Da Agencia Lusa
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A epidemia de cólera que já infectou mais de 12 mil pessoas e matou 205 na Guiné-Bissau está "fora de controle", segundo afirmação das agências das Nações Unidas, nesta quarta-feira 24 de outubro. A epidemia está "excepcionalmente difícil de controlar e está espalhada por todo o país", frisou a porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Vérónique Taveau, durante uma entrevista coletiva em Genebra. A doença, endêmica no país e recorrente todos os anos, "desenvolve-se atualmente sem controle, com o risco de se propagar aos países vizinhos", preveniu também a porta-voz do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), Elisabeth Byrs. "A cólera faz mil novos casos por mês", acrescentou a porta-voz, detalhando que a capital, Bissau, é a mais atingida, com mais de oito mil casos. Entre 24 de agosto e 21 de outubro, a propagação da doença acelerou com 4.871 novos casos, entre os quais 915 crianças com menos de 14 anos, ou seja, 18% do total de doentes, de acordo com dados da UNICEF. A Agência da ONU está particularmente preocupada com o início da campanha eleitoral para as legislativas previstas para 16 de novembro porque, diz a porta-voz, "as grandes multidões favorecem a propagação da doença". Segundo a UNICEF, a doença propaga-se facilmente pelo país devido a três fatores: o mau estado do sistema de saneamento, a falta de acesso à água potável – especialmente na capital, onde 80% da população não tem acesso à água corrente – e um ritual funerário, segundo o qual as famílias bebem a água que serviu para limpar o morto. A ONU mobilizou mais US$ 1 milhão para o país, mas a OCHA "gostaria de ter mais financiamento, especialmente para a prevenção" das doenças, indicou a porta-voz da organização. Também chamada de "doença das mãos sujas", a cólera é uma infecção intestinal altamente contagiosa, que se manifesta por violentas diarréias e uma forte desidratação.
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