Da Agencia Lusa
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Monumentos pré-históricos, termas e estradas construídas na época romana, patrimônio natural único e gastronomia são alternativas que o interior do Algarve, no sul de Portugal, oferece a quem quiser escapar das praias da região. Com o verão já presente na Europa, Monchique, Alcoutim e São Brás de Alportel, os três distritos algarvios sem contato com o mar, apresentam uma oferta turística distinta do litoral, com um patrimônio arqueológico, arquitetônico, natural e gastronômico que revelam outra face do Algarve. "Estes locais têm uma coisa que vai ser cada vez mais considerada uma joia, que é a natureza, algo que nos próximos tempos vai ser considerada uma mais valia. A calma, a gastronomia, os percursos pedestres, a observação da fauna são pedras preciosas que têm que ser lapidadas", explicou o presidente da agência Turismo do Algarve, António Pina. "O interior vai ser cada vez mais descoberto", afirmou, ressaltando que "na Europa defende-se a tese de que o litoral vai até 50 quilômetros da costa", "por isso pode-se dizer que o Algarve é todo litoral". "A proximidade entre o litoral e o interior algarvio é outra das vantagens que há. E há cada vez um interesse maior nas ofertas turísticas relacionadas com natureza", disse ainda António Pina. Opções A serra de Monchique conta com o ponto mais alto do Algarve (Foia, com 904 metros), onde se tem uma vista singular sobre litoral oeste do Algarve, e com a Picota (segundo ponto mais alto) e é uma região rica para percursos pedestres e observação da flora e fauna (águias, falcões, gaios, milhafres, rouxinóis e melros). As caldas de Monchique e as termas, criadas na época romana, são outros pontos de interesse de Monchique, assim como o seu centro histórico, onde está situada a igreja matriz, edificada no século 16 e reconstruída após o terremoto de 1755. O artesanato e a gastronomia dominada pela carne de porco, as linguiças, o presunto, o mel e os doces típicos também são marcas do local. Em Alcoutim, um dos distritos mais desertificados do país, o rio Guadiana serve de espelho a uma vila fronteiriça que tenta revitalizar-se economicamente através do turismo de natureza e que tem na tranquilidade uma das suas imagens de marca. O castelo da vila, a igreja matriz ou vestígios arqueológicos como o menir de Lavajo (monumento megalítico com 3,14 metros) podem também ser visitados no distrito, cuja vida rural está representada no artesanato e nos seus vários núcleos museológicos. Diversos percursos a pé e uma gastronomia fortemente marcada pela caça (Alcoutim dispõe de quase metade das zonas de caça turísticas da região), a carne de porco e a carne de borrego são outras das imagens de marca da localidade, que oferece ainda aos visitantes mais saudosos da areia uma praia fluvial (Pego do Fundo) situada num afluente do Guadiana. São Brás de Alportel conta, por seu turno, com um centro histórico e um patrimônio edificado (capela de São José de Alportel, Igreja de São Romão e museu do Trajo de São Brás de Alportel) que são pontos de interesse para os visitantes. O local, que teve sua evolução ligada à cortiça, conta ainda com um rico patrimônio arqueológico, como a calçadinha de São Brás de Alportel, uma via romana milenar que se pensa ter feito a ligação entre Faro e Beja e dispõe de um centro explicativo onde se pode ver algum do espólio descoberto durante os trabalhos de arqueologia. As estreitas ruas de São Brás, a igreja matriz do século 15 e o antigo palácio episcopal, antiga residência de veraneio dos bispos do Algarve, cujas origens remontam ao século 16 e das quais restam um jardim e uma fonte de oito bicas, também são locais procurados pelos visitantes. São Brás conta ainda com um itinerário pelo Barrocal, que passa pela Ermida de São Romão, onde foi encontrada, no século 19, um monumento funerário, em forma de ara, trabalhado nas quatro faces.
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