Mundo Lusíada
Para relembrar o 25 de abril de 1974 em Portugal, portugueses promoveram em São Paulo iniciativas de reflexão sobre o golpe de Estado militar que derrubou, sem derramamento de sangue, o regime do ditador Oliveira Salazar, a chamada Revolução dos Cravos. Promovido pelo Centro Cultural 25 de Abril, com sede em São Paulo, aconteceu na Biblioteca da Casa de Portugal de São Paulo, no dia 21, uma palestra-debate sobre o tema, com os professores Dr. Lincoln Secco e Dr. Valério Arcari, ambos da USP. “Eles são grandes conhecedores do movimento das forças armadas portuguesas que culminaram com o 25 de Abril” diz o presidente do instituto, Ildefonso Garcia, que este ano também convidou para o evento jovens universitários de diversas faculdades. “Os jovens ficaram empolgados com toda a palestra, o que para nós foi uma surpresa porque ninguém saiu enquanto duraram as três horas de Conferência” diz o presidente, citando a participação de cerca de 200 pessoas. “A juventude brasileira também se sensibiliza muito com o grande movimento que foi o 25 de Abril em Portugal, na luta pela democracia” diz Ildefonso, citando que toda a comunidade portuguesa também apóia o movimento. “Uma coisa era Portugal antes do 25 de Abril, outra coisa era Portugal depois da data. Acredito que ninguém quer voltar ao passado, todo mundo quer ir para frente”. O Centro Cultural 25 de Abril é uma entidade que se preocupa em manter viva a memória da Revolução dos Cravos. “Somos resultado da continuação de um jornal que se publicava em São Paulo, o Portugal Democrático, que foi uma bandeira de luta contra o regime salazarista”, explica o presidente. Eles também conseguiram erguer um monumento na Praça Mestre de Aviz, a fim de relembrar a data anualmente. Neste dia 25 de abril de 2010, como habitualmente acontece, o CC25A promoveu um ato cívico na Praça Mestre de Aviz, junto ao Monumento 25 de Abril, com a presença de presidentes de diversas casas luso-brasileiras, além do Cônsul Geral, José Guilherme Ataíde, e o presidente do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira, Antonio de Almeida e Silva. “Nós reunimos muitos portugueses irmanados em manter viva e acesa as lembranças do 25 de Abril, a importância que representou para o nosso povo e também para os imigrantes portugueses que hoje tem um país muito mais avançado”. Neste ano, eles ainda relembraram o falecido amigo Alexandre Antunes Pereira, que por anos participou do CC25A, foi presidente por algumas vezes. Os presentes lançaram as suas cinzas junto ao monumento. O "Dia da Liberdade", comemorado como feriado nacional em Portugal, teve como símbolo o cravo vermelho, daí designando Revolução dos Cravos. Conta a história que logo ao amanhecer, quando o povo começou a se juntar nas ruas, incluindo os soldados revoltosos contra a ditadura de Salazar, uma florista teria dado um cravo a um soldado, que o colocou no cano da espingarda, sendo imitado por outros soldados.
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