A economia portuguesa cresceu 2,4% no terceiro trimestre, em termos homólogos, e 0,8% em cadeia, impulsionada pela procura interna, confirmou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Estes números confirmam a estimativa rápida divulgada no final de outubro pelo INE, representando uma aceleração do Produto Interno Bruto (PIB) tanto face ao período homólogo como face ao trimestre anterior.
Segundo explica o gabinete de estatísticas, o “contributo negativo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB foi menos acentuado no 3.º trimestre, refletindo simultaneamente a desaceleração das importações de bens e serviços e o aumento das exportações de bens e serviços”.
Já a procura interna deu um contributo positivo para o crescimento da economia, ainda que menor do que no segundo trimestre, refletindo a desaceleração do investimento.
No que diz respeito à variação em cadeia, o contributo da procura externa líquida piorou, “com a aceleração das Importações de Bens e Serviços a superar a evolução das Exportações de Bens e Serviços, que aumentaram”.
Por outro lado, o contributo positivo da procura interna aumentou para 1,4 p.p., “verificando-se crescimentos mais intensos do consumo privado e do investimento”.
Para o conjunto do ano, o Governo inscreveu no Orçamento do Estado um crescimento de 2%. É o mais otimista entre as instituições que seguem a economia portuguesa, que apontam todas para um crescimento de 1,9% em 2025.
Desemprego
A taxa de desemprego baixou para 5,9% em outubro, com o número de desempregados a recuar para 329,1 mil, revelou o INE.
De acordo com as Estimativas Mensais, a taxa de desemprego recuou 0,1 ponto percentuais em relação a setembro, mês em que o nível de desemprego abrangia 6% da população ativa.
Com a melhoria no mercado de trabalho, a população desempregada recuou de 336,4 mil em setembro para 329,1 mil, o que representa uma diminuição quer em relação ao mês anterior (em 7,3 mil pessoas), quer em relação a três meses antes (em 4,0 mil pessoas), quer ainda em relação a outubro de 2024 (em 30,2 mil pessoas), indica o INE.
O nível de desemprego em outubro, de 5,9%, também é inferior “ao do mesmo mês do ano anterior” (em 0,1 pontos percentuais), continuando “idêntico ao de três meses antes”, refere o instituto.
Em outubro, “a taxa de desemprego de mulheres (6,6%) superou a de homens (5,2%) em 1,4 pontos percentuais, correspondendo esta última à taxa mais baixa nos últimos 10 anos”, indica o INE.
Tanto a taxa de desemprego de adultos (dos 25 aos 74 anos) como a taxa de desemprego de jovens (dos 16 aos 24 anos) registaram uma diminuição. A dos adultos diminuiu 0,1 pontos percentuais face a setembro e passou para 5,0%, e a taxa de desemprego jovem decresceu 0,3 pontos percentuais e ficou em 18,3%.
A população ativa diminuiu relativamente a setembro em 19,9 mil pessoas, passando para 5,6 milhões (5.608,5 mil), mas aumentou em relação a julho deste ano (em 10,3 mil) e em relação ao período homologo (em 140,9 mil).
A população empregada totalizou 5,2 milhões em outubro (5.279,4 mil), diminuindo em relação ao mês anterior (em 12,6 mil pessoas) e aumentando face a três meses antes (em 14,3 mil) e ao mês homólogo (em 171,0 mil).
Além de se registrar uma quebra na taxa de desemprego, também se verificou uma descida na taxa de subutilização do trabalho, que passou para 10,1%, ficando 0,1 pontos percentuais abaixo da percentagem de setembro (10,2%).
Este indicador é divulgado pelo INE em complemento ao da taxa e desemprego para refletir os níveis de subutilização do trabalho.
Para isso, contabiliza, além da população desempregada, as situações de subemprego de trabalhadores a tempo parcial, de trabalhadores inativos que procuraram emprego nas quatro semanas anteriores ao inquérito do INE mas que não estavam disponíveis para começar a trabalhar nas duas semanas seguintes, e ainda de trabalhadores inativos disponíveis para trabalhar nas duas semanas seguintes mas que não procuraram emprego nas últimas quatro semanas.
Ao todo, o INE contabiliza 579,4 mil pessoas como estando em situação de subutilização do trabalho em outubro.
De acordo com dados anteriores do INE, divulgados em 05 de novembro, a taxa de desemprego do terceiro trimestre (de julho a setembro) foi de 5,8%.
Inflação
Já a taxa de inflação homóloga abrandou para 2,2% em novembro, 0,1 pontos percentuais abaixo da variação de outubro, segundo a estimativa provisória.
Comparativamente com o mês anterior, a variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC) terá sido de -0,3% (nula em outubro e -0,2% em novembro de 2024), aponta o instituto estatístico.
O indicador de inflação subjacente – que exclui produtos com preços mais voláteis, como alimentos não transformados e energia – terá registado em novembro uma variação de 1,9%, taxa inferior em 0,2 pontos percentuais à de outubro.
Já a variação do índice relativo aos produtos energéticos foi de -0,9% (-1,2% em outubro), enquanto a do índice referente aos produtos alimentares não transformados desacelerou ligeiramente para 6,0% (6,1% no mês anterior).
Nos últimos 12 meses, o INE estima uma variação média do IPC de 2,4% (valor idêntico no mês anterior).
Quanto ao Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português, indicador que permite a comparação com outros países europeus, terá registado uma variação homóloga de 2,1% em novembro, contra 2,0% no mês precedente.
Os dados definitivos referentes ao IPC do mês de novembro de 2025 serão divulgados pelo INE em 12 de dezembro.




