Incêndios: Douro Internacional volta a ter três frentes ativas  devido a reacendimento

Um popular observa um incêndio perto da Aldeia de Galegos da Serra no concelho de Vila Real, 5 de agosto de 2025. Cinco reativações no incêndio de Vila Real registaram-se hoje à tarde, com o de Galegos da Serra a causar mais preocupações por se aproximar da aldeia onde foi feito o confinamento da população. PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

O incêndio que deflagrou na tarde de sexta-feira no concelho de Freixo de Espada à Cinta, na área protegida do Douro Internacional, volta a ter hoje três frentes ativas devido às condições meteorológicas adversas, avançou a Proteção Civil.

Estas três frentes de fogo ativas estão nos concelhos de Freixo de Espada à Cinta, de Mogadouro e Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança.

Uma das três frentes ativas do incêndio lavra nas arribas do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), no concelho de Freixo de Espada à Cinta.

Em declarações à agência Lusa, o comandante sub-regional das Terras de Trás-os-Montes, João Noel Afonso, disse que os pontos quentes que existiam ao início da tarde, se transformaram em frentes ativas, devido às projeções e reacendimentos provocados pelos ventos fortes.

“Foi uma tarde muito complicada, como já prevíamos, devido às condições climatéricas adversas, com o vento a soprar forte o que criou projeções e reacendimentos e criou condições negativas para o desenvolvimento do combate ao fogo”, vincou o operacional.

A dificultar o combate durante a tarde esteve também o fumo que se abateu neste território, o que não permitiu a atuação de meios aéreos.

Segundo João Noel Afonso, a principal preocupação para quem está no terreno são condições climatéricas adversas com ventos fortes e inconstantes na sua direção e a pouca humidade relativa para o período noturno.

De acordo com o comandante sub-regional das Terras de Trás-os-Montes, este incêndio já consumiu mais de 10 mil hectares de terreno desde o seu começo, ao início da tarde da passada sexta-feira.

Situação

Mais de 3.500 operacionais combatem hoje os maiores incêndios no continente, com a maioria dos operacionais destacados na Lousã e Arganil, distrito de Coimbra, e nos fogos que deflagram em Sátão, Viseu, e Trancoso, Guarda, segundo a Proteção Civil.

De acordo com a página na Internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), estavam no terreno às 00:00 um total 3.597 operacionais nas zonas mais afetadas, apoiados por 1.194 meios terrestres.

O incêndio em Arganil, no distrito de Coimbra, que deflagrou na quarta-feira, mobilizava 821 operacionais e 289 meios terrestres, enquanto na Lousã, no mesmo distrito, estavam destacados 503 operacionais, com 157 veículos.

O incêndio que deflagrou em Sátão na quarta-feira uniu-se ao incêndio que começou em Trancoso há mais de uma semana (dia 09), alastrando-se a 11 municípios do distrito de Viseu e da Guarda.

Os 11 municípios são: Sátão, Sernancelhe, Moimenta da Beira, Penedono e São João da Pesqueira (distrito de Viseu); Aguiar da Beira, Trancoso, Fornos de Algodres, Mêda, Celorico da Beira e Vila Nova de Foz Côa (distrito da Guarda).

A página oficial na Internet da ANEPC tem os meios distribuídos pelos dois incêndios de origem.

Assim, segundo a Proteção Civil, pelas 00:00 no incêndio de Sátão estavam empenhados 721 operacionais e 244 veículos, enquanto para as frentes que tiveram origem em Trancoso estavam destacados 433 operacionais, apoiados por 144 viaturas.

O incêndio em Poiares, Freixo de Espada à Cinta (Bragança), na região do Douro, com início na sexta-feira, empenhava 257 operacionais e 93 meios terrestres, enquanto o fogo no Sabugal (Guarda) contava com 185 operacionais e 54 veículos.

Também na Guarda, em Pêra do Moço, o combate às chamas envolvia 160 operacionais e 60 veículos.

Já em Tarouca, no distrito de Viseu, estavam 127 operacionais, apoiados por 34 veículos.

No distrito de Vila Real, em Mondim de Basto, um incêndio levava à mobilização de 175 operacionais, que contavam com o apoio de 52 veículos.

Portugal continental tem sido afetado por múltiplos incêndios rurais desde julho, sobretudo nas regiões Norte e Centro, num contexto de temperaturas elevadas que motivou a declaração do estado de alerta, em vigor até domingo.

Os fogos provocaram um morto e vários feridos, na maioria sem gravidade, e destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias e área florestal.

Portugal ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, ao abrigo do qual deverão chegar, na segunda-feira,  dois aviões Fire Boss para reforço do combate aos incêndios.

Segundo dados oficiais provisórios, até 16 de agosto arderam 139 mil hectares no país, 17 vezes mais do que no mesmo período de 2024. Quase metade desta área foi consumida em apenas dois dias desta semana.

Oliveira

O incêndio que na sexta-feira atingiu o município de Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, destruiu duas casas de primeira habitação em Vila Pouca da Beira, de acordo com União de Freguesias.

Segundo o presidente da União de Freguesias de Santa Ovaia e Vila Pouca da Beira, Bruno Amado, as chamas destruíram duas casas habitadas na localidade de Vila Pouca da Beira cujos moradores foram realojados por familiares.

Na sexta-feira a freguesia foi surpreendida por uma frente de fogo proveniente de Avô e de Aldeia das Dez (município de Oliveira do Hospital), que entrou por Santa Ovaia, e uma segunda, proveniente de Digueifel, oriunda de Anceriz (município de Arganil), que atingiu Vila Pouca da Beira.

Bruno Amado referiu hoje à agência Lusa que uma das habitações “está inabitável” e “terá que ter uma intervenção profunda para que possa ter condições para voltar a ser habitada”.

A União de Freguesias disponibilizou um espaço para acolher os moradores, mas foram realojados em casa de familiares: “A situação, para já, está resolvida, carecendo depois, quando possível, darmos cabimentação àquilo que vai ser a requalificação da casa, dentro das nossas disponibilidades.”

A outra casa atingida pelas chamas, onde residia um homem, também em Vila Pouca da Beira, “perdeu-se por inteiro”.

O morador “está com os pais” e “estão todos bem”, disse, indicando que também foram salvos alguns animais (cães e ovelhas).

Está em curso uma campanha solidária para reerguer a habitação destruída, mas a autarquia também ficará atenta à situação.

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