COP30: Trabalhos retomados após incêndio, negociações podem ser prolongadas

Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

Da Redação com agencias

O número de pessoas assistidas devido ao incêndio de quinta-feira na conferência do clima de Belém, no Brasil, foi atualizado para 21 pelo Ministério da Saúde brasileiro, que afirma não haver registros graves.

“Do total de casos, 19 estão relacionados à inalação de fumaça e dois a crise de ansiedade após o ocorrido. Não houve registro de pessoas feridas pelas chamas com queimaduras”, escreve o ministério numa nota enviada aos jornalistas.

Prevista para terminar nesta sexta-feira (21), a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, pode ser prorrogada por mais tempo para que as negociações alcancem o necessário consenso em torno das pautas climáticas em debate.

Essa é a constatação do presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, que em entrevista à TV Brasil avaliou os impactos do incêndio em um estande da Zona Azul, a área oficial das negociações, que levou à suspensão das atividades na sede da conferência ao longo da tarde. O local foi reaberto na noite desta quinta-feira (20).

“Realmente, as coisas mudaram um pouco. Estamos trabalhando nas consultas dos grupos regionais, estamos trabalhando nisso online e por telefone. Amanhã [21], como reabriu a Zona Azul, teremos negociações de manhã e durante todo o dia. Então, vamos ver até quando dura, você sabe que as COPs, em geral, duram mais do que o previsto. Estávamos querendo adiantar, mas vamos ver como fazer amanhã”, afirmou Corrêa do Lago.

“Todo mundo já notou, com a cobertura de vocês, que as negociações são complexas, a geopolítica está difícil, questão financeira. Mas a gente está sentindo que há vontade de um resultado bom e ambicioso aqui em Belém”, ponderou.

Para o presidente da COP30, é fundamental que a conferência dê um bom resultado, sob pena de descredibilizar o multilateralismo e a capacidade de oferecer resultados e impactar positivamente a vida das pessoas.

O ministro do Turismo, Celso Sabino, disse que as primeiras informações indicam que o fogo ocorreu na área em que estão os estandes dos países. Segundo ele, as lonas do pavilhão são antichamas, o que impediu a propagação do fogo. O  fogo foi controlado em aproximadamente seis minutos e o público foi evacuado em segurança, conforme os protocolos previstos. 

Combustíveis

Nesta sexta-feira, a presidência brasileira da COP30 publicou uma nova proposta de acordo, que não contém qualquer referência ao abandono dos combustíveis fósseis, questão que tinha sido exigida por dezenas de países.

Ao longo das sete páginas da proposta da presidência da 30.ª conferência da ONU, intitulada Mutirão Global: Unindo a humanidade em uma mobilização mundial contra as mudanças climáticas e publicada hoje de madrugada, não há uma única referência aos combustíveis fósseis.

A necessidade de uma transição para o abandono dos combustíveis fósseis foi mencionada oficialmente pela primeira vez na COP28 no Dubai, sem clarificar como nem quando, mas o Presidente brasileiro lançou logo na abertura da COP30.

A ideia de um roteiro para o abandono e o primeiro rascunho apresentado na terça-feira pelo Brasil apresentava opções a serem negociadas.

No entanto, o texto hoje conhecido, publicado no último dia oficial da conferência, limita-se a reconhecer os “níveis recordes de capacidade global de energia renovável e investimentos em energia limpa”.

Mais de trinta países escreveram na quinta-feira à presidência brasileira da conferência climática da ONU (COP30) a pedir que incluísse um roteiro para a eliminação gradual das energias fósseis, segundo um texto citado pela France-Presse

“Estamos profundamente preocupados com a proposta atual, a aceitar ou a rejeitar”, escrevem a Colômbia, França, Reino Unido, Alemanha, entre mais de três dezenas de países, de acordo com uma lista fornecida pela delegação colombiana à AFP.

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