Nesta edição, Luiz Filho escreve sobre o lançamento do Mesa Magna e analisa por que, em tempos de conexões rápidas e superficiais, o relacionamento qualificado voltou a ganhar valor estratégico no ambiente de negócios.
Por Luiz Filho
Na última quarta-feira, o Clube Português de São Paulo recebeu o lançamento do Mesa Magna. E o que aconteceu ali foi mais do que a apresentação de um novo projeto. Foi a materialização de uma percepção que, há bastante tempo, venho amadurecendo: em um mercado saturado de conexões rápidas, discursos ensaiados e networking performático, o relacionamento humano de verdade voltou a ganhar peso estratégico.
Vivemos uma época em que muita gente está acessível, mas pouca gente está, de fato, próxima. Há contato em excesso, mas confiança em falta. Há exposição, presença digital, seguidores, convites, eventos e discursos sobre conexão por toda parte. Mesmo assim, boa parte das relações profissionais continua rasa, utilitária e passageira. O Mesa Magna nasce justamente em oposição a esse esvaziamento. Não como reação nostálgica ao passado, mas como resposta lúcida a uma carência do presente.
O projeto foi idealizado por mim, por Flávio Prado e por Guilherme Camarda. E há força justamente nessa composição. Flávio traz sua trajetória amplamente reconhecida no jornalismo brasileiro. Guilherme soma a experiência consolidada na comunicação e na apresentação. Eu entro com a bagagem construída ao longo dos anos entre marketing, branding, posicionamento, negócios e articulação institucional. Não se trata apenas da soma de perfis conhecidos. Trata-se da convergência de repertórios diferentes em torno de uma mesma convicção: boas relações não surgem no improviso e não se sustentam apenas pela conveniência.
O Mesa Magna foi concebido como um círculo privado de membros, com entrada baseada em afinidade, perfil e potencial de contribuição. Isso é importante porque o projeto não foi desenhado para ser mais um grupo, mais uma agenda social ou mais uma tentativa de parecer relevante. Sua lógica é outra. Menos volume, mais critério. Menos vitrine, mais substância. Menos aproximação forçada, mais compatibilidade real. Em um ambiente empresarial em que tantas iniciativas apostam no excesso, na estética da importância e na multiplicação indiscriminada de contatos, escolher a curadoria como princípio já é, por si só, um posicionamento.
Foi exatamente isso que o lançamento deixou claro. A presença de empresários, executivos, presidentes e nomes de peso de diferentes setores mostrou que existe espaço, interesse e aderência para um ambiente dessa natureza. Entre os convidados estavam Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina e África; Humberto Casagrande, CEO do CIEE; Atila Alves, cofundador da CRM People; além de lideranças ligadas a empresas como Conquiste 360, Corvig, ASIS Tax Tech, Amicom Technology e BRM1. Quando um projeto reúne, logo em sua estreia, perfis tão distintos e ao mesmo tempo tão qualificados, isso não pode ser tratado como coincidência social. É um indicativo claro de sintonia com o momento.
E esse momento diz muito sobre o próprio mercado. A tecnologia ampliou alcance, acelerou trocas e facilitou aproximações. Isso é inegável. Mas ela não substitui leitura de contexto, confiança progressiva, afinidade humana e construção de longo prazo. O digital aproxima. O encontro certo aprofunda. Essa talvez seja uma das verdades mais importantes para empresários e lideranças que já entenderam que visibilidade não basta. Há uma hora em que marca pessoal, reputação, negócios e oportunidades deixam de depender apenas de presença pública e passam a depender da qualidade dos vínculos.
Por isso também fez tanto sentido que o lançamento acontecesse no Clube Português de São Paulo. O lugar não foi mero pano de fundo. Foi parte da mensagem. Fundado em 1920, o Clube é uma das instituições mais tradicionais da comunidade luso-brasileira, carregando uma história que mistura memória, cultura, associativismo e presença empresarial. Sua biblioteca histórica, seu simbolismo institucional e a própria trajetória de nomes ligados à sua formação dão ao espaço uma densidade rara em tempos de ambientes descartáveis. Levar o Mesa Magna para dentro dessa casa teve um valor que vai além da beleza do endereço. Foi uma escolha coerente. Porque há projetos que pedem palco. E há projetos que pedem lastro.
Outro ponto que merece destaque foi a ambiência do encontro. Houve acolhimento, organização, boa recepção e uma atmosfera profissional sem rigidez artificial. Nesse aspecto, vale registrar também o trabalho da BPE – Business Plan Eventos e de Fabíola Nese, cuja atuação ajudou a dar ao lançamento o tom certo. Houve cuidado na condução, sensibilidade na recepção e entendimento claro do perfil dos convidados, o que contribuiu para que a noite mantivesse um equilíbrio difícil de alcançar: ser seletiva sem ser fria, profissional sem ser engessada. Isso parece detalhe, mas não é. Em iniciativas baseadas em relacionamento, forma e conteúdo precisam caminhar juntos. O modo como as pessoas são recebidas, o tom do ambiente, a qualidade da escuta e até o desenho da experiência influenciam diretamente a percepção de valor. Relações relevantes também dependem de contexto.
Saí daquela noite com uma sensação muito clara: o Mesa Magna começou do jeito certo. Não por ter reunido nomes conhecidos, embora isso tenha seu peso. Nem por ter tido uma estreia bem-sucedida, o que evidentemente importa. Mas porque nasceu com propósito compreensível, proposta coerente e aderência real. Em um tempo em que há tanto barulho em torno da ideia de conexão, ver um projeto apostar em critério, compatibilidade e consequência é quase um alívio.
Tenho convicção de que muitos empresários e profissionais estavam sentindo falta exatamente disso, ainda que nem todos soubessem nomear. Um espaço menos teatral, menos inflado, menos preso ao networking como performance e mais comprometido com a construção de relações úteis, inteligentes e duradouras. O Mesa Magna, a meu ver, entra nesse espaço com legitimidade.
E quando um projeto nasce em sintonia com uma necessidade real, ele não depende de pirotecnia para se sustentar. Basta que continue fiel àquilo que o fez nascer: a certeza de que, no mundo dos negócios, o encontro certo ainda vale muito.
Por Luiz Filho
Publicitário, especialista em Negócios e Marketing, com 25 anos de experiência em definição de estratégias e métodos de comercialização para mercados B2B e B2C, análise de produtos, serviços e ações 360º. Atualmente, atua como Consultor On Demand, desenvolvendo ações inovadoras e estabelecendo parcerias comerciais, pela Wixi Marketing.




