Incêndios: Sexta-feira será dia “muito complicado” – Presidente 

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (E), durante a reunião semanal com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, realizada na Câmara Municipal de Faro, 13 de agosto de 2025. RICARDO NASCIMENTO/LUSA

[Atualizado 21h]

Na noite de quarta-feira, o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, alertou que a sexta-feira será um dia “muito complicado” em termos de meteorologia para o combate aos incêndios florestais que assolam o país.

Marcelo Rebelo de Sousa avisou que o dia de sexta-feira é o que mais preocupa porque vai haver uma “convergência de condições” meteorológicas e físicas que são favoráveis ao agravamento dos fogos florestais.

O chefe de Estado falou aos jornalistas na Câmara de Faro, acompanhado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, após a reunião semanal entre os dois, que se realizou no Algarve, em vez de no Palácio de Belém, em Lisboa, por ambos se encontrarem em períodos de férias na região.

“Na base das previsões meteorológicas do dia, comparando com todos os dias já vividos este ano, “o que mais preocupa é a sexta-feira que vem”, afirmou o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa frisou que “há uma convergência de condições objetivas, meteorológica e física, que pode apontar para uma situação muito propícia à permanência e ao agravamento do ponto de vista dos incêndios”.

“Chamo a atenção dos portugueses que temos ainda esta semana pela frente, certamente, um dia muto complicado”, realçou, acrescentando que a situação está a ser acompanhada por todos, Presidência e Governo, já que o desafio “é de ajustamento permanente e vai continuar nas próximas semanas”.

O Presidente da República realçou ainda o esforço que está a ser feito por todos no combate aos fogos, desde os operacionais ao Governo e autarquias.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, “o esforço que está ser exigido é uma brutalidade, porque são dias e noites em condições que se prolongam no tempo”, e agradeceu aos partidos e movimentos que se têm abstido de usar a situação dos incêndios em campanha eleitoral.

“Estou feliz como Presidente da República por ter a certeza de que nenhum candidato a nenhuma eleição utilizará o tema dos incêndios como tema de campanha eleitoral. Não é um aviso, é um agradecimento àquilo que tem sido um comportamento cívico exemplar dos portugueses e todos compreenderão que era muito tentador, muito tentador aproveitar os fogos para efeitos de campanhas”, notou.

Questionado sobre se durante a reunião com o primeiro-ministro foi abordado o tema da lei dos imigrantes, Marcelo Rebelo de Sousa escusou-se a responder, alegando que atualmente o que importa aos portugueses é a situação dos fogos.

A habitual reunião semanal entre o chefe de Estado e o líder realizou-se em Faro, e não no Palácio de Belém, como tradicionalmente, já que ambos se encontram a gozar um período de férias no Algarve.

Este foi o primeiro encontro entre ambos após a declaração de inconstitucionalidade pelo Tribunal Constitucional de cinco normas da lei de estrangeiros, com o consequente veto do Presidente da República e devolução à Assembleia da República.

Situação

A situação de alerta devido ao risco agravado de incêndio foi prolongada até domingo, anunciou hoje a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, após uma visita à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

“Perante a adversidade de 22 dias consecutivos de calor intenso não dar sinais de abrandar, o Governo vai prolongar uma vez mais a situação de alerta, até domingo”, anunciou a ministra em declarações aos jornalistas.

Maria Lúcia Amaral sublinhou que se mantêm todas as restrições e proibições impostas pela situação de alerta de risco agravado de incêndio.

A governante começou por expressar a sua solidariedade e a do Governo para com as populações e os autarcas das regiões afetadas “perante esta calamidade, esta adversidade tão intensa” de “22 dias consecutivos de uma onda de calor ininterrupta”.

Maria Lúcia Amaral considerou que os incêndios que têm afetado o país vão ter “repercussões irreversíveis na vida das populações”.

Portugal está em situação de alerta devido ao risco de incêndio desde 02 de agosto e nas últimas semanas têm deflagrado vários incêndios no norte e centro do país que já consumiram mais de metade dos cerca de 75 mil hectares de área ardida este ano.

O Exército português já mobilizou mais de 3.200 militares para o combate aos incêndios no país, mantendo 35 patrulhas diárias em ações de vigilância e deteção de fogos, anunciou hoje este ramo das Forças Armadas.

Incêndios

Nesta noite, mais de 2.700 operacionais combatiam os seis principais incêndios em Portugal continental, com os de Arganil (Coimbra), Sátão (Viseu) e Trancoso (Guarda) a concentrarem o maior número de meios.

De acordo com a página na Internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), estavam no terreno 2.791 operacionais e 913 meios terrestres nestes seis incêndios a 0h45.

O fogo de Arganil, onde deflagrou na freguesia do Piódão na madrugada de quarta-feira, alegadamente provocado por uma descarga elétrica da trovoada seca que se fez sentir naquela zona, era o que mantinha pelas 23:15 mais meios no terreno, com 813 operacionais.

Este incêndio lavrava na quinta-feira de manhã em Pampilhosa da Serra e estendeu-se aos municípios de Oliveira do Hospital e de Seia, este já no distrito da Guarda.

O fogo em Vila Boa, Ferreira de Aves, no concelho de Sátão, distrito de Viseu, que começou na madrugada de quarta-feira e, no mesmo dia, chegou aos municípios de Sernancelhe, também no distrito de Viseu, e ao de Aguiar da Beira, distrito da Guarda, mantinha pelas 00:45 mais de 750 operacionais no terreno.

Já no fogo que deflagrou em Trancoso, distrito da Guarda, estavam empenhados 508 operacionais, num incêndio que alastrou para os concelhos de Fornos de Algodres, Aguiar da Beira, Celorico da Beira e Sernancelhe.

Ainda no concelho de Trancoso, um fogo com início na quarta-feira em A-do-Cavalo mobilizava 70 operacionais.

O incêndio na serra da Lousã, distrito de Coimbra, que começou na quarta-feira, mobilizava 315 operacionais, depois de durante a tarde ter evoluído “com duas frentes” e obrigado à retirada preventiva de 53 pessoas de várias aldeias.

O fogo que lavrava na quinta-feira à noite nos concelhos de Portalegre e de Castelo de Vide com “três frentes ativas”, mantinha pelas 00:45 de hoje 322 operacionais.

Já dominados, mas ainda ocorrências significativas, o incêndio de Tabuaço (Viseu) mantinha no terreno 205 operacionais, o de Sirarelhos, Vila Real, que consumiu a serra do Alvão, tinha no local 178 operacionais, o de Cinfães (Viseu), mantinha 139 operacionais e o de Vinhais (Bragança), mantinha 51 operacionais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também