No primeiro evento do ano, Casa de Portugal de Campinas lota o salão para o “Festival do Bacalhau”

Foto Mundo Lusíada

Por Odair Sene

A Casa de Portugal de Campinas abriu sua agenda de 2026 com casa cheia, muito folclore com a primeira apresentação do Rancho Folclórico da casa neste ano, abrindo oficialmente as atividades culturais de 2026, além da apresentação do Trio Charles Mello (com música popular brasileira) e ainda uma seleção de fados com Manuela Fernandes.

A noite festiva com o cardápio completo dedicado ao principal símbolo da gastronomia lusitana, o bacalhau, foi realizada no último dia 7 de fevereiro, com o concorrido “Festival do Bacalhau” que reuniu muitos convidados em uma noite marcada por tradição, música e oito diferentes receitas do prato mais emblemático da culinária portuguesa.

Segundo a presidente Ana Cristina Calvinho, os convites se esgotaram em apenas uma semana, demonstrando a força da entidade na região, especialmente para este festival que deve ocorrer apenas uma vez ao ano.

Durante a apresentação Rancho Folclórico, a ensaiadora Andréia Gomes anunciou novos integrantes: Isilda e o André, também o retorno de um antigo componente, Licínio, destacando também um projeto histórico para o grupo: a primeira viagem do Rancho a Portugal, prevista para 2028. Fundado em 1959, o grupo é o mais antigo do Estado de São Paulo e, apesar da longa trajetória, nunca se apresentou em solo português.

Ao Mundo Lusíada, Andréia explicou que o projeto exigirá planejamento e captação de recursos ao longo dos próximos anos. A expectativa é levar o rancho para uma participação no Algarve, possivelmente em um festival internacional de folclore na região de Faro. “Até lá o rancho vai ter que trabalhar bastante. É um projeto grande, mas que representa um sonho antigo para o grupo”, afirmou.

Em seu primeiro grande evento após o início do novo mandato, a presidente Ana Calvinho comemorou o sucesso da noite e a forte presença do público, inclusive com caravanas vindas de outras cidades da região. “Em uma semana esgotamos os convites. Só de Piracicaba veio um ônibus com 48 pessoas, e outro grupo veio de Sumaré. É muito gratificante saber que estamos alcançando as pessoas”, disse.

O festival apresentou oito tipos diferentes de bacalhau, entre entradas e pratos principais, além de outras opções no cardápio. Para a presidente, o desafio logístico foi superado com sucesso. “Em casa de português não pode faltar comida. Pode faltar tudo, menos comida”, brincou.

A casa disponibilizou no menu: incluindo entradas como bolinho de bacalhau, coxinha de bacalhau (novidade), pão recheado com alheira e bacalhau, salada fria de bacalhau e linguiça; os pratos principais: bacalhau na brasa, bacalhau à Narcisa, bacalhau com natas, bacalhau crocante e talharim à carbonara, além de molotof de sobremesa.

A presidente destacou ainda que a proposta da casa é oferecer experiências culturais completas, unindo gastronomia, folclore e música, atraindo não apenas portugueses e descendentes, mas também o público brasileiro. Entre as novidades apresentadas na noite esteve a “coxinha de bacalhau”, criação que simboliza a fusão entre as duas tradições culinárias. “O nosso público é majoritariamente brasileiro. Então buscamos adaptar elementos da cultura portuguesa para atrair cada vez mais pessoas”, explicou.

Sobre o projeto da viagem do rancho, a dirigente afirmou que o planejamento começa agora e envolve contatos institucionais em Portugal. Ana Calvinho é natural de Luanda, mas ainda bebê foi morar em Portugal, e a partir de seus 13 anos viveu em Olhão, no Algarve, onde permaneceu até seus 40, quando veio para o Brasil, sendo portanto uma grande conhecedora do Algarve, onde a presidente pretende articular apoio de entidades e municípios da região para viabilizar a participação do rancho em um festival internacional local. “É um projeto cultural importante. Temos os anos de 2026, 2027 e parte de 2028 para trabalhar e tornar isso possível”, disse.

A noite também marcou a apresentação de uma nova decoração nas paredes da sede, com pinturas de temática portuguesa, retratando vilarejos, paisagens e elementos urbanos, reforçando a identidade cultural do espaço.

Reeleita para um novo mandato, Ana Calvinho espera iniciar o primeiro ciclo da gestão com mais segurança e planejamento para os próximos anos. “Hoje sei exatamente o que quero para a casa. A minha determinação é levar o nome da Casa de Portugal de Campinas para todo o Brasil”, concluiu.
Com o sucesso do festival, a diretoria inicia o calendário de 2026 com expectativas positivas e uma programação que promete manter a tradição cultural e gastronômica como principais atrativos da entidade ao longo do ano.

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