Um deputado de Macau propôs hoje o desenvolvimento local do setor dos jogos eletrónicos, podendo o território servir de interlocutor entre a China e o Brasil, “o maior mercado” de utilizadores dos jogos chineses na América do Sul.
O deputado Chao Ka Chon notou que o setor está “a crescer significativamente” na China e referiu hoje na Assembleia Legislativa (AL) de Macau que este “não só cria benefícios económicos diretos e abundantes, como também contribui para a inovação em indústrias relacionadas”.
O parlamentar, do grupo de membros nomeados pelo Governo, apresentou dados do panorama chinês no plenário: no primeiro semestre de 2025, apontou, só em Xangai, o volume total de vendas de jogos ‘online’ foi de 93,6 mil milhões de patacas (10,1 mil milhões de euros), com um aumento homólogo de 10,8%. Desse total, as vendas de jogos no exterior foram de 16,3 mil milhões de patacas (1,76 mil milhões de euros), um crescimento homólogo de 11,12%, concretizou.
Na AL, Chao referiu que, em colaboração com o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento e da Direção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico, foi levada a cabo uma investigação sobre a área, “tendo-se verificado que esta apresenta uma elevada compatibilidade com as condições únicas de Macau, possuindo vantagens de baixo custo de investimento e alta taxa de retorno, podendo ainda resolver a curto prazo os atuais problemas sociais e económicos” desta região do sul da China.
O também vice-presidente da direção da Associação Promotora das Ciências e Tecnologias de Macau sugere criar localmente entidades especializadas na captação de investimento para o setor.
Além disso, avaliou, há que aproveitar as “condições favoráveis de Macau”, como a “baixa taxa de impostos face ao nível elevado de receitas” e “a ligação ilimitada da internet ao exterior”.
Condições que, avaliou, “sobressaem comparativamente à complexidade dos pedidos de ligação à rede exterior no Interior da China, às dificuldades das empresas do interior da China de recorrer à Apple Store e ao Google Play, entre outros recursos para conseguir o emparelhamento dos negócios, e dificuldades de circulação de capitais dentro e fora do país”.
O deputado sugeriu ainda desenvolver o papel de Macau “como interlocutor” entre a China e o universo lusófono, “sobretudo quanto à exploração dos mercados destes países, nomeadamente o Brasil”.
“Na América do Sul, o Brasil é, neste momento, o maior mercado de jogadores do setor de jogos da China. Em cada ano, a receita é de 10,4 mil milhões de patacas [1,12 mil milhões de euros], e o número de jogadores nesse mercado supera os 100 milhões”, reforçou no período antes da ordem do dia.
A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau.
Entre as várias sugestões, Chao propôs ainda a abertura de cursos profissionais na área, além da criação de “uma via verde exclusiva para Macau facilitar a entrada das empresas”.
Pediu ainda apoio político para “a fase inicial do desenvolvimento das indústrias”, incluindo subsídios, redução ou isenção das rendas e corte nos impostos para as despesas de investigação.
“Macau é líder na Ásia no âmbito do turismo e entretenimento, pelo que podemos ser pioneiros na captação da indústria tecnológica de jogos eletrónicos e cultura, desenvolvendo esta indústria de forma pragmática, pois esta indústria pode trazer-nos benefícios imediatos no âmbito do desenvolvimento diversificado da economia”, concluiu.
Como resposta à necessidade de diversificação da economia do território, profundamente dependente do jogo, as autoridades de Macau têm lançado diferentes políticas para criar outras fontes de receitas, nomeadamente nas áreas da saúde, das finanças modernas, da tecnologia de ponta, das convenções e exposições, da cultura e do desporto.




