Presidente “atento e vigilante”, imputa responsabilidades aos órgãos de soberania pelo “prestígio da PJ”

Presidente da República, António José Seguro, discursa na cerimónia solene comemorativa do 81.º aniversário da Polícia Judiciária, na sede da PJ, em Lisboa, 20 de outubro de 2026. TIAGO PETINGA/LUSA

 O Presidente da República afirmou hoje, na sede da PJ, que está “sempre atento e vigilante”, mas atua “com discrição”, e imputou responsabilidades pelo “prestígio da PJ” aos seus dirigentes, mas também aos órgãos de soberania.

António José Seguro, que discursava numa sessão solene comemorativa do 81.º aniversário da Polícia Judiciária (PJ), defendeu que o “enorme prestígio” desta polícia criminal “exige investimento permanente, capacidade de atuação e exigência ética” e que o escrutínio deve ser encarado “como parte da sua legitimidade democrática”.

No início da sua intervenção, o chefe de Estado quis evitar “qualquer dúvida sobre o motivo principal” para a sua presença nesta sessão – referindo que aceitou “de imediato” o convite – e deu conta de um encontro realizado, a seu pedido, com o diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro, em agosto.

“Estou aqui porque a PJ é um pilar da democracia e tudo farei para que continue a desempenhar a sua função em nome da justiça, do combate ao crime e da segurança dos portugueses. Estou aqui para salvaguardar o seu património, dar robustez à missão presente da PJ e a cautelar as premissas de um futuro com sucesso”, justificou.

“Foram também estas palavras que transmiti ao senhor diretor numa reunião, a meu pedido, realizada em agosto. O dever do Presidente da República é estar sempre atento e vigilante, fazer as perguntas que deve e agir com discrição adequada em cada momento. O prestígio da PJ é uma responsabilidade dos seus dirigentes, mas também dos titulares dos órgãos de soberania”, acrescentou António José Seguro.

Apreensões

As autoridades policiais apreenderam desde 01 de janeiro deste ano 42 toneladas de cocaína, mais 17 do que em todo o ano de 2025, revelou hoje o diretor nacional da PJ.

“No combate ao tráfico de estupefacientes, têm sido alcançados sucessivos recordes de apreensões de cocaína. Em 2024, 23 toneladas; em 2025, 25 toneladas; e, até à presente data de 2026, 42 toneladas”, afirmou Carlos Cabreiro, na cerimónia do 81.º aniversário da PJ, na sede da instituição policial, em Lisboa.

Os números incluem as apreensões realizadas por todas as forças policiais e, para o diretor da PJ, são um “exemplo de excelente colaboração e coordenação entre órgãos de polícia criminal e forças e serviços de segurança, com o apoio decisivo” das Forças Armadas, por norma mobilizadas em operações em alto mar.

Na intervenção, Carlos Cabreiro realçou ainda o trabalho da instituição que dirige no combate ao crime económico-financeiro organizado e transnacional, em particular do Gabinete de Recuperação de Ativos (GRA).

Segundo o dirigente, no primeiro semestre deste ano, o GRA “identificou 108 milhões de euros em ativos, apreendeu ou arrestou bens no valor de 11 milhões de euros, apurou 60 milhões de euros de património incongruente e respondeu a 313 pedidos de cooperação de 40 países”.

Quase um mês depois de o Ministério Público ter realizado buscas na sede e na escola de formação da PJ no âmbito de um inquérito por falsidade de testemunho e abuso de poder em que Carlos Cabreiro é suspeito, este reafirmou ainda que a lealdade da instituição para com aquele órgão “é um valor absoluto”.

“Estabelecemos linhas de ação conjuntas e atuamos numa base de articulação permanente, alicerçada no estrito cumprimento da lei e em respeito pelos direitos, liberdades, garantias dos cidadãos e pela dignidade da pessoa humana”, disse.

Sobre o futuro, Carlos Cabreiro alertou para a “verdadeira rotura” que constitui a Inteligência Artificial e lembrou que a justiça “não pode ser escrita em códigos binários”.

“A humanidade não se programa e somos, sobretudo, uma organização de pessoas que trabalha para as pessoas”, sustentou.

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