha, Frank-Walter] Steinmeier, porque Portugal está a ter avaliações internacionais que são muito, muito boas”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa em declarações aos jornalistas após ter almoçado num restaurante português em Berlim, onde se encontra numa visita oficial.
O Presidente da República respondia a uma pergunta sobre as declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que, hoje, disse ter notícias de que “estará por horas” a possibilidade de uma outra agência subir o ‘rating’ de Portugal, salientando que, quinze anos depois da ‘troika’, “Portugal é hoje um exemplo na Europa do ponto de vista financeiro”.
Marcelo Rebelo de Sousa considerou que essas avaliações internacionais são importantes para Portugal, numa altura em que, “na Europa e em muitos países do mundo”, a situação económica “é ainda crítica”.
“É importante que, a nível macro – isto é, dos grandes números da economia e, sobretudo, das finanças para o Estado – nós estejamos com uma avaliação muito, muito positiva”, considerou.
O Presidente da República referiu que, na visita oficial que está a fazer à Alemanha, está a ser acompanhado pelo secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, que ainda hoje lhe falou dos “investimentos que estão a ser feitos e pensados” em Portugal, não apenas por europeus, mas também por norte-americanos.
“E em vários domínios, além do turismo, num momento de incerteza poder investir em Portugal com a certeza dada pelas avaliações internacionais é muito importante para todos”, defendeu.
Questionado se a estabilidade política nacional contribui para diminuir o sentimento de instabilidade a nível internacional, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: “Sem dúvida”.
“Esse foi um dos temas que, naturalmente, preocupa o Presidente Steinmeier e me preocupa a mim, que é, felizmente, há estabilidade política em Portugal e na Alemanha. Tomáramos nós que fosse assim em todos os Estados”, disse.
A Fitch vai hoje anunciar a sua avaliação do ‘rating’ de Portugal, que está neste momento próximo dos níveis mais elevados na classificação das principais agências.
A DBRS avalia a dívida soberana em A (elevado) e a Moody’s em A3, enquanto a Fitch tem atualmente a classificação de A-.
Já a S&P foi a última agência a avaliar o ‘rating’, a 29 de agosto, e melhorou a classificação de ‘A’ para ‘A+’, apenas seis meses após outra subida.
Ucrânia
Os chefes de Estado de Portugal e da Alemanha prometeram hoje apoio contínuo à Ucrânia perante a invasão da Rússia, recordando uma frase de Willy Brandt de que “a paz não é tudo, mas, sem paz, tudo é nada”.
Depois de, esta manhã, se terem reunido no Palácio Bellevue, residência oficial do Presidente alemão, os dois chefes de Estado voltaram a encontrar-se esta tarde nos jardins do mesmo edifício, para a cerimónia de abertura do festival Bürgerfest (Festa dos Cidadãos, em português), uma iniciativa cidadã que conta este ano com Portugal como país convidado.
Num discurso nessa cerimónia, o Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, salientou que Portugal e a Alemanha são países ligados por “uma estreita amizade” e ele próprio tem uma “amizade pessoal” com Marcelo Rebelo de Sousa, “o que não é muito comum na política”.
Depois, aludindo ao facto de Marcelo Rebelo de Sousa terminar o seu mandato de Presidente da República em março de 2026, Steinmeier salientou que esta é a sua “visita de despedida à Alemanha” e fez um balanço.
“Fico feliz em poder dizer que a nossa cooperação ao longo de todos estes anos sempre foi marcada pelo diálogo, pela proximidade, confiança política e, acima de tudo, por um claro compromisso com a Europa”, destacou.
Ainda, questionado pelos jornalistas sobre o Supremo Tribunal Federal do Brasil ter condenado o ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, Marcelo disse não querer comentar, por considerar que o Presidente de um país “não deve intrometer-se na vida interna de nenhum outro Estado”.
“Ainda mais, em particular, tratando-se de decisões de natureza jurisdicionais, isto é, de um tribunal. Portanto, observa-se, acompanha-se de fora e não se participa de dentro em nada do que é da vida interna do Brasil”, disse.




