O Presidente português, António José Seguro, afirmou hoje esperar “um debate profícuo” sobre o Orçamento do Estado para 2027, que procure melhorar a vida das pessoas ” numa altura muito difícil”.
Em breves declarações aos jornalistas, à saída de uma conferência sobre a situação internacional, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, o chefe de Estado defendeu que o mundo precisa de paz e que Portugal precisa de estabilidade.
“Precisamos de ter estabilidade no nosso país para que possamos fazer aquilo que é necessário para melhorar a vida das pessoas. É esta a mensagem que eu quero deixar hoje”, declarou.
Interrogado sobre o Orçamento do Estado para 2027, António José Seguro referiu que “o debate parlamentar não envolve o Presidente da República” e que compete ao Governo apresentar o Orçamento, e vai apresentá-lo, e compete aos partidos políticos pronunciarem-se sobre o Orçamento”.
“Eu desejo que seja um bom debate, um debate profícuo, sempre com um propósito: melhorar a vida das pessoas, sobretudo numa altura muito difícil, em que muitos portugueses passam por dificuldades”, acrescentou.
O Presidente da República não se quis alongar mais sobre este tema: “Não tenho mais nada a dizer”.
O Governo PSD/CDS-PP vai entregar hoje no parlamento a proposta de Orçamento do Estado para 2027, em relação à qual o secretário-geral do PS e a sua direção já indicaram uma opção pela abstenção, que assegura a viabilização do diploma.
Tecnologia
O Presidente insistiu que a UE deve ter autonomia em matéria de defesa, optando por comprar tecnologia internamente, e sugeriu uma concertação sobre os modelos de aviões.
“Quando, por exemplo, se fala que é necessário adquirir na Europa aviões para as nossas Forças Armadas, bem, a Europa talvez valha a pena também pôr-se de acordo sobre se se justifica ter dois ou três modelos diferentes de aviões. O mesmo acontece em relação a carros de combate, o mesmo acontece em relação a submarinos”, declarou António José Seguro.
O Presidente da República abordou o tema da autonomia da UE em matéria de defesa numa intervenção na 7.ª Conferência de Lisboa, no dia em que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, visita Portugal e terá encontros com o primeiro-ministro e com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.
“Os nossos amigos e aliados norte-americanos dizem que a Europa tem que cuidar mais da sua defesa, que gastar mais da sua defesa, que se defender”, referiu António José Seguro.
“Eu concordo. Mas isso significa que a Europa tem de se pôr de acordo e tem de ter uma dimensão coerente para o desenvolvimento dessa mesma perspetiva de defesa. O que significa que tem que ter a sua própria tecnologia, tem que desenvolver mercados que permitam aproveitar essa tecnologia, que seja uma tecnologia de duplo uso, de uso para fins de defesa e de segurança e simultaneamente para o uso civil, para o uso da nossa economia”, acrescentou.
O chefe de Estado apontou “os drones, os condutores, os detetores” como “exemplos de como essa aplicação pode acontecer”
“Essa autonomia é fundamental para que a nossa capacidade de defesa não dependa de outros, porque de nada basta a Europa gastar mais dinheiro na sua defesa, se for comprar tecnologia fora da própria Europa”, argumentou António José Seguro, considerando que essa “é uma verdade simples, mas que precisa de ser relembrada e recordada”.



