Neste 10 novembro, a 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30) começou em Belém, Brasil, com o presidente da reunião anterior a pedir que se tornem efetivas as metas aprovadas no ano passado.
A abertura das duas semanas de negociações foi feita pelo presidente da COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, Mukhtar Babayev, que apelou para que se “tornem efetivas” as metas da cimeira climática do ano passado.
“Em Belém, devemos avançar com os compromissos financeiros assumidos em Baku”, disse Babayev antes de passar a presidência da conferência para o Brasil.
Por aclamação foi depois eleito presidente da COP30 o embaixador André Corrêa do Lago, que já vinha exercendo essa função.
O responsável disse no discurso inicial que a COP30 será de implementação mas também de adaptação, e que será uma COP para ouvir e acreditar na ciência, após o que declarou formalmente aberta a conferência.
A COP30 foi antecedida, na semana passada, por uma cimeira de chefes de Estado e de Governo, que juntou cerca de 60 líderes.
Na altura o secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou-se pessimista quanto à subida das temperaturas globais não ir além de 1,5ºC (graus celsius) acima da época pré-industrial, uma meta aprovada há 10 anos no Acordo de Paris sobre o clima.
Hoje, na sessão de abertura da COP, Simon Stiell, secretário executivo da ONU para as alterações climáticas, citou a ciência para dizer que ainda é possível impedir um aumento da temperatura acima dos 1,5ºC, após um desvio acima desse valor.
Simon Stiell salientou que ainda há muito trabalho para fazer na luta climática e que é preciso agir “muito mais rápido” porque os desastres climáticos “consomem duas casas decimais” do PIB global, além de provocarem milhares de mortes.
Hoje, afirmou, as energias solares e eólica já são mais baratas do que as fósseis em 90% do mundo, acrescentando que é o momento de triplicar a produção de energias renováveis.
E a COP30 deve também colocar em prática o que foi decidido na COP29, nomeadamente em relação aos 1,3 biliões de dólares para a transição justa dos países menos desenvolvidos.
Os países em desenvolvimento insistem em negociar em Belém como alcançar esses 1,3 biliões de dólares para atingir as suas metas climáticas.
Outro objetivo dos negociadores será o de estabelecer, por consenso, uma série de indicadores de adaptação. Até à data, está a ser considerada uma lista de cem elementos. Isto permitirá medir quais os países mais vulneráveis à emergência climática e agir em conformidade.
A apresentação de novas metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa está também na agenda da conferência que hoje começou.
novas metas
O número de países com novas metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) subiu para 113, na véspera da conferência.
Os países, uma obrigação decorrente do Acordo de Paris de há 10 anos, deviam já ter apresentado as suas contribuições para a redução global de emissões de GEE, as chamadas “contribuições nacionalmente determinadas”, ou NDC, mas até final de setembro só 64 o tinham feito.
Agora, com os novos anúncios, mais de metade dos 195 signatários do Acordo de Paris publicaram as suas metas para os próximos dez anos, representando em conjunto 69% do total das emissões globais.
A ONU estimou hoje que, com base nas novas metas, será atingida uma redução de 12% nas emissões globais até 2035 em comparação com os níveis de 2019.
Antes das novas NDC agora conhecidas, a redução, segundo a ONU, seria de cerca de 10%.
Mesmo os 12% são insuficientes para limitar o aquecimento global a um aumento de 1,5ºC (graus celsius) em relação à era pré-industrial, o principal objetivo do Acordo de Paris.
No entanto segundo a ONU antes da assinatura do acordo a previsão era de um crescimento das emissões entre 20% e 48% até 2035.
Na abertura hoje da COP30 em Belém, o secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, Simon Stiell, alertou que as NDC “não estão a reduzir as emissões com a rapidez suficiente”.
Os combustíveis fósseis são os principais causadores das emissões de GEE, especialmente de dióxido de carbono. Esses gases lançados para a atmosfera provocam um efeito de estufa e o aquecimento do planeta, levando nomeadamente à desregulação do clima.
Entre os signatários do Acordo de Paris que reviram ou apresentaram metas entre setembro e o passado domingo estão os Estados-membros da União Europeia, que chegaram a acordo em vésperas da conferência climática após longas discussões.
Na lista constam ainda a China, a África do Sul, a Tailândia e a Venezuela, entre outros.




