Em Belém, o primeiro-ministro confirmou ter convidado o Presidente brasileiro, Lula da Silva, para uma visita a Portugal em abril, para celebrar os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países.
“O convite foi para uma sessão que nós teremos no dia 17 de abril, a inauguração de uma exposição do Lúcio Costa, que vai ocorrer na Casa da Arquitetura e, portanto, se houver essa possibilidade, este é um evento que se inscreve no âmbito da evocação dos 200 anos das relações diplomáticas entre Portugal e o Brasil”, disse aos jornalistas Luís Montenegro na sexta-feira, à margem de uma visita ao hospital Beneficente Portuguesa do Pará, na cidade brasileira de Belém.
A exposição, na Casa da Arquitetura, em Matosinhos terá o nome de “Lúcio em casa”, sobre o arquiteto e urbanista Lúcio Costa (1902-1998), conhecido pelo projeto urbanístico do Plano Piloto de Brasília.
“Foi nesse âmbito que o convite foi dirigido e eu espero, francamente, poder ter uma resposta positiva”, sublinhou Montenegro.
O primeiro-ministro, que esteve em Belém para participar na cimeira do clima, que antecede a Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP30), reuniu-se com Lula da Silva durante mais de uma hora.
Antes da confirmação por parte de Montenegro, uma nota divulgada pela Presidência brasileira indicou que, “ao recordar a celebração dos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Portugal, o primeiro-ministro português convidou o Presidente Lula a realizar visita ao país em abril de 2026”.
Quanto à possibilidade de Lula da Silva estender a visita para participar, uma vez mais, nas comemorações do 25 de Abril, Montenegro explicou que a comemoração na Assembleia da República “é uma sessão eminentemente parlamentar”. “Mas nós não temos nenhum problema em poder afirmar que a nossa relação de amizade e proximidade entre países e entre povos é compaginável com aquele que é o reconhecimento dessa data tão importante na história de Portugal”, disse.
Sobre as diferenças ideológicas entre os dois governantes, Luís Montenegro admitiu existirem “efetivamente ideias políticas nem sempre coincidentes”.
“Mas a verdade é uma, nós estamos num ponto de relacionamento institucional e pessoal muito forte, e eu não tenho nenhum problema em assumir isso, em nome dos interesses dos portugueses e dos brasileiros”, disse. “Muito mais importante do que as afinidades ideológicas, é o propósito de servirmos o interesse dos nossos países, dos nossos povos”, acrescentou Montenegro.
imigrantes brasileiros
O primeiro-ministro disse ter explicado ao Presidente do Brasil, de forma pormenorizada, a nova lei dos estrangeiros, “para que haja completa tranquilidade na comunidade brasileira que está em Portugal”.
“Falámos sobre os temas dos fluxos migratórios e das alterações relativas que nós estamos a fazer em Portugal, tive a ocasião de dar uma explanação, creio que suficientemente pormenorizada ao Presidente Lula, para que haja completa tranquilidade na comunidade brasileira que está em Portugal e nos brasileiros”, disse Luís Montenegro, após uma reunião bilateral em Belém.
Durante a reunião, que durou cerca de uma hora, o chefe do Governo português disse a Lula da Silva que os brasileiros podem olhar para Portugal com o sentido de encontrarem “um local para poderem levar por diante os seus projetos do ponto de vista profissional e do ponto de vista familiar”.
Luís Montenegro frisou que o seu Governo defende “uma imigração mais regrada e regulada para ser também mais humanista e dar mais dignidade àqueles” que procuram Portugal para viver.“
E a comunidade brasileira é nesse propósito exemplar porque tem uma integração muito fácil, por via quer da língua, quer dos valores culturais que transporta”, afirmou.
Durante a conversa entre os dois responsáveis, o primeiro-ministro lembrou a Lula da Silva, que, apesar das mudanças da lei da nacionalidade, está previsto “para os países que falam português que a exigência sejam sete anos de residência em Portugal”.
Segundo o primeiro-ministro português, a exigência vai “passar de cinco para sete anos, ao contrário daquilo que acontece com a generalidade dos países” a quem se irá “exigir 10 anos de residência”.
A Constituição brasileira prevê que aos portugueses e outros originários de países de língua portuguesa a nacionalidade brasileira pode ser obtida após um ano de residência no Brasil.Aos outros estrangeiros o prazo pode variar entre 10 e 15 anos.
Embraer
Montenegro disse ter discutido com o Presidente brasileiro um maior “intercâmbio econômico e comercial” com a fabricante de aviões Embraer, numa altura em que Portugal está a reforçar investimentos em defesa e segurança.
“A relação das nossas indústrias de defesa com a Embraer é elevada e creio que pode ser um dos ângulos de desenvolvimento precisamente deste projeto de maior intercâmbio económico e comercial” disse.
“Porque há na indústria portuguesa capacidade ao nível de vários dos componentes dos aviões fabricados no Brasil, há também muita tecnologia, muita ciência que tem sido partilhada e portanto nós temos de alguma maneira assumido a importância que a indústria de componentes, de manutenção em Portugal pode ter no contexto do investimento que estamos a fazer”, reforçou o chefe do Governo português.
Recentemente, a Embraer entregou um KC-390 Millennium à Força Aérea Portuguesa e vem ganhando espaço na na NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), com países como Hungria, Países Baixos, Áustria e República Checa a anunciarem encomendas desta aeronave. A Embraer é fabricante e líder mundial de aeronaves comerciais até 150 lugares, tem mais de 100 clientes em todo o mundo e mantém unidades industriais, escritórios, centros de serviço e de distribuição de peças, entre outras atividades, no continente americano, África, Ásia e Europa.
Em Portugal, a Embraer é acionista maioritária da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, em Alverca, com 65% do capital.O primeiro-ministro, Luís Montenegro, termina hoje a visita de dois dias a Belém para participar da Cimeira do Clima, uma reunião de líderes mundiais que antecede a COP30.




