Incêndios: Primeiro-ministro apela à serenidade e ao “espírito de unidade nacional”

Populares observam o incêndio que lavra na freguesia de Lourido, Ponte da Barca, 29 de Julho de 2025. HUGO DELGADO/LUSA

O primeiro-ministro apelou hoje à serenidade e ao “espírito de unidade nacional” para a resolução do “drama” dos incêndios em Portugal e anunciou que o Governo está já a trabalhar no apoio às populações afetadas.

Questionado sobre os incêndios que afetam principalmente o norte país e as queixas sobre a falta de meios, nomeadamente aéreos, Luís Montenegro disse perceber que um “autarca ou um popular possa exprimir a sua preocupação” e que “isso é perfeitamente normal”.

“Quando somos confrontados com situações que são de aflição queremos ter a resposta perto de nós e isso é legítimo, nós sabemos disso, mas nós estamos a fazer esse esforço e isso parece-me que é indiscutível e, portanto, mais do que criar qualquer tipo de polémica, aquilo que eu queria era apelar à serenidade e apelar também ao espírito de unidade nacional para podermos todos colaborar na resolução de um drama que nos preocupa a todos”, afirmou.

O primeiro-ministro adiantou ainda que o Governo, através do ministro da Economia e da Coesão Territorial, já está a “criar condições para o apoio posterior à resolução destes incêndios, para que as pessoas possam recuperar rapidamente as condições para terem as suas vidas normalizadas”.

Luís Montenegro, que falava aos jornalistas na aldeia de Sanfins, Valpaços, onde inaugurou o Centro de Relevância Alzheimer e Parkinson Portugal, realçou que este ano Portugal tem “o maior dispositivo de sempre mobilizado e preparado para poder acorrer às múltiplas solicitações que infelizmente nos dias de maior adversidade meteorológica sempre acontecem”.

“Nós temos tido uma política de prevenção cada vez mais intensa, multidisciplinar. Não é por acaso que nós também vemos na agricultura um setor económico estratégico”, frisou ainda.

O primeiro-ministro salientou que o Governo tem “atuado na prevenção, no ordenamento florestal” e lembrou que há “um plano florestal que está hoje em cima da mesa”.

Mas, ao mesmo tempo, referiu que é preciso estar preparado para poder intervir do ponto de vista da dissuasão, “com uma política repressiva também firme”.

“E eu quero também aqui destacar o aumento de duas para cinco equipas de investigação criminal que promovemos este ano, com a interação de todas as forças que têm capacidade investigatória, mas à cabeça das quais a Polícia Judiciária, que tem sortido efeito e que vai continuar a ser uma prioridade deste Governo e das forças de segurança”, sublinhou.

Perante a insistência das perguntas sobre a falta de meios, Luís Montenegro respondeu: – “Nós temos meios, agora, nas situações de crise é sempre muito difícil fazer essa gestão, nós não temos capacidade ilimitada (…) e nós temos também meios aéreos que são aqueles que respondem às necessidades que o sistema e todo o dispositivo necessita, mas que em horas de crise, naturalmente, têm uma dificuldade de gestão maior”.

“Não vale a pena, por estes dias, nós estarmos concentrados em polemizar quando nós temos que estar concentrados em combater e em responder àquilo que é a nossa prioridade máxima, que é fazer com que sejamos capazes de proteger as pessoas, as suas vidas e depois também o seu património”, acrescentou Montenegro.

O chefe do Governo reiterou ainda o apelo para que “não haja comportamentos de risco”, realçou que em Ponte da Barca, Arouca, Santarém ou Niza se está a “empreender toda a capacidade” e referiu que não há um “estalar de dedos” que resolva o problema.

Luís Montenegro insistiu por várias vezes no apelo à serenidade.

“Eu não estou a dizer que não se tenha que escrutinar aquilo que está a acontecer, com certeza, mas ter alguma serenidade e não estarmos agora nós próprios a contribuir para adensar a intranquilidade das populações que já sofrem muito quando são confrontadas com a inquietação de ver as chamas aproximarem-se dos seus pertences, das suas casas e, portanto, de porem em perigo aquilo que é a sua vida normal”, referiu.

Proteção Civil

Os “grandes esforços” desta noite vão para o fogo em Ponte da Barca, disse  à Lusa fonte do Comando Nacional de Proteção Civil, destacando que lavram em território outros três incêndios de grande dimensão-

A mesma fonte, adiantou que envolvidos no incêndio de Ponte da Barca estão neste momento 564 operacionais, entre os quais se incluem os que foram hoje lançados por via aérea, para zonas inacessíveis por terra, e mais 183 veículos.

Do trabalho deste grupo de 50 pessoas que colocadas no combate ao fogo por meios aéreos, “espera-se que haja bons resultados esta noite”, adiantou o comandante Pedro Araújo, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Isto, depois de o vice-presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca ter anunciado que cerca de 60 pessoas foram retiradas na noite de hoje das suas habitações, por razões de segurança, face à proximidade das chamas do incêndio que deflagrou, sábado, no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

O PNPG abrange os distritos de Braga (concelho de Terras de Bouro), Viana do Castelo (concelho de Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca) e Vila Real (concelho de Montalegre), numa área total de cerca de 70.290 hectares.

Quanto aos outros três grandes fogos em curso, Arouca, Penafiel e Cinfães, este último é o que suscita menos preocupação, porque é numa zona de mato, sem habitações nas proximidades e tem apenas uma frente ativa, adiantou o responsável da Proteção Civil.

Já em Arouca, estão a combater este incêndio 476 bombeiros e 177 veículos, é o fogo já tem quatro das cinco frentes ativas dominadas, mas a que está ativa é numa zona de difíceis acessos e é uma zona também com habitações.   

Mas está “seguramente muito mais estável” do que ao longo do dia de hoje, graças ao trabalho dos bombeiros e dos meios aéreos e ainda à ajuda dos ventos a uma ligeira baixa das temperaturas, explicou o responsável da Proteção Civil.

Em relação ao incêndio de Penafiel, a situação também está “mais estabilizada”, acrescentou. Tem uma frente em rescaldo, outra ativa, mas a ceder aos meios, e uma outra ainda com alguma intensidade. No local, estão 239 bombeiros e 61 veículos e o fogo lavra em zona e mato mas também de habitações, frisou.

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