José Mourinho assina pelo Benfica até 2027

José Mourinho e o presidente do SL Benfica, Rui Costa com cachecol vermelho 'Quem é o treinador que diz não ao Benfica?' na Academia do Benfica, no Seixal, Portugal, 18 de setembro de 2025. Mourinho é o novo treinador do SL Benfica até 2027. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

José Mourinho é o novo treinador da equipe de futebol do Benfica, com um contrato válido até ao verão de 2027, informou neste dia 18 o presidente do clube da Luz, Rui Costa, em conferência de imprensa, no Seixal.

A contratação de Mourinho surge depois de o clube ter anunciado na madrugada de quarta-feira a saída do treinador Bruno Lage, tendo o Benfica informado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que, 10 dias após o último jogo da época 2025/26, tanto o clube como o treinador podem rescindir contrato.

Mourinho regressa à Luz 25 anos depois de se ter estreado como treinador principal das ‘águias’, na época de 2000/01, então sob a presidência de João Vale e Azevedo, mas sairia três meses depois, em dezembro, já com Manuel Vilarinho como presidente.

Mourinho mostrou-se hoje honrado em ser treinador de futebol do Benfica, assegurando que nenhum clube ‘gigante’ que treinou o fez sentir mais motivado do que o emblema ‘encarnado’, com o qual assinou até 2027.

“Nenhum dos outros gigantes que tive a oportunidade de treinar me fez sentir mais honrado, mais responsabilizado e mais motivado do que ser treinador do Benfica”, considerou José Mourinho, no momento em que foi apresentado como o novo responsável pela equipe de futebol das ‘águias’.

O treinador português, de 62 anos, falou na “cultura” e na “dimensão da nação benfiquista”, reconhecendo ser, neste momento, difícil trabalhar as emoções.

“Quero deixar claro, que para este meu trabalho, e de uma forma muito simplista, sou o treinador de um dos maiores clubes do mundo. Quero-me focar nisto, nesta missão, quero-me centrar no prazer, sob o ponto de vista de treinador, de me focar em algo que é verdadeiramente apaixonante. Palavras, o vento, às vezes, leva-as, mas as atitudes não. A minha promessa é muito clara: vou viver para o Benfica, vou viver para a minha missão. Saí de casa e disse até domingo”, referiu Mourinho.

Na conferência de apresentação, Mourinho esteve ladeado por Rui Costa, com o dirigente a lembrar que o novo técnico é um dos “mais conceituados a nível mundial” e que a vontade foi a de ter um “ganhador”.

“Que seja tão feliz nesta casa como tem sido em outras”, disse Rui Costa.

De volta à ‘casa de partida’

José Mourinho regressou ao Benfica, emblema no qual, há 25 anos, se estreou como técnico principal e se projetou para uma carreira que o consagrou como o treinador português mais bem-sucedido do século XXI, com 26 títulos.

Se em 20 de setembro de 2000, quando rendeu o alemão Jupp Heynckes, o setubalense apresentava-se na Luz como ‘herdeiro’ de Bobby Robson e Louis van Gaal, técnicos que coadjuvara no Sporting, no FC Porto e no Barcelona, hoje sucede ao conterrâneo Bruno Lage com um palmarés em que sobressaem duas edições da Liga dos Campeões e oito campeonatos, em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha.

A segunda aparição de Mourinho de ‘encarnado’ tem, porém, um aspeto em comum com a primeira passagem pela Luz: a contratação pela direção liderada por Rui Costa dá-se em contexto pré-eleitoral, tal como em 2000, quando o presidente em exercício, João Vale e Azevedo, se preparava para disputar as eleições com Manuel Vilarinho.

Então com 37 anos, o treinador alcança seis vitórias em 11 jogos oficiais naquele outono, num ciclo que abriu com um desaire no reduto do Boavista (1-0), equipe que sagrar-se-ia campeã nacional na época 2000/01, e fechou com uma vitória no dérbi com o Sporting (3-0), a 03 de dezembro.

Dois dias depois, Mourinho anuncia a saída do Benfica, numa conferência de imprensa em que se diz sentir um “treinador a prazo”, já sob a liderança de Manuel Vilarinho, eleito presidente em 27 de outubro, ao recolher 62% dos votos no sufrágio com Vale e Azevedo.

Vilarinho candidatara-se com a intenção de entregar o comando técnico a Toni, o ‘timoneiro’ das ‘águias’ nos títulos nacionais de 1988/89 e 1993/94, e cumpriu a promessa, num campeonato que teve como desenlace a pior classificação ‘encarnada’ de sempre, o sexto lugar.

Mourinho reata a carreira no início da época 2001/02, na União de Leiria, equipa que guia até à quarta posição da I Liga, à 19.ª jornada, e transita, em janeiro de 2002, para o FC Porto, equipe que ocupava o quinto lugar sob a tutela de Otávio Machado.

O treinador regressou à cidade ‘invicta’ com a promessa de ser campeão e impôs um estilo de jogo assente no rigor posicional, na pressão alta e em ataques ‘explosivos’ que guia os ‘dragões’ à terceira posição nessa época, ao bicampeonato nacional entre 2002/03 e 2003/04 e às vitórias na Taça UEFA (2002/03) e na Liga dos Campeões (2003/04), com equipes onde sobressaíam Jorge Costa, Costinha ou Deco.

O título europeu de clubes ‘coroou’ um trajeto que captou o interesse do Chelsea, equipa londrina que o multimilionário russo Roman Abramovich adquiriu em 2003, com o intuito de a conduzir ao topo do futebol inglês.

Apresentado nos ‘blues’ em 02 de julho de 2004, numa conferência de imprensa em que se descreveu como ‘special one’, alcunha que até hoje o acompanha, Mourinho constrói uma equipa dominadora nos relvados ingleses, com um ‘núcleo duro’ que incluía Terry e Ricardo Carvalho na defesa, Lampard no ‘miolo’ e Drogba no papel de goleador.

O Chelsea sagra-se bicampeão da Premier League, em 2004/05 e 2005/06, vence uma Taça de Inglaterra (2006/07), duas edições da Taça da Liga (2004/05 e 2006/07) e uma Supertaça (2004/05) até o português terminar essa etapa da carreira em 2007/08 e iniciar a seguinte em 2008/09, no Inter.

Com defesas como Materazzi, Walter Samuel ou Javier Zanetti, o ‘special one’ lidera uma equipe que faz do pragmatismo e da solidez principais ‘armas’ rumo ao bicampeonato italiano (2008/09 e 2009/10) e à conquista da Liga dos Campeões (2009/10), marcada pela meia-final em que os ‘nerazzurri’ superaram o ‘tiki-taka’ do Barcelona, com uma vitória na primeira mão (3-1) e uma derrota na segunda (1-0), em noite de ‘avalanche’ ofensiva ‘culé’.

Escolha do Real Madrid para contrariar a recente hegemonia do ‘Barça’ de Guardiola na I Liga espanhola, o ‘special one’ é copiosamente derrotado no primeiro ‘clássico’ (5-0), em Camp Nou, mas ‘cimenta’ uma equipa montada em torno da ‘veia’ goleadora de Cristiano Ronaldo e Benzema que vence a Taça do Rei logo em 2010/11 e regressa ao topo de ‘La Liga’ na época seguinte, com 100 pontos, recorde da competição.

Incapaz de alcançar o bicampeonato pelos ‘merengues’, o português regressa ao Chelsea na época 2013/14, como ‘happy one’, e, em 2014/25, guia a equipe de Stamford Bridge a nova vitória na Premier League, o seu último título nacional até hoje.

Nas etapas seguintes da carreira, Mourinho alcança um outro feito inédito, o de se tornar o primeiro treinador a vencer todas as competições da UEFA em vigor, ao conquistar a Liga Europa em 2016/17, a principal conquista do Manchester United na era pós-Ferguson, e a Liga Conferência em 2021/22, na primeira edição da prova, ao serviço da Roma.

Eleito melhor treinador do mundo pela FIFA na sequência da época 2009/10, ao serviço do Inter, e melhor treinador do século XXI, entre 2001 e 2020, pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol, José Mário dos Santos Mourinho Félix representou ainda Tottenham e Fenerbahçe, clube que o despediu após a eliminação do play-off da Liga dos Campeões… perante o Benfica.

De regresso ao país natal, com 62 anos, o treinador, que já assumiu o desejo de se tornar selecionador português, reencontra um plantel que já elogiou como adversário, a viver um período de convulsão, que culminou no despedimento de Bruno Lage, quando se aproxima o ato eleitoral de 25 de outubro.

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