Por Odair Sene Do Jornal Mundo Lusíada
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Na noite de 18 de outubro, a União Portuguesa de Santos promoveu a comemoração dos seus 95 anos de fundação. Este, no entanto, poderá ser a última comemoração de fundação da Sociedade União Portuguesa (SUP). A noite foi marcada pela divulgação da fusão entre a SUP e o Centro Português de Santos, uma fusão que está sendo preparada há um ano, e que será oficializada após uma Assembléia a ser realizada dia 23 de outubro, em Santos. Segundo Armênio Mendes, empresário e parte integrante da diretoria de ambas entidades, a fusão entre a SUP e CP é resultado de um grande esforço e realização de um sonho para os portugueses da região. “Festejamos talvez o último aniversário, isoladamente, da União Portuguesa, e daqui um ano talvez nós estejamos comemorando o primeiro aniversário da grande entidade que vai surgir desta fusão das entidades”. Centro Português de Cultura ou Centro Cultural Português “Nós que presidimos o Conselho, que presidimos o Centro Português entre 1984 e 88, hoje sabemos das dificuldades de algumas das nossas entidades. Há muitos anos, estamos tentando unificar o Centro Português de Santos, que é uma marca histórica na cultura portuguesa, com a União Portuguesa” informou Ernesto Vieira, homenageado durante o aniversário da casa, com a entrega do Troféu Fernando Pessoa. Dois nomes estão sendo cotados para abrigar a nova entidade: Centro Português de Cultura ou Centro Cultural Português. “Um desses nomes vai abrigar essas duas entidades que vai nascer no próximo dia 23” disse Vieira ao Mundo Lusíada. Também não está decidido ainda onde será a sede da nova entidade. “A União é uma entidade sólida mas não com o nome cultural do Centro Português” explica. Segundo Armênio Mendes, as datas relativas às fundações de ambas entidades ainda serão lembradas. “Todas as datas de aniversário das entidades no futuro serão lembradas, mas não apenas com a existência da entidade, mas como lembrança das entidades que existiram e que formaram com seu patrimônio e sua vida a grande entidade que vai nascer da fusão delas”. "Nossas entidades estão morrendo" Em entrevista ao Mundo Lusíada, Armênio Mendes defende a fusão das entidades portuguesas com intuito das mesmas serem levadas pela nova geração e assim terem uma vida mais longa. “Estamos criando uma entidade para ter uma vida futura de centenas de anos, este é o objetivo da comunidade portuguesa hoje, porque as nossas entidades estão todas morrendo. Os sócios das entidades hoje são os mesmos em todas elas, para que elas se subsistam, e isso não dá mais para mantermos. Precisamos criar uma entidade para que nossos filhos tenham orgulho de levá-la a diante. Se isso não acontecer, com certeza, todas elas irão morrer”. Segundo Mendes, o surgimento de diversas casas lusas deu-se principalmente por divergências na comunidade. “Existe um erro que foi cometido no passado. Quando havia uma divergência de diretoria criava-se mais uma entidade. Havia-se mais uma divergência, criava-se mais uma entidade. Não para somar mas para dividir, e esta divisão que queremos acabar” defendeu. Pequenas entidades Questionado sobre as demais e menores entidades que queiram ingressar no projeto de unificação, Armênio Mendes afirmou que tais diretorias precisam apenas ter “consciência” da força que todas poderão formar em conjunto. “Nós precisamos unificar todas para que haja soma de valores e idéias, para deixarmos alguma coisa para posteridade. Este é nosso interesse e essa é nossa função. Então as pequenas passam a viver, amanhã, o prazer de dizer que pertencem a uma grande entidade, que é aquela que vai congregar todas”. Segundo o dirigente, o intuito é criar uma instituição com vida própria, sem preocupação com ajuda financeira de Governos, contando apenas com a comunidade em si. “No momento em que conseguirmos isto, não vamos precisar de apoio de ninguém. Temos que pensar numa vida própria, sem apoio de nada. E a unificação de todos nos dá essa condição” garantiu Mendes. “A medida em que vamos desenvolvendo este trabalho, vamos convencendo estas diretorias a se incorporarem à grande entidade para criarmos uma única entidade, com uma dimensão, e com o valor do patrimônio português que veio para esta terra”.
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