Lufthansa diz que TAP foi oportunidade que não podia perder e aponta aos 100%

Mario Cruz/Lusa

 O presidente executivo da Lufthansa considerou hoje a TAP uma “oportunidade” que o grupo alemão não podia perder e adiantou ter discutido com o Governo um caminho para chegar à totalidade do capital da companhia aérea portuguesa.

Numa conferência telefónica com analistas e investidores, Carsten Spohr destacou que a TAP é uma das poucas companhias aéreas europeias de dimensão significativa ainda disponíveis para consolidação, considerando que a sua integração no grupo alemão constitui uma oportunidade estratégica de longo prazo.

“A TAP foi uma oportunidade que não podíamos perder”, afirmou o gestor, sublinhando a complementaridade entre as redes das duas companhias e o potencial de crescimento no mercado sul-americano, sobretudo no Brasil.

A Lufthansa prevê sinergias líquidas anuais de até 450 milhões de euros com a TAP e acordou com o Estado um mecanismo para elevar a distribuição de dividendos até 75%, anunciou hoje o grupo alemão.

Numa conferência telefónica com analistas e investidores, o diretor financeiro da Lufthansa, Till Streichert, explicou que a maior parte das sinergias deverá ser gerada na TAP, tendo sido acordado também com o Governo português um mecanismo de aumento progressivo da distribuição de dividendos, que poderá atingir 75%.

Segundo o responsável, este mecanismo permitirá à Lufthansa beneficiar dos ganhos gerados na transportadora portuguesa enquanto detiver uma participação minoritária, não sendo necessário adquirir a maioria do capital para concretizar as sinergias previstas.

Privatização total

O Presidente da República, António José Seguro, defendeu hoje que uma eventual privatização total da TAP, “a existir”, precisa de “um amplo consenso na sociedade portuguesa” e de um “debate sereno e racional”.

Em declarações aos jornalistas em Ljubljana, onde se encontra para participar na sua primeira reunião do Grupo de Arraiolos, o chefe de Estado, questionado sobre o processo de venda parcial da TAP à Lufthansa e eventual privatização total da companhia aérea, admitida na véspera pelo primeiro-ministro, começou por salientar que são “duas situações completamente distintas”.

“Uma situação é a privatização de uma parte minoritária do capital da TAP. O processo evoluiu, o Governo fez a sua escolha, e neste momento segue-se a elaboração do contrato entre o comprador e o vendedor”, começou por apontar.

“E aquilo que para mim é muito importante é que se continuem a assegurar os interesses estratégicos do nosso país, designadamente a manutenção do hub em Lisboa, a garantia de que há rotas que são importantes para nós, quer rotas internacionais, quer rotas nacionais, designadamente para os arquipélagos da Madeira e dos Açores, mas também no nosso continente. E é isso para mim que é fundamental e crucial”, declarou.

Já quanto à “outra fase, a existir, é uma fase que, no fundo, precisa de quê? De um amplo consenso na sociedade portuguesa e precisa de um debate sereno e um debate racional”, completou o Presidente da República.

Na quarta-feira, o Governo admitiu a privatização total da TAP até 2028, trocando uma parte do capital da companhia aérea por participação social na Lufthansa com o objetivo de recuperar o valor total investido pelos portugueses, anunciou o primeiro-ministro.

O Governo selecionou na quarta-feira a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.

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