O primeiro-ministro de Portugal defendeu hoje que “será imperdoável” se a União Europeia (UE) não der aval à conclusão do acordo comercial com o Mercosul, que está a ser negociado há 25 anos e é “crucial” para o bloco comunitário.
“Parece-me crucial, como tenho já de forma reiterada vindo a afirmar noutras reuniões do Conselho Europeu, que cheguemos mesmo a um entendimento e à subscrição final do acordo com o Mercosul, que está neste momento ainda num quadro de alguma indefinição ou mesmo indecisão e será imperdoável se nós não conseguirmos consumar um acordo que demorou 25 anos a estabelecer-se”, declarou Luís Montenegro.
Falando à chegada à cimeira europeia, em Bruxelas, o chefe de Governo aludia ao aval que a Comissão Europeia aguarda à assinatura do acordo comercial e de parceria com o Mercado Comum do Sul (Mercosul) para a presidente da instituição, Ursula von der Leyen, se deslocar ao Brasil no sábado para oficializar tal parceria.
À entrada para uma reunião do Conselho Europeu em Bruxelas, a última de 2025, a presidente do executivo comunitário europeu pediu a aprovação deste acordo. Em simultâneo, Ursula von der Leyen pediu aos líderes dos países da UE que cheguem a um acordo sobre o financiamento para o Ucrânia em 2026 e 2026, antevendo “negociações muito intensas” durante o dia de hoje.
“Tem de haver uma solução hoje, apoio o que disse o presidente do Conselho Europeu [António Costa], não vamos sair daqui sem uma solução”, disse Ursula von der Leyen.
“Sobre a nossa discussão em geoeconomia, as nossas dependências são problemáticas para a nossa competitividade [da União Europeia (UE)] […], o acordo com o Mercosul tem um papel essencial, é um mercado de aproximadamente 700 milhões de consumidores e é de enorme importância”, disse Ursula.
França
Já o Presidente francês, Emmanuel Macron, insistiu hoje em Bruxelas que o acordo “não pode ser assinado”, quando a Comissão Europeia aguarda aval comunitário para oficializar a parceria no sábado.
“Quero dizer aos nossos agricultores que manifestam a clareza da posição da França desde o início: em relação ao Mercosul, consideramos que não está tudo certo e que este acordo não pode ser assinado”, afirmou o chefe de Estado francês.
Precisamente devido à cimeira europeia, centenas de tratores e milhares de agricultores de vários países bloqueiam as principais vias de Bruxelas desde a madrugada de hoje, em protesto contra o acordo a UE e os países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) por terem concorrência desleal, sobretudo no mercado da carne.
Este acordo está a ser negociado há 25 anos.
Na passada terça-feira, o Parlamento Europeu aprovou salvaguardas relativas ao acordo e esta madrugada, o Conselho da UE chegou a acordo sobre cláusulas de salvaguarda do acordo comercial para proteger os agricultores europeus do potencial impacto negativo de um aumento das importações latino-americanas.
A França lidera um grupo de países que se opõe à parceria entre os dois blocos, aos quais se juntou recentemente Itália, permitindo uma minoria de bloqueio, o que pode impedir Ursula von der Leyen de oficializar o protocolo.
Após o anúncio do fim das negociações em dezembro de 2024, o texto tem estado a percorrer as etapas necessárias antes da assinatura formal, como revisão jurídica, tradução e ratificação pelos países.
A UE e os países do Mercosul tentam finalizar aquele que será o maior acordo comercial e de investimento do mundo, que servirá um mercado de 700 milhões de consumidores, no âmbito do reforço da cooperação geopolítica, económica, de sustentabilidade e de segurança.
O acordo abrange os 27 Estados-membros da UE mais Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o equivalente a 25% da economia global e 780 milhões de pessoas, quase 10% da população mundial.




