Portugal apresenta primeiro avião civil-militar LUS-222 e procura contratos no Brasil

 Representantes da CTI Aeroespacial, incluindo militares da Força Aérea Portuguesa e da empresa Aircraft and Maintenance, apresentaram nesta terça-feira a aeronave LUS-222, no Brasil, durante a feira LAAD Defense & Security, realizada no Rio de Janeiro.

O LUS-222 é um bimotor de asa alta com porta de carga traseira projetado pelo Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), a Força Aérea Portuguesa e a empresa Geosat, primeira aeronave projetada e fabricada em Portugal, que deverá realizar o primeiro voo em 2028.

Os desenvolvedores do projeto preveem que o avião terá a capacidade de transportar 19 passageiros ou até duas toneladas de carga, podendo atuar em missões militares, missões de busca e salvamento e também na aviação comercial regional. A aeronave terá um alcance de até 2.100 quilômetros e poderá atingir velocidade de até 370 quilômetros por hora.

João Cartaxo Alves, chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa (CEMFA), disse à Lusa que a aeronave foi projetada inicialmente transporte civil regional, mas com a adesão da Força Aérea houve o desenvolvimento de capacidades e perspetivas para missões militares.

“A Força Aérea se juntou ao projeto por ver as necessidades [do mercado] e também por poder adaptar a aeronave para cumprir determinadas missões fundamentais, nomeadamente, desde logo, o apoio à preservação da vida em evacuações aeromédicas, em busca e salvamento, em transporte e carga, lançamento de carga para sítios em que haja necessidade e que haja impossibilidade de aterrar”, explicou Cartaxo Alves.

“É para isso que a Força Aérea se juntou a este projeto para desenvolver esta característica do ‘dual-use’ civil e militar e é nisso que estamos a desenvolver este projeto”, acrescentou. 

O projeto do LUS-222 conta com investimentos de 220 milhões de euros, que incluem a construção de uma fábrica em Ponte de Sor, capaz de produzir 12 aviões por ano num turno e 20 aviões por ano em dois turnos. 

O projeto é financiado por fundos públicos nacionais e europeus, através do apoio do Governo português, por capitais próprios dos acionistas da empresa e fundos de investimento privados. 

Miguel Braga, administrador da Aircraft and Maintenance, empresa que está a desenvolver e que vai construir, industrializar e comercializar o avião, apontou que a aeronave portuguesa tem um trem de poiso fixo e pode aterrar em pistas não preparadas, não pavimentadas e muito curtas e, portanto, o Brasil é um bom mercado para sua comercialização.

“Por quê o Brasil? Por duas razões principais. Uma, é público que a Força Aérea Brasileira quer substituir a aeronave Bandeirantes, que continua a operar, mas que já não se fabrica e o Brasil tem mais de 60 aviões Bandeirantes hoje em operação que vão terminar o seu tempo de vida”, afirmou Braga. 

“Portanto, o Luz 222 apresenta-se como uma das soluções para a Força Aérea Brasileira substituir a sua frota de aviões do mesmo segmento que já vão deixar de voar”, acrescentou.

Falando sobre a parceria entre Brasil e Portugal no segmento de Defesa e Aviação, que vai além da aeronave apresentada na maior feira de Defesa da América Latina no Rio de Janeiro, Cartaxo Alves classificou a relação entre os países de “virtuosa e fundamental”.

“Nessas parcerias ao nível da aeronáutica aeroespacial, desde logo, vemos o caso do KC-390 da Embraer. A Força Aérea Portuguesa, depois a seguir, veio ajudar também no desenvolvimento de algumas capacidades do Supertucano [da Embraer]”, lembrou o chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa.

“E, agora, vemos aqui também uma parceria muito interessante entre capacidades de Portugal e do Brasil, nomeadamente a concepção, o pensamento e o desenvolvimento de uma aeronave totalmente portuguesa, mas também com a Akaer, uma empresa brasileira, que vai desenhar estruturas das aeronaves, as asas, a fuselagem, e portanto há uma parceria virtuosa”, concluiu.

Acordo de cooperação

Ainda no RJ, a FAB, a FAP e a empresa Embraer assinaram no dia 01 um acordo de cooperação para o estudo do emprego da aeronave KC-390 Millennium em missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR). A cerimônia ocorreu durante a 15ª edição da LAAD Defence and Security.

O evento contou com a presença do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno; do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa, General João Cartaxo Alves; do Presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto; e do CEO e Presidente da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Júnior. Também prestigiaram a cerimônia membros do Estado-Maior da FAP e do Alto-Comando da Aeronáutica brasileira.

A parceria tem como objetivo ampliar as capacidades operacionais dos operadores do KC-390, integrando recursos avançados de IVR à aeronave, reforçando a cooperação entre Brasil e Portugal no desenvolvimento de soluções tecnológicas para defesa e segurança, promovendo inovação e interoperabilidade entre as forças aéreas.

Para o CEMFA, esta participação da Força Aérea Portuguesa revela-se importante em duas perspetivas. A primeira “atesta a importância que a Embraer deposita na Força Aérea, reconhecendo-a como uma parceira estratégica fundamental no desenvolvimento dos seus produtos”. Em segundo, acrescenta, “trata-se de uma oportunidade única de alargar o espetro de missões do KC-390, criando-se condições para que venha também a ser empregue nas missões de RVI e de patrulhamento marítimo”.

O avião KC-390 é operado pela Força Aérea Portuguesa desde 2022. Equipando a Esquadra 506 – “Rinocerontes”, tem como missão principal o transporte aéreo tático. Atualmente a Força Aérea já recebeu duas aeronaves das cinco adquiridas, às quais se junta ainda um simulador que está neste momento em fase de montagem na Base Aérea N.º 11, em Beja, prevendo-se que entre em operação a partir de junho.

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